quinta-feira, 23 de novembro de 2017

PROJECTAR EM PROENÇA-A-NOVA

Proença-a-Nova recebe a última etapa da itinerância da actividade PROJECTAR deste ano, no próximo dia 14 de Dezembro, para a sexagésima sessão, que nos levará das origens da arquitectura funerária com a pirâmide de Djoser, em Saqqara, no Egipto, até ao muito recente cemitério de Igualada, em Espanha, que faz uma reinterpretação do tema com a integração na paisagem, e que decorrerá pelas 19h00 no Auditório Municipal.



Mais informações em breve.

ARQUITECTURA AO CENTRO #29



CASA PÓ
BOMBARRAL, PÓ

Ricardo Silva Carvalho
Ricardo Silva Carvalho Arquitectos
2013

Localizada na Costa Oeste de Portugal numa zona agrícola relativamente próxima ao mar, surge esta nova habitação, numa aldeia de características bastante heterogéneas.
Com o intuito de aproveitar ao máximo o sol e minimizar os constrangimentos da envolvente, a implantação distancia-se dos seus limites, tendo, no entanto, relações com as construções contíguas, de modo a potencializar-se e não entrar em rotura com o existente, contribuído deste modo para um melhor desenho da morfologia urbana.
A intenção foi conceber um espaço simples, claro e interactivo do ponto de vista funcional e na relação com os seus usuários, reflectindo apenas o essencial, com as particularidades e necessidades projectais inerentes enquanto espaço, com utilizações e funções específicas para desempenhar todos os requisitos que lhe estão propostos, criando adequadas condições de funcionamento, conforto e ambiente.
Nesse sentido, o desenho da organização espacial da planta rectangular, serviu como princípio para o projecto, partindo da ideia de criar circulações de “luz” em volta de todos os espaços.
Assumindo-se todos os espaços como acessíveis a partir do logradouro que envolve a habitação e com entrada principal através de um pátio coberto, resultante da união das duas águas da cobertura em forma de “borboleta”, delimitado por um recorte em forma de elipse, para assim deixar transparecer a única luz existente/incidente de sul.
Adentrando a habitação, esta caracteriza-se por uma sucessão de espaços que aparecem misteriosamente entre volumes que nunca tocam os seus limites e que se deixam desvendar através da continuidade do tecto que vai aumentando de escala com a nobreza dos espaços de convivência humana, até aos quartos que se dividem em altura e deixam revelar um pequeno mezanino que olha sobranceiro para todos os espaços da casa.
Na área de entrada e com uma utilização mais frequente existe uma zona de refeições apoiada por um balcão de preparação e confecção existente num armário técnico que se abre nas laterais e que dum lado contem uma instalação sanitária social e do outro um arrumo técnico que divide esta zona da zona de estar.
A área de estar que se prolonga para o exterior através de grandes panos de vidro que desde a entrada nos vão iluminando e ampliando a relação da casa com o exterior, é delimitada por um segundo armário que lhe faz frente e oculta a zona mais privada da habitação, os quartos.
Este segundo armário contém, de um lado, uma instalação sanitária de apoio às áreas dos dormitórios, e do outro, uma escada onde se pode aceder ao mezanino por cima dos quartos com um pé direito mais baixo.
Do outro lado do pátio da entrada existe um estacionamento e uma cobertura de apoio às áreas externas.

site: linkedin.com/in/ricardo-silva-carvalho

ver mais sobre o projecto:
archdaily.com
archdaily.com.br
architizer.com
disenoyarquitectura.net
homedsgn.com
inhabitat.com
metalocus.es
neo-arquitectura.com
plataformaarquitectura.cl
ultimasreportagens.com

domingo, 19 de novembro de 2017

ARQUITECTURA AO CENTRO #28



ESCRITÓRIOS EDP
LEIRIA, LEIRIA

Regino Cruz
Célide Cruz, Filipe Balestra, Sara Göransson, Rafael Balestra, Hugo Ricardo, Ruben Mateus e Luís Pestana
Regino Cruz Arquitectos
2015

