quinta-feira, 21 de setembro de 2017

(A)RISCAR O PATRIMÓNIO NO CASTELO DE ALMOUROL


(a)Riscar o Património/Heritage Sketching é uma iniciativa da DGPC – Direção-Geral do Património Cultural, com apoio dos Urban Sketchers Portugal, integrada nas Jornadas Europeias do Património, que decorrem todos os anos em todo o país, durante o mês de Setembro.
A edição de 2017, decorrerá no dia 23 de Setembro tendo como tema «Património e Natureza – Pessoas, Lugares, Histórias». Será constituída por encontros de desenho em simultâneo nas cidades de Albufeira, Aveiro, Braga, Castelo Branco, Castelo de Almourol, Chaves, Coimbra, Évora, Guimarães, Lisboa, Madeira, Ponte de Lima, Porto, Ribeira Grande – Açores, Santa Maria da Feira, Torres Vedras, Viana do Castelo e Vila do Conde.

Tendo em conta o tema desta 4.ª edição do (a)Riscar o Património, a escolha do grupo de sketchers da Delegação do Centro da Ordem dos Arquitectos recaiu sobre o Castelo de Almourol.

PROGRAMA:

09h45 – Ponto de encontro no cais do Castelo de Almourol.
10H00 - Ponto de encontro alternativo no Cais D’El Rei, em Tancos.
13h00 – Almoço oferecido pela Delegação do Centro da Ordem dos Arquitectos.
18h00 – Encontro final para troca de experiências e desenhos.

Anfitrião: Ricardo Cabrita

Organização:
DGPC – Direção-Geral do Património Cultural
Urban Sketchers Portugal
Organização local:
Delegação do Centro da Ordem dos Arquitectos
Apoios:
Município de Vila Nova da Barquinha

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

PROJECTAR COM CÉSAR PORTELA


César Portela será o tema do segundo documentário da próxima sessão (dupla) da actividade PROJECTAR, que terá lugar no auditório da Biblioteca Municipal da Nazaré no dia 21 de Setembro, pelas 19h00.

CÉSAR PORTELA (1937- )

César Portela Fernández-Jardón nasceu em Pontevedra em 18 de Abril de 1937, filho de Agustín Portela Paz, desenhador e aparelhador.

Estudou nas Escolas Superiores de Arquitectura de Madrid e de Barcelona, obtendo a licenciatura em 1966, e dois anos depois o doutoramento. Foi professor catedrático de projectos durante 20 anos na Escola Técnica Superior de Arquitectura da Galiza.

Trabalhou em Pontevedra, Galiza, em conjunto com a então sua mulher, a arquitecta Pascuala Campos de Michelena, desenvolvendo em colaboração vários projectos de que se destacam o conjunto de casas para ciganos em Campañó, Poio (1971-1973), o bloco residencial no polígono de Campolongo, Pontevedra (1973) e as câmaras municipais de Pontecesures, A Coruña (1973-1975) e Forcarei, Pontevedra (1974-1980).

César Portela tem sido convidado a dar aulas em numerosas univerisades, tendo sido Professor Convidado, entre outras, na Escola Superior de Arquitectura de Pamplona, de Nancy, de Caracas, de Lisboa, ou de Weimar. Também dirigiu diversos Seminários e Workshops de arquitectura, alguns tão relevantes como o dirigido em colaboração com Aldo Rossi em Santiago de Compostela (1974), e em Nápoles, Sevilla, Barcelona, Belfort, Caracas, ou a IV Bienal de Arquitectura de Santander, e, mais recentemente, o Seminário sobre Cultura e Natureza: Arquitectura e Paisagem, patrocinado pela Universidade Menéndez Pelayo na Ilha de San Simón, Vigo, assim como o Seminário de Arquitectura da Universidade de Weimar.

Entre as suas obras mais recentes destacam-se a Faculdade de Belas Artes de Pontevedra (1990), o Domus-Casa do Home em colaboração com Arata Isozaki (1995), La Coruña, o Farol de Punta Nariga (1995), Malpica, o Cemitério de Finisterra (2002), La Coruña, pelo qual recebeu o Prémio Europeu Philippe Rotthier, o Museu do Mar da Galiza em colaboração Aldo Rossi (2002), Vigo, a Estação de Autocarros de Córdova (1999) com o qual foi distinguido com o Prémio Nacional de Arquitectura de Espanha, o Palácio de Congressos de La Coruña em colaboração com Ricardo Bofill (2003), o Auditório e Palácio de Congressos Mar de Vigo (2011), ou a ampliação do Aeroporto de Vigo - Peinador (2014), também em Vigo.

Para além dos prémios já referidos, entre outras distinções, recebeu a Medalha de Ouro do Conselho da Europa pela reabilitação da Carballeira de Santa Miña e envolvente, em 1982, o Prémio do Instituto Japonês de Arquitectura pela Ponte Azuma, no Japão, em 1995, ou o Primeiro Prémio Internacional de Arquitectura em Pedra (1998), em Verona, pelo Edifício Domus em A Coruña.


Cemitério Finisterra

Informações sobre os documentários aqui.
Mapa de localização do local onde decorrerá a sessão aqui.

