sábado, 30 de setembro de 2017

ARQUITECTURA AO CENTRO #17



PARQUE LINEAR DE OURÉM
OURÉM, OURÉM

João Nunes
Nuno Jacinto, Mafalda Silva Meirinho, Sílvia Basílio, António Magalhães de Carvalho
PROAP
arquitectura: António Garcia Arquitectos
2005

Com este projecto pretende-se constituir um espaço urbano que responda a um conjunto de solicitações de vária ordem, que podem ser integradas num âmbito de preocupações de requalificação urbana e ambiental.
Por um lado, qualificar o espaço canal da Ribeira de Seiça, adequando o seu desenho e funcionalidade a um uso no sentido da fruição lúdica e desportiva, oferecendo à população do concelho e aos visitantes um equipamento singular. Por outro lado, promover uma correcta articulação entre o tecido urbano adjacente e o espaço natural da ribeira, tomando esta oportunidade para intervir no sentido da resolução pontual de algumas situações de conflitualidade e contribuindo para a coerência e a ligação das diferentes peças constituintes desta situação de “remate” urbano. Por fim, assumir e desenvolver uma valência de “nova centralidade” urbana, estruturada em torno de dois equipamentos de grande relevância: o Centro de Congressos e o novo Mercado Municipal, ambos com grande capacidade atractiva, espaços de encontro, reunião, indutores de fruição comunitária do espaço público, consequentemente de catalisação do exercício de uma cidadania plena. O espaço onde se realiza a feira, que constitui a infra-estrutura fundamental mas que só funcionará uma vez por semana, serve de argumento para construir um espaço de traçado linear, utilizado quotidianamente pela população.

site: proap.pt

ver mais sobre o projecto:
ultimasreportagens.com

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

PROJECTAR EM LEIRIA


Quase dois anos depois, Leiria volta a receber a actividade PROJECTAR, cuja quinquagésima oitava sessão vai ter lugar no Auditório do Mercado de Sant'Ana, pelas 19:00 do próximo dia 19 de Outubro, quinta-feira, com a exibição de dois documentários sobre edifícios de habitação colectiva, um sobre o Familistério de Godin, em Guise, e outro sobre o Nemausus 1, complexo de habitação social projectado por Jean Nouvel em Nîmes, ambos na França.



Mais informações em breve.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

EXPOSIÇÃO (A)RISCAR O PATRIMÓNIO NO CONVENTO DE CRISTO

Será inaugurada no Convento de Cristo, na sala norte do Noviciado, em Tomar, no dia 4 de Outubro, às 18h00, a exposição (a)Riscar o Património.
A exposição apresentará uma selecção de mais de 100 trabalhos resultantes dos encontros do ano passado, que decorreram em 12 locais diferentes do país.
Será também apresentada uma mostra de trabalhos de anos anteriores (cerca de 100), pretendendo-se assim dar uma dimensão diacrónica desta iniciativa.
A exposição (a)Riscar o Património resulta de uma iniciativa da DGPC - Direção-Geral do Património Cultural, com apoio dos Urban Sketchers Portugal, que teve início em 2014, integrada nas comemorações das Jornadas Europeias do Património.
Associar a representação do património ao desenho, na sua vertente mais imediata e espontânea, dá o mote para este projecto, que tem como base a reunião, em várias vilas e cidades do país, num mesmo dia, entre sketchers, ilustradores, artistas ou simples amantes do desenho, e que entra, em 2017, na sua quarta edição.
São 3 anos de desenhos rápidos, feitos ao sabor do instante, em cadernos de diferentes dimensões e características, a captar lugares, ambientes, pessoas, momentos e monumentos - já que o mote transversal a este projecto é, sempre, o património, em tudo o que encerra de diverso e universal.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