Decorria o ano de 2008 e o nosso cliente era a EDP, a maior empresa de energia de Portugal.
O primeiro desafio passava por conceber um projecto para o terreno difícil que tínhamos em mãos: um declive com uma envolvente industrial e um modesto bosque.
O progresso da nossa ideia levou a um conceito que valorizasse a área, no entanto, com a crise económica europeia, a situação financeira estagnou, e Portugal tornou-se um dos 5 países europeus mais afectados.
Volvidos 3 anos (já no final de 2011) surge outro desafio: o nosso orçamento de construção foi cortado para um terço do que tinha sido definido anteriormente e assim, o projecto teria de ser reduzido.
Em colaboração com os concept designers da Urban Nouveau, encontramos uma solução viável para corresponder às novas condicionantes financeiras que nos foram impostas. Refizemos o projecto, diminuímos o edifício e recolocamo-lo numa zona menos central do site, junto ao bosque. A simplificação da ideia consistiu em transformar a paisagem de carácter industrial numa mais agradável. Para isso o nosso projecto reage como uma ponte entre estes dois elementos:
Natureza – indústria, árvores – asfalto, feminino – masculino.
Então, inspirados pelo Metabolismo Japonês e pela obra de Kenzo Tange – o mestre que, através da arquitectura, deu uma importante lição sobre esperança na mentalidade do Pós-2ª Guerra Mundial – celebramos a relação simbiótica entre a Energia Natural e o Homem.
Com uma planta rectangular, o edifício faz referência a uma centopeia e o seu programa permite que ambas as suas funções operem de maneira independente.
Por um lado, temos a sede administrativa da EDP em Leiria. A entrada principal é pelo lado Leste que nos leva a um corredor e um hall. O corredor faz-nos chegar aos escritórios open space, permitindo ao staff encarar ambas as paisagens, a Leste e a Oeste do seu espaço de trabalho. Pelo recanto a Sudoeste temos uma escada que liga o edifício directamente ao bosque para um almoço piquenique, um pequeno passeio para arejar as ideias ou uma conversa telefónica mais privada. Através do hall podemos ver um túnel e uma escada em espiral. O primeiro consiste numa forma neutra que nos direcciona a uma contrastante caixa de vidro concebida para brainstorming e reuniões. Sendo um corpo independente, tem uma vibe serena e faz da camuflagem do bosque a sua privacidade. A escada em espiral leva-nos ao piso térreo onde podemos encontrar vestiários num extremo, e no outro uma zona de descanso com uma copa para o staff. Pela porta saímos em direcção ao parking através das pernas na centopeia.
Por outro lado, temos a Clínica EDP Sãvida. Desde a fase inicial que o cliente mostrou vontade em ter no mesmo edifício um espaço com a vertente de saúde para o staff e as suas famílias que funcionasse independentemente. O acesso à clínica é feito por uma ponte a Noroeste. Usufruindo da luz natural, a linguagem clean do interior é mantida desde a recepção e sala de espera até aos consultórios médicos, preservando a forte ligação ao arvoredo.

site: reginocruz.com

ver mais sobre o projecto:
archdaily.com
archdaily.com.br
architizer.com
architonic.com
designboom.com
dezeen.com
plataformaarquitectura.cl
ultimasreportagens.com

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

ARQUITECTURA AO CENTRO #27



MERCADO MUNICIPAL
ABRANTES, ABRANTES

José Mateus e Nuno Mateus
Ricardo Guerreiro, Fábio Cortês, Ana Fontes, Bruno Martins, Filipe Cardoso, João Dantas, Marc Anguill, Sofia Raposo, Miguel Torres
ARX Portugal Arquitectos
2015