Apoio:
Município da Nazaré

PROGRAMA:

21 de Setembro, 19h00
Auditório da Biblioteca Municipal da Nazaré
ALBERTO CAMPO BAEZA
Luz e harmonía

(2003, José Manuel Castillejo, 25')
CÉSAR PORTELA
A arquitectura solidária

(2003, Adolfo Dufour Andía, 31')

terça-feira, 19 de setembro de 2017

ARQUITECTURA AO CENTRO #15



CENTRO INTERPRETATIVO DO MOSTEIRO DA BATALHA
BATALHA, MOSTEIRO DA BATALHA

Cristina Guedes e Francisco Vieira de Campos
Menos é Mais Arquitectos
2012

Conceito arquitectónico
De forma a respeitar o valor arquitectónico do espaço preexistente, o centro interpretativo apresenta-se como uma estrutura autónoma e flexível, elevada acima do pavimento e apoiando-se sobre um canal infraestrutural, permitindo uma intervenção mínima na arquitectura. A escala arquitectónica ditada pelo espaço e as marcas estratigráficas nele registadas (outrora existiram dois pisos de ocupação) conduziram a uma reinterpretação desses indícios através da utilização de uma escala “gigante” na nova estrutura. A sua presença visual e desmaterializada caracterizada pelo recurso à cortina com vários véus em rede maleável onde a luz quente acentua o efeito cénico quase teatral conduzindo à narrativa que se vai vivenciar.
Ânimos impellere – a cortina como primeira porta do discurso de comunicação impele na sua abstracção formal para a descoberta. No interior, o discurso expositivo marcado por uma gramática contemporânea com suportes desmaterializados – multimédia, videogramas, sonoplastia – leva a um exercício de fruição – verdadeiro “teatro de memória”.
Conceito expositivo
O público entrará num canal sequencial de acontecimentos audiovisuais, interagindo à sua passagem, conduzida pelo percurso temático da exposição. O interesse do visitante ficará marcado pela diversidade de suportes comunicativos convergentes num único espectáculo unimedial, mas construído em perspectivas complementares pelos dois lados do canal. O sistema contará com projecção vídeo, painéis impressos, vitrinas iluminadas, monitores LCD com filmes em loop e suportes de apoio para blocos esculpidos devidamente iluminadas, ao som que acompanhará complementarmente a apresentação de cada tema.

site: menosemais.com

ver mais sobre o projecto:
archilovers.com
arqa.com

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

PROJECTAR COM ALBERTO CAMPO BAEZA


Alberto Campo Baeza será o tema do primeiro documentário da próxima sessão (dupla) da actividade PROJECTAR, que terá lugar no auditório da Biblioteca Municipal da Nazaré no dia 21 de Setembro, pelas 19h00.

ALBERTO CAMPO BAEZA (1946- )

Alberto Campo Baeza nasceu em Valladolid em 15 de Outubro de 1946, onde o seu avô, Emilio Baeza Eguiluz era arquitecto municipal. Em consequência da vida profissional do pai, cirurgião militar, muda-se para Cádiz com dois anos de idade.

Vive em Madrid desde que para aí foi estudar arquitectura, obtendo o diploma de arquitecto em 1971 pela Escola Técnica Superior de Arquitectura de Madrid (ETSAM) onde teve como professores os arquitectos Alejandro de la Sota, que o iniciou na arquitectura essencial que continua a praticar, Rafael Moneo, Julio Cano Lasso, com quem colaborou em algumas obras, Rafael Aburto ou Francisco de Asís Cabrero.

A convite de Sáenz de Oiza, começou a leccionar na ETSAM em 1976, onde, com Javier Carvajal, completa o doutoramento em 1982, e desde 1986 exerce como Catedrático de projectos, tornando-se à data no mais jovem catedrático da Escola.

Tem dado aulas também na Escola Politécnica Federal (ETH) de Zurique, na Escola Politécnica Federal de Lausana (EPFL), entre outras, assim como na Universidade da Pensilvânia, em Filadélfia, na Universidade do Estado do Kansas, na Universidade Católica da América, em Washington, e mais recentemente, em 2016, na Escola de Arquitectura de Tournai, na Bélgica.

Os seus projetos e obras agregam-se em dois grupos: a habitação, individual ou coletiva; e as instituições, de ensino, de média escala, e as económicas ou culturais (entre outras), de maior escala.

Destacam-se o infantário em Aspe (1982), Alicante; a Escola Pública San Fermín (1985), Madrid; as casas Turégano (1988) e García Marcos (1991), respetivamente Pozuelo e Valdemoro, Madrid; conjunto de quatro casas em Argel para a Embaixada espanhola (1992); a Casa Gaspar (1992), Zahora, Cádiz; a Escola Drago (1992), Cádiz; Centro Balear de Innovación Tecnológica (1998), Inca, Maiorca; e o edifício para a sede da Caja General de Ahorros de Granada (2001).

Entre as obras mais recentes há a referir a Casa de Blas (2000), em Madrid, as Casas Asencio (2001) ou Guerrero (2005), em Cádiz, a Casa Rufo (2009), em Toledo, e a Casa Moliner (2008), em Zaragoza. Assim como a Casa Olnick Spanu (2008), em Garrison, Nova Iorque, ou a Casa do Infinito (2014) em Cádiz, e a Casa Cala (2015), em Madrid.