ARQUITECTURA AO CENTRO #16



CASA XIEIRA 2
LEIRIA, CARANGUEJEIRA

Sara Oliveira e Marco Guarda
A2+ Arquitectos
2011

Implantado num terreno estreito de Norte a Sul, o projecto nasce com o objetivo de construir uma casa com um único piso. A tipologia foi definida de acordo com o acesso à melhor luz solar, já que esta é uma das riquezas deste país mediterrâneo. Por isso, todos os quartos estão orientados para Leste, sendo a sala de estar (espaço com mais permanência) a Sul, a cozinha a Oeste e a garagem a Norte, onde a funcionalidade é a simbiose do projecto.
A relação profissional do proprietário com o sector florestal, permitiu-nos procurar fontes de inspiração na região. Estamos no lado oeste do país, perto da cidade de Leiria que se distingue por madeireiras e os míticos pinhais (criado pelo rei D. Dinis para proteger a cidade de tempestades de areia e os ventos húmidos que sopram do Oceano Atlântico).
Este foi o ponto principal do projecto, o que nos permitiu aproveitar as tábuas de cofragem de pinho tradicionais utilizadas na elaboração das paredes de betão aparente nas paredes principais da casa.
A simplicidade do projecto exprimida por volumes torcidos, claramente criando um pátio interior que indica o acesso pedonal à entrada principal da casa. Estas indicações são dadas a ver pelas formas curvilíneas das paredes de betão aparente.
Na medida em que foi utilizada a inspiração, o projecto foi o resultado de uma constante metamorfose do moderno e minimalista, frágil e tradicional, exuberante, bruto.
Assim, os elementos foram ligados com o trabalho das cofragens de madeira no betão aparente e a criação de formas curvilíneas e modernas, entre a cor preta no betão e o gesso branco tradicional, entre as fachadas negras de xisto e a calçada portuguesa, entre os volumes de escala maciça e treliças finas de protecção solar ou as largas janelas de vidro.
Como resultado deste exercício é criada uma tipologia de habitação unifamiliar. Este projecto distingue-se dos outros pela sua presença discreta, sem negar as raízes profundas da sua cultura.

site: a2mais.net

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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

(A)RISCAR O PATRIMÓNIO NO CASTELO DE ALMOUROL


(a)Riscar o Património/Heritage Sketching é uma iniciativa da DGPC – Direção-Geral do Património Cultural, com apoio dos Urban Sketchers Portugal, integrada nas Jornadas Europeias do Património, que decorrem todos os anos em todo o país, durante o mês de Setembro.
A edição de 2017, decorrerá no dia 23 de Setembro tendo como tema «Património e Natureza – Pessoas, Lugares, Histórias». Será constituída por encontros de desenho em simultâneo nas cidades de Albufeira, Aveiro, Braga, Castelo Branco, Castelo de Almourol, Chaves, Coimbra, Évora, Guimarães, Lisboa, Madeira, Ponte de Lima, Porto, Ribeira Grande – Açores, Santa Maria da Feira, Torres Vedras, Viana do Castelo e Vila do Conde.

Tendo em conta o tema desta 4.ª edição do (a)Riscar o Património, a escolha do grupo de sketchers da Delegação do Centro da Ordem dos Arquitectos recaiu sobre o Castelo de Almourol.

PROGRAMA:

09h45 – Ponto de encontro no cais do Castelo de Almourol.
10H00 - Ponto de encontro alternativo no Cais D’El Rei, em Tancos.
13h00 – Almoço oferecido pela Delegação do Centro da Ordem dos Arquitectos.
18h00 – Encontro final para troca de experiências e desenhos.

Anfitrião: Ricardo Cabrita

Organização:
DGPC – Direção-Geral do Património Cultural
Urban Sketchers Portugal
Organização local:
Delegação do Centro da Ordem dos Arquitectos
Apoios:
Município de Vila Nova da Barquinha

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

PROJECTAR COM CÉSAR PORTELA


César Portela será o tema do segundo documentário da próxima sessão (dupla) da actividade PROJECTAR, que terá lugar no auditório da Biblioteca Municipal da Nazaré no dia 21 de Setembro, pelas 19h00.

CÉSAR PORTELA (1937- )

César Portela Fernández-Jardón nasceu em Pontevedra em 18 de Abril de 1937, filho de Agustín Portela Paz, desenhador e aparelhador.

Estudou nas Escolas Superiores de Arquitectura de Madrid e de Barcelona, obtendo a licenciatura em 1966, e dois anos depois o doutoramento. Foi professor catedrático de projectos durante 20 anos na Escola Técnica Superior de Arquitectura da Galiza.

Trabalhou em Pontevedra, Galiza, em conjunto com a então sua mulher, a arquitecta Pascuala Campos de Michelena, desenvolvendo em colaboração vários projectos de que se destacam o conjunto de casas para ciganos em Campañó, Poio (1971-1973), o bloco residencial no polígono de Campolongo, Pontevedra (1973) e as câmaras municipais de Pontecesures, A Coruña (1973-1975) e Forcarei, Pontevedra (1974-1980).