O Mercado Municipal de Abrantes localiza-se na transição para o centro histórico, no espaço das antigas oficinas da Rodoviária do Tejo, cujo avançado estado de ruína recomendou a sua total demolição. Trata-se de um lote urbano situado entre duas ruas a cotas diferentes: em baixo (a poente) o Largo do Tribunal, e em cima a nascente, a rua Nossa Senhora da Conceição. É um lote extraordinariamente estreito para o programa em causa, que marca decisivamente o projecto desenhado.
Programaticamente sugeria-se a importância de proceder à ligação dessas ruas, criando um caminho ascendente em direcção ao Museu Ibérico de Arqueologia e Arte, que se pretende construir no Convento de S. Domingos implantado na cota mais alta da cidade. Adicionalmente, uma leitura do local revelou a importância de reflectir sobre o impacto deste novo edifício no seio do casario envolvente, heterogéneo na qualidade arquitectónica e nos tempos de construção, mas também de escala consideravelmente menor, quando observado a partir de poente.
Do ponto de vista tipológico, um mercado é um edifício onde a ideia de espaço público é levada ao extremo. No limite, como ainda acontece em diversas civilizações, o mercado acontece na própria rua onde os comerciantes vendem a quem passa os seus produtos em bancas e coberturas improvisadas, numa diluição ou coincidência total do espaço ‘mercado’ no espaço urbano.
O novo Mercado de Abrantes é simultaneamente edifício e rua. Através dele passa-se de uma rua para outra, seja de forma directa através da escada que se abre no limite norte, ou deambulando entre bancas e a escada em espiral situada no limite sul. No fundo, trata-se fundamentalmente de uma rua conformada e coberta por uma casca de concreto aparente pintada a branco.
No coroamento do edifício dois volumes captam a luz solar que flui para aos pisos inferiores através de aberturas nas lajes dos vários andares, iluminando suavemente os espaços, sublinhando a textura do concreto e marcando a cadência temporal dos dias.

site: arx.pt

ver mais sobre o projecto:
archdaily.com
archdaily.com.br
archello.com
archilovers.com
architizer.com
architizer.com
arqa.com
dezeen.com
divisare.com
divisare.com
espacodearquitetura.com
espacodearquitetura.com
metalocus.es
plataformaarquitectura.cl
ultimasreportagens.com
worldarchitecturenews.com


sábado, 11 de novembro de 2017

PROJECTAR COM RAFAEL MONEO




A abrir a próxima sessão dupla da actividade PROJECTAR teremos um documentário sobre Álvaro Siza, pela quarta vez nestas sessões e cuja biografia pode ser consultada aqui, seguindo-se um sobre o arquitecto espanhol Rafael Moneo, que terá lugar no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Ferreira do Zêzere no dia 16 de Dezembro, pelas 19h00.

RAFAEL MONEO (1937- )

José Rafael Moneo Vallés nasceu em Tudela, Navarra, em 9 de Maio de 1937. A sua mãe, Teresa, era filha de um magistrado de Aragão, e o seu pai, Rafael, cuja família tinha raízes em Tudela, era engenheiro industrial. Tem uma irmã, Teresa, que estudou filosofia e literatura e um irmão mais novo, Mariano, que estudou engenharia. Depois de uma primeira atracção pela filosofia e pela pintura, Rafael inclinou-se para a arquitectura influenciado pelo interesse do seu pai na matéria.

Em 1954 deixou a família, com algum sacrifício, para ir estudar para Madrid, na Escola Técnica Superior de Arquitectura, onde concluiu o curso de arquitectura em 1961, do qual destaca a influência do professor de história da arquitectura Leopoldo Torres Balbás. Durante os seus estudos, colaborou em vários projectos com o arquitecto Francisco Javier Sáenz de Oiza.

Recém formado, partiu para Hellebaeck, na Dinamarca, para trabalhar com Jørn Utzon, que estava nessa altura a trabalhar no projecto da Ópera de Sydney, Australia. Antes de regressar a Espanha em 1962, viajou pelos países escandinavos onde teve a afortunada oportunidade de ser recebido por Alvar Aalto em Helsinquia.

Uma vez em Madrid, ganhou uma bolsa de estudos na Academia Espanhola em Roma, para aí passar dois anos, que conseguiu conciliar com a sua lua-de-mel com Belén Feduchi, filha do arquitecto Luis Feduchi. Este período foi de fundamental importância na carreira de Moneo, pelo impacto que a cidade de Roma teve na sua educação como arquitecto e pela oportunidade de contacto com importantes arquitectos italianos como Paolo Portoghesi, Bruno Zevi e Manfredo Tafuri.