De referir também o espaço público Entre Catedrais (2009), em Cádiz, o Museu da Memória da Andaluzía (2009), em Granada. E o Jardim de Infância para a Benetton (2007) em Veneza, ou o edifício do Governo Regional de Castilla y León (2012), em Zamora. Recentemente, foi concluído o Pavilhão de Desportos da Universidade Francisco de Vitoria (2017), em Madrid.

Publicou vários livros com textos seus sobre arquitectura, como La Idea Construida (1996), Pensar con las manos (2006) e Principia Architectonica (2013) que contam já com mais de trinta edições em várias línguas. Em 2014 publicou Poetica Architectonica e em 2015 Quiero ser arquitecto.

A sua obra tem sido amplamente reconhecida e premiada, de que se destacam o Prémio Torroja (2003) para a Caja General de Ahorros de Granada, a Medalha de Ouro Heinrich Tessenow (2013), o Arnold W. Brunner Memorial Prize of the American Academy of Arts and Letters (2013), o Prémio International de Arquitectura em Pedra (2013) em Verona, e o RIBA International Fellowship 2014 do Royal Institute of British Architects. Em 2015, foi premiado com o BigMat 2015, em Berlim, e com o Prémio Internacional de Arquitectura Espanhola (PAEI 2015).


Casa Gaspar (foto de Hisao Suzuki)

Informações sobre os documentários aqui.
Mapa de localização do local onde decorrerá a sessão aqui.

Apoio:
Município da Nazaré

PROGRAMA:

21 de Setembro, 19h00
Auditório da Biblioteca Municipal da Nazaré
ALBERTO CAMPO BAEZA
Luz e harmonía

(2003, José Manuel Castillejo, 25')
CÉSAR PORTELA
A arquitectura solidária

(2003, Adolfo Dufour Andía, 31')

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

ARQUITECTURA AO CENTRO #14



CASA VARATOJO
TORRES VEDRAS, TORRES VEDRAS

Filipe Vogt Rodrigues, Inês Maia Vicente e Marta Mateus Frazão
André Almeida, António Cotrim
Atelier Data
2013

A casa Varatojo localiza-se numa colina a este da cidade de Torres Vedras, Portugal. Implantada num lote de configuração poligonal e atendendo simultaneamente à exposição solar (norte/sul) e orientação do vento predominante do Norte, a estratégia de desenho passou por considerar os seguintes aspectos:
:: Exploração da relação entre construção e paisagem, tirando partido da posição sobranceira do lote em relação à cidade de Torres Vedras, seu Castelo e imediações;
:: Promoção das relações de complementaridade e interdependência entre a casa e o jardim, criando intensas relações visuais entre o interior e o exterior;
:: Criação de relações de transversalidade entre o lado norte - (vista) e o lado sul - (espaço de estar abrigado), através principalmente do “espaço piscina” no piso -1 e da modelação do terreno no Jardim;
:: Reutilização de materiais numa lógica distinta ao uso tradicional, de que são exemplo as sulipas (antigas linhas de caminho de ferro) introduzindo um certo experimentalismo e novidade na forma como estes se aplicam e reciclam;
:: Selecção de vegetação autóctone para a caracterização do jardim, criando um sistema ecológico integrado na Paisagem da Região.

Conceito

A volumetria da casa resulta de um gesto em espiral cujo desenho tira partido da configuração do lote.
Optou-se pela construção de um limite, uma espécie de linha que ganha progressivamente corpo e espessura para alojar o programa de habitação.
Este gesto inicia-se com a rampa de acesso ao lote e culmina no lado oposto com a edificação alcançando dois pisos, reforçando-se também a partir do perfil da casa o gesto em espiral.
A estratégia de desenho adotada permitiu criar um espaço de estar a sul, abrigado dos fortes ventos da região, precipitando igualmente a construção sobre a paisagem a norte.

Programa

Do ponto de vista funcional, o programa distribui-se em três pisos. O piso 0 centraliza a maior parte do programa. Nele localizam-se as áreas sociais - cozinha, sala de estar e jantar - entendidos como um único espaço aberto e continuo, reforçado pelo plano da cobertura. Ainda neste piso localiza-se a zona dos quartos (de acesso mais restrito) - quarto de visitas e quartos das crianças onde uma sala comum destinada à brincadeira e ao estudo faz a mediação entre estes dois espaços.
No piso 1 localiza-se o quarto principal rematado a norte por uma profunda varanda que se precipita sobre a cidade de Torres Vedras, e a sul por um jardim que é pano de fundo da casa de banho. Ainda neste piso e aproveitando a inclinação da cobertura, localiza-se uma biblioteca / zona de trabalho que é mezanino sobre a sala de estar e jantar.
No piso -1 a piscina é o espaço central através do qual se promovem as relações de atravessamento entre o lado norte e sul, entre a vista e o jardim, reflectindo-se sobre o espelho de água a envolvente exterior.

Materialidade

Optou-se por um lado pelo uso de materiais e revestimentos tradicionais, como materiais cimentícios, reboco, madeira e cortiça, e por outro considerou-se o reuso das tábuas de madeira numa lógica distinta do seu uso convencional, introduzindo uma certa inovação e experimentação na procura de novas possibilidades de aplicação de materiais.