César Portela tem sido convidado a dar aulas em numerosas univerisades, tendo sido Professor Convidado, entre outras, na Escola Superior de Arquitectura de Pamplona, de Nancy, de Caracas, de Lisboa, ou de Weimar. Também dirigiu diversos Seminários e Workshops de arquitectura, alguns tão relevantes como o dirigido em colaboração com Aldo Rossi em Santiago de Compostela (1974), e em Nápoles, Sevilla, Barcelona, Belfort, Caracas, ou a IV Bienal de Arquitectura de Santander, e, mais recentemente, o Seminário sobre Cultura e Natureza: Arquitectura e Paisagem, patrocinado pela Universidade Menéndez Pelayo na Ilha de San Simón, Vigo, assim como o Seminário de Arquitectura da Universidade de Weimar.

Entre as suas obras mais recentes destacam-se a Faculdade de Belas Artes de Pontevedra (1990), o Domus-Casa do Home em colaboração com Arata Isozaki (1995), La Coruña, o Farol de Punta Nariga (1995), Malpica, o Cemitério de Finisterra (2002), La Coruña, pelo qual recebeu o Prémio Europeu Philippe Rotthier, o Museu do Mar da Galiza em colaboração Aldo Rossi (2002), Vigo, a Estação de Autocarros de Córdova (1999) com o qual foi distinguido com o Prémio Nacional de Arquitectura de Espanha, o Palácio de Congressos de La Coruña em colaboração com Ricardo Bofill (2003), o Auditório e Palácio de Congressos Mar de Vigo (2011), ou a ampliação do Aeroporto de Vigo - Peinador (2014), também em Vigo.

Para além dos prémios já referidos, entre outras distinções, recebeu a Medalha de Ouro do Conselho da Europa pela reabilitação da Carballeira de Santa Miña e envolvente, em 1982, o Prémio do Instituto Japonês de Arquitectura pela Ponte Azuma, no Japão, em 1995, ou o Primeiro Prémio Internacional de Arquitectura em Pedra (1998), em Verona, pelo Edifício Domus em A Coruña.


Cemitério Finisterra

Informações sobre os documentários aqui.
Mapa de localização do local onde decorrerá a sessão aqui.

Apoio:
Município da Nazaré

PROGRAMA:

21 de Setembro, 19h00
Auditório da Biblioteca Municipal da Nazaré
ALBERTO CAMPO BAEZA
Luz e harmonía

(2003, José Manuel Castillejo, 25')
CÉSAR PORTELA
A arquitectura solidária

(2003, Adolfo Dufour Andía, 31')

terça-feira, 19 de setembro de 2017

ARQUITECTURA AO CENTRO #15



CENTRO INTERPRETATIVO DO MOSTEIRO DA BATALHA
BATALHA, MOSTEIRO DA BATALHA

Cristina Guedes e Francisco Vieira de Campos
Menos é Mais Arquitectos
2012

Conceito arquitectónico
De forma a respeitar o valor arquitectónico do espaço preexistente, o centro interpretativo apresenta-se como uma estrutura autónoma e flexível, elevada acima do pavimento e apoiando-se sobre um canal infraestrutural, permitindo uma intervenção mínima na arquitectura. A escala arquitectónica ditada pelo espaço e as marcas estratigráficas nele registadas (outrora existiram dois pisos de ocupação) conduziram a uma reinterpretação desses indícios através da utilização de uma escala “gigante” na nova estrutura. A sua presença visual e desmaterializada caracterizada pelo recurso à cortina com vários véus em rede maleável onde a luz quente acentua o efeito cénico quase teatral conduzindo à narrativa que se vai vivenciar.
Ânimos impellere – a cortina como primeira porta do discurso de comunicação impele na sua abstracção formal para a descoberta. No interior, o discurso expositivo marcado por uma gramática contemporânea com suportes desmaterializados – multimédia, videogramas, sonoplastia – leva a um exercício de fruição – verdadeiro “teatro de memória”.
Conceito expositivo
O público entrará num canal sequencial de acontecimentos audiovisuais, interagindo à sua passagem, conduzida pelo percurso temático da exposição. O interesse do visitante ficará marcado pela diversidade de suportes comunicativos convergentes num único espectáculo unimedial, mas construído em perspectivas complementares pelos dois lados do canal. O sistema contará com projecção vídeo, painéis impressos, vitrinas iluminadas, monitores LCD com filmes em loop e suportes de apoio para blocos esculpidos devidamente iluminadas, ao som que acompanhará complementarmente a apresentação de cada tema.

site: menosemais.com

ver mais sobre o projecto:
archilovers.com
arqa.com

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

PROJECTAR COM ALBERTO CAMPO BAEZA


Alberto Campo Baeza será o tema do primeiro documentário da próxima sessão (dupla) da actividade PROJECTAR, que terá lugar no auditório da Biblioteca Municipal da Nazaré no dia 21 de Setembro, pelas 19h00.