Quando regressaram a Madrid em 1965 instalaram-se numa casa-estúdio no bairro de El Viso, onde tiveram a sua primeira filha, Belén. Nesse ano obteve a sua primeira encomenda importante, a construção da Fábrica Diestre em Saragoça. No ano seguinte começou a leccionar (e até 1970) como professor adjunto na Escola de Arquitectura da Universidade de Madrid, e a publicar artigos sobre arquitectura.

Em 1968, recebeu a sua segunda encomenda importante, o Projecto Urumea (1969-1973), um edifício de apartamentos em San Sebastián. Foi o ano em que teve também a sua segunda filha, Teresa. A sua terceira filha, Clara Matilde, viria a nascer em 1975. Foi ainda nesta altura que, com um grupo de arquitectos, fundou a revista Arquitectura Bis onde publicou muitos dos seus textos.

Leccionou na Escola Técnica Superior de Arquitectura de Barcelona a cadeira de Elementos de Composição de 1971 a 1980, voltando nesse ano a dar aulas em Madrid a cadeira de Composição, cargo que ocupou até 1985. Nesta altura recebe a encomenda para projectar um importante edifício a construir em Madrid, a ampliação da sede do Bankinter (1973-1976) em colaboração com o arquitecto Ramón Bescós, no Paseo de la Castellana, logo seguida do projecto para os Paços do Concelho de Logronho (1973-1981).

Em 1976 foi convidado como professor visitante por um ano no Institute for Architecture and Urban Studies e na Cooper Union School of Architecture, ambas em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Nos anos seguintes deu aulas também em Princeton e Harvard e no departamento de Arquitectura da Escola Politécnica Federal de Lausana (Suiça).

O princípios dos anos 80 ficam marcados por dois projectos em particular, o do Museu de Arte Romana (1980-1986), em Mérida, pelo qual recebeu o Prémio da I Bienal Espanhola de Arquitectura e Urbanismo, e o da sede da Previsión Española (1982-1987), em Sevilha.

Em 1984 foi nomeado director do departamento de arquitectura da Harvard University Graduate School of Design, cargo que ocupou até 1990, período em que se mudou com a família para Cambridge. Durante este período viajou regularmente para Espanha, para desenvolver o projecto para a Estação de Comboios de Atocha (1985-88), em Madrid, que ganhou em concurso.

Embora desejasse prolongar a sua permanência em Harvard, Rafael Moneo voltou para Madrid para dar resposta à quantidade de projectos que surgiram para a celebração de Espanha'92, sendo eles: o novo terminal do Aeroporto San Pablo (1989-92), em Sevilha; a remodelação do Palácio Villahermosa para abrigar a colecção de arte Thyssen-Bornemisza (1992), em Madrid; e o edifício L'illa Diagonal (1986-93) em colaboração com o arquitecto Manuel de Solà-Morales, em Barcelona.

Reinstalado em Madrid, Rafael Moneo transferiu o seu escritório da sua casa para um edifício próximo, para melhor poder desenvolver todos aqueles projectos, a que se juntaram a Sala de Concertos e Centro Cultural Kursaal (1990-99), em San Sebastián, e o Museu de Arte Moderna e Centro de Arquitectura e Design da Suécia (1991-98) em Estocolmo, ambos resultantes de concursos que venceu. Destaque ainda para a Fundação Pilar y Joan Miró (1987-1992), em Palma de Mallorca.

Seguem-se os projectos para os Paços do Concelho de Múrcia (1991-98), as Adegas Julián Chivite (1991-2002), em Estella, o refeitório do Mosteiro de Santa Maria de Guadalupe (1991-94), em Barcelona, o Edifício Audrey Jones Beck, Museu de Arte em Houston (1992-2000), o Centro Cultural Don Benito (1995-1998) em Badajoz, ou a Catedral de Nossa Senhora de Los Angeles (1996-2002), na Califórnia, E.U.A., ou ainda a Biblioteca da Universidade de Aremberg (1997-2002) em Lovaina, Bélgica.