Vegetação: Plasticidade e Elasticidade

Define-se um pequeno bosque de Quercus faginea subssp.broteroi (Carvalho-português). A escolha dominante de vegetação autóctone para o jardim (arbórea, arbustiva e herbácea) permite respeitar as características edafoclimáticas do lugar, criando um sistema ecológico integrado na Paisagem da Região (Genius loci).
Na encosta do lado norte, formações subarbustivas e arbustivas – os matos, neste caso designados de Carrascais, aparecem num substrato calcário. Expostos ao vento, os carrascais amoitados têm como principais intervenientes o carrasco (Quercus coccifera) e a aroeira (Pistacia lentiscus) que se associam a diversas espécies tais como: o sanguinho das sebes (Rhamnus alaternus); o trovisco (Daphne gnidium); a estevinha (Cistus salvifolius); o tojo-gatunha (Ulex densus); a salsaparrilha-do-reino (Smilax aspera) e a madressilva-caprina (Lonicera etrusca). No lado sul abrigado, surge o Carvalho-português; os arbustos-arborescentes como o folhado (Viburnum tinus); o pilriteiro (Crataegus monogyna); o loureiro (Laurus nobilis) e no estrato herbáceo as folhas- de-Acanto (Acanthus mollis) e os lírios amarelos (Iris pseudacorus).

site: atelierdata.com

ver mais sobre o projecto:
archdaily.com
archdaily.com.br
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dezeen.com
homify.pt
inhabitat.com
noticiasarquitectura.info
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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

PROJECTAR #57

A 57.ª edição da actividade PROJECTAR marca o regresso da itinerância da exibição de documentários de arquitectura, em mais uma sessão dupla, propondo-nos conhecer a vida e obra de dois arquitectos espanhóis com ligações ao mar, Alberto Campo Baeza e César Portela, e terá lugar no Auditório da Biblioteca Municipal da Nazaré, já no próximo dia 21 de Setembro, pelas 19h00.



Ambos da série Elogio de la luz, com direcção de Juan M. Martín de Blas, o primeiro é dedicado à vida e obra do arquitecto Alberto Campo Baeza, e foi realizado por José Manuel Castillejo em 2003:

A Caja General de Granada, sua obra mais recente e as casas unifamiliares de Sancti Petri, Gaspar e De Blas dão-nos uma amostra do talento e sensibilidade de Campo Baeza, de Cádiz por adopção que soube moldar a luz do sul nas suas obras.



O segundo documentário sobre a vida e obra do arquitecto César Portela, foi realizado por Adolfo Dufour Andía em 2003:

As brumas da Galiza, o mar agitado da Costa da Morte, a luminosa Córdova, todos estes cenários são propícios para que a arquitectura de Portela revele o seu sentido mais humano e generoso.



Com estas sessões propõe-se esta Delegação da Ordem dos Arquitectos exibir documentários de Arquitectura, como forma de divulgar a vida e obra de arquitectos com importância na história e teoria da arquitectura, nacional e internacional, de várias épocas e movimentos, e assim contribuir para o enriquecimento da cultura arquitectónica na nossa região.

Estas sessões destinam-se, para além dos arquitectos da região, a outros técnicos e a todas as pessoas com curiosidade e interesse nestes temas, sendo de acesso livre mas limitadas à lotação do Auditório da Biblioteca Municipal da Nazaré, que está disponível para o efeito.

Apoio:
Município da Nazaré

PROGRAMA:

21 de Setembro, 19h00
Auditório da Biblioteca Municipal da Nazaré
ALBERTO CAMPO BAEZA
Luz e harmonía

(2003, José Manuel Castillejo, 25')
CÉSAR PORTELA
A arquitectura solidária

(2003, Adolfo Dufour Andía, 31')

ARQUITECTURA AO CENTRO #13



CENTRO ESCOLAR DE PAREDES
ALENQUER, ALENQUER

André Espinho
Bruno Mendes, Miguel Henriques, Marco Correia
André Espinho Arquitectura
2009