ALBERTO CAMPO BAEZA (1946- )

Alberto Campo Baeza nasceu em Valladolid em 15 de Outubro de 1946, onde o seu avô, Emilio Baeza Eguiluz era arquitecto municipal. Em consequência da vida profissional do pai, cirurgião militar, muda-se para Cádiz com dois anos de idade.

Vive em Madrid desde que para aí foi estudar arquitectura, obtendo o diploma de arquitecto em 1971 pela Escola Técnica Superior de Arquitectura de Madrid (ETSAM) onde teve como professores os arquitectos Alejandro de la Sota, que o iniciou na arquitectura essencial que continua a praticar, Rafael Moneo, Julio Cano Lasso, com quem colaborou em algumas obras, Rafael Aburto ou Francisco de Asís Cabrero.

A convite de Sáenz de Oiza, começou a leccionar na ETSAM em 1976, onde, com Javier Carvajal, completa o doutoramento em 1982, e desde 1986 exerce como Catedrático de projectos, tornando-se à data no mais jovem catedrático da Escola.

Tem dado aulas também na Escola Politécnica Federal (ETH) de Zurique, na Escola Politécnica Federal de Lausana (EPFL), entre outras, assim como na Universidade da Pensilvânia, em Filadélfia, na Universidade do Estado do Kansas, na Universidade Católica da América, em Washington, e mais recentemente, em 2016, na Escola de Arquitectura de Tournai, na Bélgica.

Os seus projetos e obras agregam-se em dois grupos: a habitação, individual ou coletiva; e as instituições, de ensino, de média escala, e as económicas ou culturais (entre outras), de maior escala.

Destacam-se o infantário em Aspe (1982), Alicante; a Escola Pública San Fermín (1985), Madrid; as casas Turégano (1988) e García Marcos (1991), respetivamente Pozuelo e Valdemoro, Madrid; conjunto de quatro casas em Argel para a Embaixada espanhola (1992); a Casa Gaspar (1992), Zahora, Cádiz; a Escola Drago (1992), Cádiz; Centro Balear de Innovación Tecnológica (1998), Inca, Maiorca; e o edifício para a sede da Caja General de Ahorros de Granada (2001).

Entre as obras mais recentes há a referir a Casa de Blas (2000), em Madrid, as Casas Asencio (2001) ou Guerrero (2005), em Cádiz, a Casa Rufo (2009), em Toledo, e a Casa Moliner (2008), em Zaragoza. Assim como a Casa Olnick Spanu (2008), em Garrison, Nova Iorque, ou a Casa do Infinito (2014) em Cádiz, e a Casa Cala (2015), em Madrid.

De referir também o espaço público Entre Catedrais (2009), em Cádiz, o Museu da Memória da Andaluzía (2009), em Granada. E o Jardim de Infância para a Benetton (2007) em Veneza, ou o edifício do Governo Regional de Castilla y León (2012), em Zamora. Recentemente, foi concluído o Pavilhão de Desportos da Universidade Francisco de Vitoria (2017), em Madrid.

Publicou vários livros com textos seus sobre arquitectura, como La Idea Construida (1996), Pensar con las manos (2006) e Principia Architectonica (2013) que contam já com mais de trinta edições em várias línguas. Em 2014 publicou Poetica Architectonica e em 2015 Quiero ser arquitecto.

A sua obra tem sido amplamente reconhecida e premiada, de que se destacam o Prémio Torroja (2003) para a Caja General de Ahorros de Granada, a Medalha de Ouro Heinrich Tessenow (2013), o Arnold W. Brunner Memorial Prize of the American Academy of Arts and Letters (2013), o Prémio International de Arquitectura em Pedra (2013) em Verona, e o RIBA International Fellowship 2014 do Royal Institute of British Architects. Em 2015, foi premiado com o BigMat 2015, em Berlim, e com o Prémio Internacional de Arquitectura Espanhola (PAEI 2015).


Casa Gaspar (foto de Hisao Suzuki)

Informações sobre os documentários aqui.
Mapa de localização do local onde decorrerá a sessão aqui.