Nos anos mais recentes destacam-se o Museu da Ciência em Valladolid (2001-2003) em colaboração com Enrique de Teresa, a ampliação do Museu do Prado (2001-2007), em Madrid, a Igreja de Iesu (2001-2011), em San Sebastián, a reabilitação e Museu do Teatro Romano de Cartagena (2008), a Nova Biblioteca da Universidade de Deusto (2009), em Bilbao, a Torre Puig (2010-2013) em Hospitalet de Llobregat, Barcelona, ou o Museu da Universidade de Navarra (2015), em Pamplona.

Entre os vários prémios com que foi agraciado, destacam-se o Prémio Pritzker e a Medalha de Ouro da União Internacional de Arquitectos (ambos em 1996), o Prêmio de Arquitectura Contemporânea Mies van der Rohe em 2001, a Medalha de Ouro do Royal Institute of British Architects (RIBA) em 2003, a Medalha de Ouro da Arquitectura do Consejo Superior de los Colegios de Arquitectos de España (CSCAE) em 2006, o Prémio Príncipe de Astúrias das Artes em 2012, o Prémio Nacional de Arquitectura de Espanha em 2015 e, este ano (2017), o Praemium Imperiale atribuído pela família imperial japonesa em nome da Associação de Artes do Japão.

Rafael Moneo é membro da American Academy of Arts and Sciences e da Accademia di San Luca di Roma. É Membro Honorário do American Institute of Architects e do Royal Institute of British Architects.

O seu trabalho tem sido exposto em várias cidade do mundo, como Chicago, Lugano, Madrid, Viena, Basileia, Estocolmo ou Helsíquia. A exposição retrospectiva intitulada Uma reflexão teórica a partir da profissão. Materiais de arquivo (1961-2013) organizada pela Fundação Barrié, esteve em Vigo em 2013-2014, passou por Lisboa no Centro Cultural de Belém em 2014, e esteve depois na Cidade do México, Hong Kong e Madrid.

Para além dos textos publicados nas revistas Oppositions, Lotus, e Arquitectura Bis, reunidos posteriormente em colectâneas, publicou também Inquietação Teórica e Estratégia Projectual, importante obra no campo do projecto arquitectónico no qual faz uma compilação de algumas das suas principais aulas em Harvard.


Museu de Arte Romana, Mérida


Informações sobre os documentários aqui.
Mapa de localização do local onde decorrerá a sessão aqui.

Apoio:
Município de Ferreira do Zêzere

PROGRAMA:

16 de Novembro, 19h00
Salão Nobre dos Paços do Concelho de Ferreira do Zêzere
ÁLVARO SIZA
Ordem no caos

(2003, Adolfo Dufour Andía, 30')
RAFAEL MONEO
Coragem e convicção

(2003, José Manuel Castillejo, 33')

ARQUITECTURA AO CENTRO #26



CASA EM ALCOBAÇA
ALCOBAÇA, ALCOBAÇA

Manuel Aires Mateus e Francisco Aires Mateus
com Catarina Bello
Aires Mateus
2011

A casa que se desenha no centro histórico de Alcobaça é registo de vários tempos: Um pequeno edifício reconstruído para perpetuar a escala vernacular mais recorrente, e um muro criteriosamente desenhado para albergar uma serena extensão.
No edifício antigo trabalha-se um vazio a partir da espessura modelada das suas paredes periféricas. Liberta-se uma coluna de vazio que recebendo luz por um lanternim a oferece a uma nova atmosfera protegida e privada. Os compartimentos surgem como adições interiores, relacionando-se com o exterior através de aberturas reinterpretadas nas fachadas, mas defindo e criando um espaço interior inesperado.
A ampliação da casa surge como a ocupação de uma diferença de cotas, entre o nível de chegada da rua, e um jardim que se gera e se relaciona com o rio Baça. O perímetro do novo muro define pátios que mediam a escala do gesto contemplativo com o exterior. As zonas sociais, sem obstáculos, funcionam como um contínuo espacial que se estende e difunde entre os dois tempos do desenho.

site: airesmateus.com

ver mais sobre o projecto:
archdaily.com
archdaily.com.br
archello.com
architizer.com
dezeen.com
metalocus.es
plataformaarquitectura.cl
ultimasreportagens.com

terça-feira, 7 de novembro de 2017

ARQUITECTURA AO CENTRO #25



CASA DA MATA
ÓBIDOS, VAU

João Perloiro, João Luís Ferreira, Paulo Perloiro, Paulo Martins Barata, Pedro Appleton
Promontório Arquitectos
2007