A nível arquitectónico, a obra caracteriza-se por um volume branco assente em quatro volumes negros destacando desta forma, numa linguagem plástica clara e simples, os dois pisos contingentes e os espaços de acção que reúnem. Com uma área de mais de 6000 metros quadrados, concebida para receber cerca de 610 crianças com idades entre os três e os nove, o desafio na concepção deste edifício não foi apenas a sua grande dimensão mas a interligação dos espaços e a orientação destes para o tipo de utilizadores a que se destina (crianças, educadores de infância e encarregados de educação). Como tal, foram feitas várias visitas a escolas e reuniões com educadores com o intuito de detectar as deficiências técnicas existentes e possíveis melhorias do ponto de vista do utilizador. Após esta análise cuidada daquilo que poderia ser melhorado no conceito de centro escolar foram propostas algumas soluções para as actuais exigências técnicas de construção e habitabilidade.
O edifício situa-se num ambiente rural em mutação, integrado numa pequena encosta formada por uma pendente coberta de vinhas, com uma abertura de excelente perspectiva panorâmica. Consequentemente, e como forma de ultrapassar a questão do declive acentuado do terreno, foi desenvolvido como solução a criação de três pátios cobertos que, de certa forma, organizam e modelam o espaço interior, permitindo que a circulação por estes desfrute de luz natural e mantenha um contacto permanente com o exterior. Além disto, estes pátios internos são excelentes espaços de lazer para acolher as crianças em todas as estações do ano, facilitando aos educadores a monitoria destas.
No piso de entrada situam-se as zonas administrativas e de recepção aos pais, sendo que no piso inferior se encontra o ginásio e a maior parte das salas de actividades, que têm um acesso directo ao recreio exterior e ao campo de jogos.
Contudo, e como indicado inicialmente, para além das considerações arquitectónicas associadas aos conceitos de brincadeira e vigilância, o que mais distingue esta obra é um conjunto de intervenções plásticas que os convidados ofereceram com a sua autoria ao Centro escolar de Paredes Alenquer.
De facto, imaginei a possibilidade de revestir por completo algumas das paredes da escola com criações plásticas fora de escala,“gigantes”, logo desde a concepção do espaço. Para tal, na própria fase de projecto foi seleccionado um material para revestimento que viabilizasse a impressão de imagens (fotografia, desenho ou pintura), sendo fulcral que este ficasse orçamentado logo de início na empreitada. Foram convidados alguns artistas plásticos a desenvolver intervenções plásticas e uma criança propositadamente para este Projecto.
Devido a motivações arquitectónicas era pertinente que estas intervenções fossem sentidas com maior incidência nas zonas de comunicação e lazer, pelo que os murais se localizam nos átrios de ligação dos pisos e nos recreios cobertos, junto aos corredores de acesso das salas de aula. O refeitório, sendo também um espaço de reunião e encontro de utentes, foi também alvo destas manifestações plásticas. A integração destes murais nos espaços de circulação e maior concentração de pessoas, assim como a transparência de alçados que permite a sua observação a partir de várias localizações, vieram enriquecer e imprimir um conjunto de emoções à arquitectura edificada. De facto esta torna-se não só mais completa e dinâmica, interagindo com os utentes não apenas a nível funcional mas também visual e intelectual, como também mais acolhedora e familiar o que, sendo os seus principais frequentadores crianças, é fundamental.

site: andrespinho.pt

ver mais sobre o projecto:
archdaily.com
archello.com
architizer.com
architonic.com
divisare.com
espacodearquitetura.com
plataformaarquitectura.cl
ultimasreportagens.com
worldarchitecturenews.com

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

ARQUITECTURA AO CENTRO #12



PONTE PEDONAL SOBRE A RIBEIRA DA CARPINTEIRA
COVILHÃ, COVILHÃ

João Luís Carrilho da Graça e AFAConsult, Lda. (António Adão da Fonseca e Carlos Quinaz, Engenheiros)
Pedro Abreu Pereira, João Rosado Baptista, Porfirio Pontes, Yutaka Shiki
Carrilho da Graça Arquitectos
2009

Da delicadeza

[Section XVI] On Delicacy - ”An air of robustness and strength is very prejudicial to beauty. An appearance of delicacy, and even of fragility, is almost essential to it.” Edmund Burke, Philosophical Enquiry into the Origins of Our Ideas of the Sublime and the Beautiful, 1757