Apoio:
Município da Nazaré

PROGRAMA:

21 de Setembro, 19h00
Auditório da Biblioteca Municipal da Nazaré
ALBERTO CAMPO BAEZA
Luz e harmonía

(2003, José Manuel Castillejo, 25')
CÉSAR PORTELA
A arquitectura solidária

(2003, Adolfo Dufour Andía, 31')

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

ARQUITECTURA AO CENTRO #14



CASA VARATOJO
TORRES VEDRAS, TORRES VEDRAS

Filipe Vogt Rodrigues, Inês Maia Vicente e Marta Mateus Frazão
André Almeida, António Cotrim
Atelier Data
2013

A casa Varatojo localiza-se numa colina a este da cidade de Torres Vedras, Portugal. Implantada num lote de configuração poligonal e atendendo simultaneamente à exposição solar (norte/sul) e orientação do vento predominante do Norte, a estratégia de desenho passou por considerar os seguintes aspectos:
:: Exploração da relação entre construção e paisagem, tirando partido da posição sobranceira do lote em relação à cidade de Torres Vedras, seu Castelo e imediações;
:: Promoção das relações de complementaridade e interdependência entre a casa e o jardim, criando intensas relações visuais entre o interior e o exterior;
:: Criação de relações de transversalidade entre o lado norte - (vista) e o lado sul - (espaço de estar abrigado), através principalmente do “espaço piscina” no piso -1 e da modelação do terreno no Jardim;
:: Reutilização de materiais numa lógica distinta ao uso tradicional, de que são exemplo as sulipas (antigas linhas de caminho de ferro) introduzindo um certo experimentalismo e novidade na forma como estes se aplicam e reciclam;
:: Selecção de vegetação autóctone para a caracterização do jardim, criando um sistema ecológico integrado na Paisagem da Região.

Conceito

A volumetria da casa resulta de um gesto em espiral cujo desenho tira partido da configuração do lote.
Optou-se pela construção de um limite, uma espécie de linha que ganha progressivamente corpo e espessura para alojar o programa de habitação.
Este gesto inicia-se com a rampa de acesso ao lote e culmina no lado oposto com a edificação alcançando dois pisos, reforçando-se também a partir do perfil da casa o gesto em espiral.
A estratégia de desenho adotada permitiu criar um espaço de estar a sul, abrigado dos fortes ventos da região, precipitando igualmente a construção sobre a paisagem a norte.

Programa

Do ponto de vista funcional, o programa distribui-se em três pisos. O piso 0 centraliza a maior parte do programa. Nele localizam-se as áreas sociais - cozinha, sala de estar e jantar - entendidos como um único espaço aberto e continuo, reforçado pelo plano da cobertura. Ainda neste piso localiza-se a zona dos quartos (de acesso mais restrito) - quarto de visitas e quartos das crianças onde uma sala comum destinada à brincadeira e ao estudo faz a mediação entre estes dois espaços.
No piso 1 localiza-se o quarto principal rematado a norte por uma profunda varanda que se precipita sobre a cidade de Torres Vedras, e a sul por um jardim que é pano de fundo da casa de banho. Ainda neste piso e aproveitando a inclinação da cobertura, localiza-se uma biblioteca / zona de trabalho que é mezanino sobre a sala de estar e jantar.
No piso -1 a piscina é o espaço central através do qual se promovem as relações de atravessamento entre o lado norte e sul, entre a vista e o jardim, reflectindo-se sobre o espelho de água a envolvente exterior.

Materialidade

Optou-se por um lado pelo uso de materiais e revestimentos tradicionais, como materiais cimentícios, reboco, madeira e cortiça, e por outro considerou-se o reuso das tábuas de madeira numa lógica distinta do seu uso convencional, introduzindo uma certa inovação e experimentação na procura de novas possibilidades de aplicação de materiais.

Vegetação: Plasticidade e Elasticidade

Define-se um pequeno bosque de Quercus faginea subssp.broteroi (Carvalho-português). A escolha dominante de vegetação autóctone para o jardim (arbórea, arbustiva e herbácea) permite respeitar as características edafoclimáticas do lugar, criando um sistema ecológico integrado na Paisagem da Região (Genius loci).
Na encosta do lado norte, formações subarbustivas e arbustivas – os matos, neste caso designados de Carrascais, aparecem num substrato calcário. Expostos ao vento, os carrascais amoitados têm como principais intervenientes o carrasco (Quercus coccifera) e a aroeira (Pistacia lentiscus) que se associam a diversas espécies tais como: o sanguinho das sebes (Rhamnus alaternus); o trovisco (Daphne gnidium); a estevinha (Cistus salvifolius); o tojo-gatunha (Ulex densus); a salsaparrilha-do-reino (Smilax aspera) e a madressilva-caprina (Lonicera etrusca). No lado sul abrigado, surge o Carvalho-português; os arbustos-arborescentes como o folhado (Viburnum tinus); o pilriteiro (Crataegus monogyna); o loureiro (Laurus nobilis) e no estrato herbáceo as folhas- de-Acanto (Acanthus mollis) e os lírios amarelos (Iris pseudacorus).

site: atelierdata.com

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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

PROJECTAR #57

A 57.ª edição da actividade PROJECTAR marca o regresso da itinerância da exibição de documentários de arquitectura, em mais uma sessão dupla, propondo-nos conhecer a vida e obra de dois arquitectos espanhóis com ligações ao mar, Alberto Campo Baeza e César Portela, e terá lugar no Auditório da Biblioteca Municipal da Nazaré, já no próximo dia 21 de Setembro, pelas 19h00.



Ambos da série Elogio de la luz, com direcção de Juan M. Martín de Blas, o primeiro é dedicado à vida e obra do arquitecto Alberto Campo Baeza, e foi realizado por José Manuel Castillejo em 2003:

A Caja General de Granada, sua obra mais recente e as casas unifamiliares de Sancti Petri, Gaspar e De Blas dão-nos uma amostra do talento e sensibilidade de Campo Baeza, de Cádiz por adopção que soube moldar a luz do sul nas suas obras.



O segundo documentário sobre a vida e obra do arquitecto César Portela, foi realizado por Adolfo Dufour Andía em 2003:

As brumas da Galiza, o mar agitado da Costa da Morte, a luminosa Córdova, todos estes cenários são propícios para que a arquitectura de Portela revele o seu sentido mais humano e generoso.



Com estas sessões propõe-se esta Delegação da Ordem dos Arquitectos exibir documentários de Arquitectura, como forma de divulgar a vida e obra de arquitectos com importância na história e teoria da arquitectura, nacional e internacional, de várias épocas e movimentos, e assim contribuir para o enriquecimento da cultura arquitectónica na nossa região.

Estas sessões destinam-se, para além dos arquitectos da região, a outros técnicos e a todas as pessoas com curiosidade e interesse nestes temas, sendo de acesso livre mas limitadas à lotação do Auditório da Biblioteca Municipal da Nazaré, que está disponível para o efeito.

Apoio:
Município da Nazaré

PROGRAMA:

21 de Setembro, 19h00
Auditório da Biblioteca Municipal da Nazaré
ALBERTO CAMPO BAEZA
Luz e harmonía

(2003, José Manuel Castillejo, 25')
CÉSAR PORTELA
A arquitectura solidária

(2003, Adolfo Dufour Andía, 31')

ARQUITECTURA AO CENTRO #13



CENTRO ESCOLAR DE PAREDES
ALENQUER, ALENQUER

André Espinho
Bruno Mendes, Miguel Henriques, Marco Correia
André Espinho Arquitectura
2009

A nível arquitectónico, a obra caracteriza-se por um volume branco assente em quatro volumes negros destacando desta forma, numa linguagem plástica clara e simples, os dois pisos contingentes e os espaços de acção que reúnem. Com uma área de mais de 6000 metros quadrados, concebida para receber cerca de 610 crianças com idades entre os três e os nove, o desafio na concepção deste edifício não foi apenas a sua grande dimensão mas a interligação dos espaços e a orientação destes para o tipo de utilizadores a que se destina (crianças, educadores de infância e encarregados de educação). Como tal, foram feitas várias visitas a escolas e reuniões com educadores com o intuito de detectar as deficiências técnicas existentes e possíveis melhorias do ponto de vista do utilizador. Após esta análise cuidada daquilo que poderia ser melhorado no conceito de centro escolar foram propostas algumas soluções para as actuais exigências técnicas de construção e habitabilidade.
O edifício situa-se num ambiente rural em mutação, integrado numa pequena encosta formada por uma pendente coberta de vinhas, com uma abertura de excelente perspectiva panorâmica. Consequentemente, e como forma de ultrapassar a questão do declive acentuado do terreno, foi desenvolvido como solução a criação de três pátios cobertos que, de certa forma, organizam e modelam o espaço interior, permitindo que a circulação por estes desfrute de luz natural e mantenha um contacto permanente com o exterior. Além disto, estes pátios internos são excelentes espaços de lazer para acolher as crianças em todas as estações do ano, facilitando aos educadores a monitoria destas.
No piso de entrada situam-se as zonas administrativas e de recepção aos pais, sendo que no piso inferior se encontra o ginásio e a maior parte das salas de actividades, que têm um acesso directo ao recreio exterior e ao campo de jogos.
Contudo, e como indicado inicialmente, para além das considerações arquitectónicas associadas aos conceitos de brincadeira e vigilância, o que mais distingue esta obra é um conjunto de intervenções plásticas que os convidados ofereceram com a sua autoria ao Centro escolar de Paredes Alenquer.
De facto, imaginei a possibilidade de revestir por completo algumas das paredes da escola com criações plásticas fora de escala,“gigantes”, logo desde a concepção do espaço. Para tal, na própria fase de projecto foi seleccionado um material para revestimento que viabilizasse a impressão de imagens (fotografia, desenho ou pintura), sendo fulcral que este ficasse orçamentado logo de início na empreitada. Foram convidados alguns artistas plásticos a desenvolver intervenções plásticas e uma criança propositadamente para este Projecto.
Devido a motivações arquitectónicas era pertinente que estas intervenções fossem sentidas com maior incidência nas zonas de comunicação e lazer, pelo que os murais se localizam nos átrios de ligação dos pisos e nos recreios cobertos, junto aos corredores de acesso das salas de aula. O refeitório, sendo também um espaço de reunião e encontro de utentes, foi também alvo destas manifestações plásticas. A integração destes murais nos espaços de circulação e maior concentração de pessoas, assim como a transparência de alçados que permite a sua observação a partir de várias localizações, vieram enriquecer e imprimir um conjunto de emoções à arquitectura edificada. De facto esta torna-se não só mais completa e dinâmica, interagindo com os utentes não apenas a nível funcional mas também visual e intelectual, como também mais acolhedora e familiar o que, sendo os seus principais frequentadores crianças, é fundamental.