O núcleo da cidade da Covilhã, no interior de Portugal, ocupa um promontório no sopé do extremo Sul da Serra da Estrela, dominando visualmente uma vasta e fértil paisagem de relativa planura — a Cova da Beira — que da Estrela se estende às serras da Gardunha e da Malcata. A particular topografia do território em que a cidade se inscreve não só determinou a forma e as estratégias do seu desenho urbano como, até há um passado relativamente recente, proporcionou os meios técnicos e económicos para o seu desenvolvimento. Com efeito, os cursos de água dos vales da Carpinteira e da Goldra (ou Degoldra), que respectivamente delimitam o promontório da cidade a Norte e a Sul, forneceram a força motriz para a industrialização da tradicional actividade de transformação de lanifícios, reconhecida desde pelo menos o século XVI e alimentada pela pastorícia dos rebanhos ovinos (e marginalmente caprinos) criados na Serra, mas também pela dos que demandavam os seus pastos de Verão.
Este fenómeno transumante abarcava um território que se estendia das terras do Douro, a Norte, ao Alentejo, a Sul, e se alargava a Leste até Castela, fazendo equivaler ao domínio visual sobre a paisagem imediata um domínio territorial mais vasto, significativamente resultante do movimento através dessa mesma extensão territorial. Reflectido na cidade, este período de desenvolvimento originou a sua expansão não só em direcção aos vales, com a ocupação industrial do talvegue, mas mais tarde também na direcção do festo Norte da Carpinteira, oposto ao da cidade, onde nas décadas de 30 e 40 do século XX se construiu o bairro operário dos Penedos Altos para alojar a mão-de-obra da então denominada “cidade-fábrica”. A expansão da cidade para lá dos vales veio acentuar a percepção da sua topografia, e o posterior declínio da indústria alimentada pelos cursos de água, com o consequente abandono do seu lugar e das suas infra-estruturas, voltou a remeter, com um efeito paroxístico, os vales da Goldra e da Carpinteira à condição de acidentes orográficos à volta dos quais a cidade entretanto crescera. Acidentes que agora se vê obrigada a contornar nos seus movimentos internos, que os deixaram de incluir, e que percepciona apenas como negativo, como “espaços entre”.
O projecto e construção (2003 – 2009) de uma ponte pedonal e ciclável sobre o vale da Carpinteira da autoria de João Luís Carrilho da Graça, com AFAconsult, no quadro de um pleonástico plano para “aplanar” a experiência do movimento na cidade através de ligações em altura (mecânicas) e de nível (pedonais/cicláveis) entre o centro e as áreas periféricas, veio inscrever nesta paisagem uma linha que determina e possibilita um novo movimento de atravessamento do vale. Por sobre as encostas graníticas abruptas da ribeira, onde persistem as fachadas vazadas das fábricas de lanifícios e os muros de granito de suporte das râmolas de Sol (estruturas para a secagem das lãs), a ponte desenha-se, curva e contracurva, entre a cota determinada pela plataforma da piscina municipal dos Penedos Altos e, 220 metros depois, a mesma cota na encosta oposta, 52 metros acima do curso de água.
A não perpendicularidade entre a linha imaginária que liga os pontos de amarração e a linha de eixo do vale proporcionou a oportunidade para o traçado do tabuleiro instalar, mais do que uma ruptura, um deslize do paradigma Euclidiano: na presença de obstáculos, a distância mais curta entre dois pontos pode passar a ser, segundo Galileu (ou, pelo menos, segundo a personagem Galileu na peça homónima de Brecht), uma linha curva. Uma linha curva em três tramos, que no seu troço médio se organiza normal às encostas e perpendicular ao eixo do vale e que, inflectindo em cada extremo, orienta os troços terminais em direcção aos pontos de amarração pré-determinados, desenhando uma serpentina, reminescente da linha da beleza de William Hogarth (The Analysis of Beauty. Written with a view of fixing the fluctuating Ideas of Taste, 1753), uma possível referência. Referência não despicienda até porque, com efeito, a secção XVI, sobre a delicadeza como atributo da beleza, de A Philosophical Enquiry into the Origins of Our Ideas of the Sublime and the Beautiful (1757) de Edmund Burke, citada acima, parece metaforizar com precisão como arquitectónica e estruturalmente a ponte se materializa e suporta: duas vigas paralelas de e revestidas a aço com 1,75 metros de altura delimitam os 4,40 metros de largura do tabuleiro estabelecendo a sua secção, apoiando-se em quatro pilares, os dois centrais igualmente revestidos em aço e com as mesma dimensões exteriores do tabuleiro, cravados junto ao leito da ribeira, e os dois restantes, circulares, menores porque cravados já nas encostas, em betão parcialmente revestidos por blocos de granito, formal e materialmente desvinculados da estrutura metálica — paradoxalmente presentes e simultaneamente quase invisíveis na leitura do vão. Uma aparência de delicadeza, de fragilidade até, que resulta essencial à sua beleza e singularidade.
No seu atravessamento, a armadura metálica exterior, espécie de exoesqueleto protector, cede a um interior — pavimento e guarda corpos — em madeira de azobé, amável e táctil, proporcionando uma experiência háptica simultânea à experiência visual complexificada pelo singular desenvolvimento do tabuleiro que, sequencialmente, remete o olhar para o maciço da serra, a crescente proximidade da encosta e a paisagem da planície que se abre no fim do vale, paisagem esta exposta ao olhar numa perspectiva até aí impossível. À noite, entre a escuridão do maciço da Serra e as luzes próximas das encostas e longínquas da paisagem agora sem horizonte, o guarda corpos emana a luz que permite o percurso sobre o tabuleiro, concentrando o olhar no seu interior.
Branca nos paramentos exteriores e negra nos intradorsos, a ponte da Carpinteira desenha um pórtico, quase abstracto, e à distância quase materialmente indefinível — espécie de impossibilidade ou miragem —, sobre a ribeira e sobre a paisagem, instalando um novo quadro de relações físicas e visuais, proporcionando, assim, um re-mapeamento do território. Re-mapeamento porque é, de facto, na experiência do movimento, ou melhor, na forma como proporciona a percepção da experiência do movimento na paisagem, e a percepção da própria paisagem, que a ponte revela o reconhecimento da especificidade deste território. Porque nos incita não apenas a atravessá-la, por necessidade (ou por desejo), onde antes o não poderíamos fazer, mas nos incita também a percorrer fisicamente, depois de o fazermos com o olhar, a paisagem que nos revela. Porque consegue fazer coexistir, em si mesma e na paisagem, dois espaços-tempo: o espaço Euclidiano, métrico e hierarquizado, definido por um plano de mobilidade, medido em distâncias e tempos de percurso, eminentemente funcional; e um espaço centrado na experiência do corpo como receptor dos estímulos háptico e visual, percorrido intensamente, a uma velocidade que é relativa (simultaneamente muito rápida ou bastante lenta, conforme a experiência desejada ou necessária ao corpo em movimento), eminentemente sensorial.

site: jlcg.pt

ver mais sobre o projecto:
archdaily.com
archdaily.com.br
archdaily.com.br (prémio AIT)
archello.com
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leonardofinotti.com
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ultimasreportagens.com

Ponte Pedonal . João Luís Carrilho da Graça from Vitor Gabriel on Vimeo.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

PROJECTAR NA NAZARÉ

Após a pausa de Agosto, retomamos a itinerância da actividade PROJECTAR, para mais um sessão, desta vez na Nazaré, no próximo dia 21 de Setembro pelas 19h00, no Auditório da Biblioteca Municipal, com a exibição de documentários sobre arquitectura a divulgar em breve.