site: andrespinho.pt

ver mais sobre o projecto:
archdaily.com
archello.com
architizer.com
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divisare.com
espacodearquitetura.com
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ultimasreportagens.com
worldarchitecturenews.com

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

ARQUITECTURA AO CENTRO #12



PONTE PEDONAL SOBRE A RIBEIRA DA CARPINTEIRA
COVILHÃ, COVILHÃ

João Luís Carrilho da Graça e AFAConsult, Lda. (António Adão da Fonseca e Carlos Quinaz, Engenheiros)
Pedro Abreu Pereira, João Rosado Baptista, Porfirio Pontes, Yutaka Shiki
Carrilho da Graça Arquitectos
2009

Da delicadeza

[Section XVI] On Delicacy - ”An air of robustness and strength is very prejudicial to beauty. An appearance of delicacy, and even of fragility, is almost essential to it.” Edmund Burke, Philosophical Enquiry into the Origins of Our Ideas of the Sublime and the Beautiful, 1757

O núcleo da cidade da Covilhã, no interior de Portugal, ocupa um promontório no sopé do extremo Sul da Serra da Estrela, dominando visualmente uma vasta e fértil paisagem de relativa planura — a Cova da Beira — que da Estrela se estende às serras da Gardunha e da Malcata. A particular topografia do território em que a cidade se inscreve não só determinou a forma e as estratégias do seu desenho urbano como, até há um passado relativamente recente, proporcionou os meios técnicos e económicos para o seu desenvolvimento. Com efeito, os cursos de água dos vales da Carpinteira e da Goldra (ou Degoldra), que respectivamente delimitam o promontório da cidade a Norte e a Sul, forneceram a força motriz para a industrialização da tradicional actividade de transformação de lanifícios, reconhecida desde pelo menos o século XVI e alimentada pela pastorícia dos rebanhos ovinos (e marginalmente caprinos) criados na Serra, mas também pela dos que demandavam os seus pastos de Verão.
Este fenómeno transumante abarcava um território que se estendia das terras do Douro, a Norte, ao Alentejo, a Sul, e se alargava a Leste até Castela, fazendo equivaler ao domínio visual sobre a paisagem imediata um domínio territorial mais vasto, significativamente resultante do movimento através dessa mesma extensão territorial. Reflectido na cidade, este período de desenvolvimento originou a sua expansão não só em direcção aos vales, com a ocupação industrial do talvegue, mas mais tarde também na direcção do festo Norte da Carpinteira, oposto ao da cidade, onde nas décadas de 30 e 40 do século XX se construiu o bairro operário dos Penedos Altos para alojar a mão-de-obra da então denominada “cidade-fábrica”. A expansão da cidade para lá dos vales veio acentuar a percepção da sua topografia, e o posterior declínio da indústria alimentada pelos cursos de água, com o consequente abandono do seu lugar e das suas infra-estruturas, voltou a remeter, com um efeito paroxístico, os vales da Goldra e da Carpinteira à condição de acidentes orográficos à volta dos quais a cidade entretanto crescera. Acidentes que agora se vê obrigada a contornar nos seus movimentos internos, que os deixaram de incluir, e que percepciona apenas como negativo, como “espaços entre”.
O projecto e construção (2003 – 2009) de uma ponte pedonal e ciclável sobre o vale da Carpinteira da autoria de João Luís Carrilho da Graça, com AFAconsult, no quadro de um pleonástico plano para “aplanar” a experiência do movimento na cidade através de ligações em altura (mecânicas) e de nível (pedonais/cicláveis) entre o centro e as áreas periféricas, veio inscrever nesta paisagem uma linha que determina e possibilita um novo movimento de atravessamento do vale. Por sobre as encostas graníticas abruptas da ribeira, onde persistem as fachadas vazadas das fábricas de lanifícios e os muros de granito de suporte das râmolas de Sol (estruturas para a secagem das lãs), a ponte desenha-se, curva e contracurva, entre a cota determinada pela plataforma da piscina municipal dos Penedos Altos e, 220 metros depois, a mesma cota na encosta oposta, 52 metros acima do curso de água.