Mais informações em breve.

sábado, 26 de agosto de 2017

ARQUITECTURA AO CENTRO #11



CASA EM LEIRIA
LEIRIA, POUSOS

Manuel Aires Mateus
com Maria Rebelo Pinto
e Humberto Fonseca, Luísa Sol, Tiago Santos
Aires Mateus
2010

Um lugar na periferia de Leiria, num ponto elevado em relação à rua e aberto sobre a vista da cidade.
O programa é banal: uma casa dividida em zona íntima de quartos e zona social como área de salas.
As áreas íntimas são organizadas à cota da rua, sob o terreno, em redor de um pátio central com os espaços abertos a pátios privativos. Os espaços das salas dispõem-se em torno de um vazio, que recebe luz de cima e avista de longe o castelo no centro da cidade.
A casa desenha-se com um arquétipo reconhecível rasgado verticalmente pela luz, desenhada por um pátio com três alturas que se abre horizontalmente na cota do jardim. Os pátios dos quartos, abertos ao jardim, relacionam-se de forma variável com este volume arquetípico introduzindo leituras diferentes da sua extensão.
Controla-se volume e escala num entorno desorganizado, com uma imagem clara que desde o seu interior se relaciona com o elemento patrimonial, ao longe, o castelo de Leiria.

site: airesmateus.com

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domingo, 20 de agosto de 2017

ARQUITECTURA AO CENTRO #10



CASA PR
POMBAL, QUINTA DA GRAMELA

Pedro Santos e Rita Cordeiro
P&R Arquitectos
2005

No limite das planícies do rio Arunca, e vincado por um talude coroado por uma rua privada da Quinta, o terreno é fortemente caracterizado pelos diferentes níveis de cota pontuados por árvores aleatórias.
A exigência dos clientes era única e objectiva, também pouco flexível, ambos defendiam saberes e experiências vivenciais diferentes, e tudo isso era reflexo de um só projecto. A receita estava em cruzar a informação conseguida pela análise individual de cada um e transforma-la em conceito levado até as ultimas consequências sem o desvirtualizar.
A solução de adequar o projecto ás duas cotas distintas, resolveu a volumetria e parte do programa. Paralelamente houve o cuidado de conduzir a luz a todas as zonas da habitação de uma forma simples e directa sem se sobrepor à envolvente. O piso térreo assume-se como um largo muro de suporte em pedra, que alberga todo o programa de serviços domésticos e garagem. O piso íntimo descansa sobre o dito muro, projectando-se sobre a sala de estar limitada a panos de vidro, fragilizado pelo deslocamento do pilar no limite da viga. O volume de betão esconde os vãos e valoriza a privacidade, como se retirassemos fatias de um bolo privilegiando o núcleo.
A luz atravessa os volumes em todas as direcções e nos vários sentidos.

O homem pode viver a arquitectura como a pensa,
Mas vive na arquitectura como se sente bem.

A arquitectura não é só para os outros,
Mas é mais arquitectura quando é para nós.

A arquitectura complica-se quando somos os próprios clientes.

A arquitectura tem os clientes mais inesperados, mas existe sempre solução.

site: www.pedrosantosarq.com

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Dossier especial ultimasreportagens.com
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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

ARQUITECTURA AO CENTRO #09



CLUBE NÁUTICO DE ALDEIA DO MATO
ABRANTES, ALDEIA DO MATO

Fátima Fernandes e Michele Cannatà
Cannatà e Fernandes
2004

O projecto do Clube Náutico da Aldeia do Mato em Abrantes, é uma consequência de um processo de construção de dois protótipos com características de auto-suficiência energética.
Este módulo destina-se por excelência a ser instalado em lugares que não permitem alterações profundas em termos construtivos e ambientais, por exemplo nos parques naturais, onde a construção é contrária ao princípio do parque, em praças já realizadas, em praias, praticamente em zonas onde não é possível por vários motivos ter acesso a infra estruturas.
Cada módulo tem como base as dimensões de 3,00 largura por 9,00 cumprimento, com uma área de 27 m2. Esta estrutura pretende ser previamente elaborada não oferecendo qualquer trabalho no sítio onde vai ser instalada, devendo ser transportada por um camião ou helicóptero.
Cada módulo ou contentor além de dar resposta a novas formas de apropriação do espaço, pretende ser aberto à utilização de novos materiais ou tecnologias possibilitando maior controlo energético e utilizando as características de resistência e leveza que possam oferecer outros materiais.

site: cannatafernandes.com

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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

ARQUITECTURA AO CENTRO #08



CASA EM LEIRIA
LEIRIA, POUSOS

José Mateus e Nuno Mateus
Sofia Raposo, Bruno Gonçalves, Pedro Jesus
ARX Portugal Arquitectos
2011