A não perpendicularidade entre a linha imaginária que liga os pontos de amarração e a linha de eixo do vale proporcionou a oportunidade para o traçado do tabuleiro instalar, mais do que uma ruptura, um deslize do paradigma Euclidiano: na presença de obstáculos, a distância mais curta entre dois pontos pode passar a ser, segundo Galileu (ou, pelo menos, segundo a personagem Galileu na peça homónima de Brecht), uma linha curva. Uma linha curva em três tramos, que no seu troço médio se organiza normal às encostas e perpendicular ao eixo do vale e que, inflectindo em cada extremo, orienta os troços terminais em direcção aos pontos de amarração pré-determinados, desenhando uma serpentina, reminescente da linha da beleza de William Hogarth (The Analysis of Beauty. Written with a view of fixing the fluctuating Ideas of Taste, 1753), uma possível referência. Referência não despicienda até porque, com efeito, a secção XVI, sobre a delicadeza como atributo da beleza, de A Philosophical Enquiry into the Origins of Our Ideas of the Sublime and the Beautiful (1757) de Edmund Burke, citada acima, parece metaforizar com precisão como arquitectónica e estruturalmente a ponte se materializa e suporta: duas vigas paralelas de e revestidas a aço com 1,75 metros de altura delimitam os 4,40 metros de largura do tabuleiro estabelecendo a sua secção, apoiando-se em quatro pilares, os dois centrais igualmente revestidos em aço e com as mesma dimensões exteriores do tabuleiro, cravados junto ao leito da ribeira, e os dois restantes, circulares, menores porque cravados já nas encostas, em betão parcialmente revestidos por blocos de granito, formal e materialmente desvinculados da estrutura metálica — paradoxalmente presentes e simultaneamente quase invisíveis na leitura do vão. Uma aparência de delicadeza, de fragilidade até, que resulta essencial à sua beleza e singularidade.
No seu atravessamento, a armadura metálica exterior, espécie de exoesqueleto protector, cede a um interior — pavimento e guarda corpos — em madeira de azobé, amável e táctil, proporcionando uma experiência háptica simultânea à experiência visual complexificada pelo singular desenvolvimento do tabuleiro que, sequencialmente, remete o olhar para o maciço da serra, a crescente proximidade da encosta e a paisagem da planície que se abre no fim do vale, paisagem esta exposta ao olhar numa perspectiva até aí impossível. À noite, entre a escuridão do maciço da Serra e as luzes próximas das encostas e longínquas da paisagem agora sem horizonte, o guarda corpos emana a luz que permite o percurso sobre o tabuleiro, concentrando o olhar no seu interior.
Branca nos paramentos exteriores e negra nos intradorsos, a ponte da Carpinteira desenha um pórtico, quase abstracto, e à distância quase materialmente indefinível — espécie de impossibilidade ou miragem —, sobre a ribeira e sobre a paisagem, instalando um novo quadro de relações físicas e visuais, proporcionando, assim, um re-mapeamento do território. Re-mapeamento porque é, de facto, na experiência do movimento, ou melhor, na forma como proporciona a percepção da experiência do movimento na paisagem, e a percepção da própria paisagem, que a ponte revela o reconhecimento da especificidade deste território. Porque nos incita não apenas a atravessá-la, por necessidade (ou por desejo), onde antes o não poderíamos fazer, mas nos incita também a percorrer fisicamente, depois de o fazermos com o olhar, a paisagem que nos revela. Porque consegue fazer coexistir, em si mesma e na paisagem, dois espaços-tempo: o espaço Euclidiano, métrico e hierarquizado, definido por um plano de mobilidade, medido em distâncias e tempos de percurso, eminentemente funcional; e um espaço centrado na experiência do corpo como receptor dos estímulos háptico e visual, percorrido intensamente, a uma velocidade que é relativa (simultaneamente muito rápida ou bastante lenta, conforme a experiência desejada ou necessária ao corpo em movimento), eminentemente sensorial.

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