A casa localiza-se numa “típica” urbanização da periferia, na Freguesia de Pousos. Situada num ponto alto, configura uma espécie de miradouro, com uma vista panorâmica sobre Leiria.
De forma a garantir um maior desafogo e acesso à vista panorâmica, os proprietários da casa compraram os 3 lotes na linha da frente, sobre a “falésia”.
Embora cada lote permitisse a construção de uma cave mais dois pisos em altura, abriu-se com este agrupamento a possibilidade de construir uma casa mais baixa, que “abraçasse” porções de jardim.
Quando visitámos o local pela primeira vez, já estavam prontos os arruamentos envolventes ao lote. Devido aos desaterros executados para construir as ruas, o terreno erguia-se subitamente a partir do limite do passeio, como uma sugestiva construção de carácter topográfico. Na envolvente, as moradias dos vizinhos estavam construídas formando um “L” em redor do terreno.
A concepção da casa surge directamente a partir da forma como observámos essa realidade. Tratando-se de uma casa de grande escala para os padrões locais, optámos por dividir o volume da construção em duas partes:
- Uma – construção enterrada – como um negativo no terreno e assumida como dele fazendo parte.
- Outra – construção pousada – volume longo e achatado, de betão branco aparente.
No volume inferior estão integradas as áreas técnicas, de apoio ou de utilização mais ocasional. No volume superior, as áreas sociais agrupam-se em torno do pátio principal e os quartos de um segundo pátio privado.
A principal particularidade desta casa está na dialéctica entre a metade subterrânea “natural“ da casa, a metade superior, elevada e “artificial”, entre a face introvertida, intimista, de penumbra ou de luz reflectida, e a sua face aberta, permeável e luminosa, onde se torna possível o olhar para o horizonte longínquo.
Quisemos entender a vida e o temperamento de quem nos procurou para desenhar uma casa, e tentar conferir um novo significado ao seu dia-a-dia.

site: arx.pt

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segunda-feira, 31 de julho de 2017

ARQUITECTURA AO CENTRO #07



CASA SERRA DE TOMAR
TOMAR, SERRA

Joel Esperança e Ruben Vaz
Romeu Sousa (designer)
Frederico Louçano, Margarida Carrilho, Hugo Rainho
Contaminar Arquitectos
2013

Entre a paisagem da serra, descobre-se a Casa Serra de Tomar, realizada por Contaminar Arquitectos. Desta encosta é possível contemplar a barragem de Castelo de Bode e toda a magnífica paisagem envolvente. Uma imensa paisagem marcada pelos tons de terra e do pinhal.
É uma habitação de férias idealizada para dois irmãos. Parece nascer do terreno, fundir-se com ele, através da paleta cromática escolhida, onde foram trabalhados os mesmos tons. O alçado Norte, mais discreto, está semi-enterrado. Os outros alçados, não estão enterrados mas acompanham a morfologia do terreno. A Sul e Oeste, a habitação abre-se sobre a paisagem. Um sistema de portadas permite controlar essa abertura, contemplando a envolvente ou fechando-se a ela. Construídas em chapa metálica - o mesmo material que reveste as paredes onde se abrem os vãos - quando estão fechadas dão à casa a aparência de um maciço negro, impenetrável.
A porta de entrada, elemento discreto e diluído na fachada Norte, é revestida a grés, o mesmo material utilizado no exterior da habitação, tornando-a difícil de identificar.
O espaço interior organiza-se em duas alas, para cada um dos núcleos familiares, em torno de um espaço central comum às duas famílias. É a partir deste espaço de características mais sociais - onde se encontra a entrada, a cozinha e a sala - que a habitação se desenvolve, em forma de S estilizado. A sala e a cozinha são um espaço só, que marca a reunião familiar. A cozinha é “arrumada” nas paredes e a única peça que se destaca é a grande bancada e mesa de jantar, ao centro.
Aqui, é possível contemplar toda a envolvente verde, através de um grande vão na parede. O alpendre, em frente, possibilita também o prolongamento do espaço interior da sala para o exterior, sem perder a privacidade, desfrutando o sossego e o sol das longas tardes de Verão.
Este espaço comum tem um percurso linear a Norte que permite aceder às zonas mais íntimas da casa. Para o lado Este, mais próximo da cozinha, uma pequena rampa direciona para dois dos quartos e uma instalação sanitária. Para o lado Oeste, mais próximo da sala, desenvolve-se um programa idêntico para a família do outro irmão.
(Traduzido por Victor Delaqua / archdaily.com.br)

site: contaminar.pt

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quinta-feira, 27 de julho de 2017

HÁ DEZ ANOS - LANÇAMENTO DO PAPELPAREDE 02º TRIENAL DE ARQUITECTURA DE LISBOA


No dia 27 de Julho de 2007, o Núcleo do Médio Tejo foi responsável pela organização da conferência com os premiados no Concurso Internacional para a Dinamização do Rio nas Margens do Médio Tejo, integrada no programa da Trienal de Arquitectura de Lisboa – Vazios Urbanos, e a que assistiram cerca de meia centena de pessoas.
(Clique na imagem para ver mais)

Após esta, foi apresentado o número 02º da publicação periódica PAPELPAREDE, dedicado ao tema Vazios Rurais em jeito de desafio / provocação ao tema da Trienal, e cujo lançamento incluiu a exibição do filme “A Forma do Tempo” realizado por João Jerónimo no âmbito de um workshop de Vídeo promovido pelo Espalhafitas (Secção de Cinema Palha de Abrantes) em 2007.