Situada na freguesia do Vau, concelho de Óbidos, a habitação unifamiliar do Bom-Sucesso resulta da encomenda de um projecto feito em 1997, mas que só se veio a concluir em 2006.
Servida por eficientes acessos a Lisboa, e ao centro do País, a denominada zona Oeste, e muito particularmente a área em redor da Lagoa de Óbidos, tem sido eleita como destino privilegiado de fim-de-semana.
Se o programa se mostra um paradigma relativamente comum - com as tradicionais áreas sociais generosas, quartos para família alargada, piscina e anexo - já o lugar eleito para o edificar mostra-se invulgar.
Um lugar criteriosamente escolhido, retirado sobre uma natureza peculiar, isolado e enquadrado pela relação com a paisagem. Destacam-se a vista sobre o lugar do Sobral da Lagoa na vertente de uma colina, a mutante e surpreendente cor dos campos retalhados pela agricultura artesanal, e uma mata densa, alta e diversa.
Nesse promontório sobre a reserva agrícola nacional, a topografia preparou uma plataforma onde se veio a estabelecer a construção.
Na aproximação, avista-se primeiro, de cima, mais do que um edifício, um sistema. Um conjunto de módulos iguais forma um rectângulo. Os módulos, constituídos de pilares e vigas assemblados, criam uma matriz sobre a qual se declinam variações recorrentes sobre um tema classizante: um paramento cego; um vão; um vazio; uma pérgola.
O sistema tectónico expresso no carácter constitutivo dos elementos adquire uma solidez redobrada através da identidade material do betão, do ferro, da madeira ou do reboco cru, sem acabamentos, como que na expectativa de ser invadido pela própria natureza.
A casa produz uma fronteira entre os universos públio e privado. À zona de entrada corresponde um espaço de acolhimento confinado. Mas é trespassando a casa através da entrada que se acede à varanda, formalmente como uma loggia, sobre a vista a nascente e sul e o amplo relvado sobre a mata.
As pérgolas de madeira que preenchem alguns módulos da cobertura exploram a expressividade da luz solar na sombra própria e projectada sobre as paredes brancas, desenhando ao longo do dia e do ano, versões aparentemente distintas do mesmo que contêm.
A casa no Bom-Sucesso procura, no enquadramento rústico, reconhecer-se nos sinais de uma geometria exaustivamente procurada no ordenamento das pequenas parcelas de território agrícola. Na convivência coma natureza, com a paisagem do tempo em ciclos de expressão estival.

site: promontorio.net

ver mais sobre o projecto:
promontorio.net
ultimasreportagens.com

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

ARQUITECTURA AO CENTRO #24



CASA SOBRE ARMAZÉM
TORRES NOVAS, CHÍCHARO

Miguel Marcelino
Miguel Marcelino Arq lda
2012

O programa consistia em construir uma casa com três quartos em cima de um armazém, construído nos anos 80, onde parte da cobertura ficou com uma laje e uma pequena varanda, justamente com essa ideia de mais tarde construir a habitação.
Tendo em conta as condicionantes resultantes do armazém existente, a forma da casa acaba por estar automaticamente definida à partida: uma caixa que assenta na estrutura existente. Os quartos são colocados a nascente, as casas-de-banho viram-se a poente, bem como a cozinha que olha para uma oliveira centenária e uns choupos de grandes dimensões. A varanda existente será mantida e duplicada como pala. No lado sul fica a sala cuja esquina sul/nascente é cortada na diagonal, de modo a que a varanda possa alargar e oferecer uma área de estar exterior protegida do sol e da chuva, com vista sobre o vale que se prolonga no horizonte.

site: marcelino.pt

ver mais sobre o projecto:
archdaily.com
archdaily.com.br
archello.com
archilovers.com
architizer.com
arqa.com
dezeen.com
designboom.com
habitarportugal.org
homify.pt
joaomorgado.com
plataformaarquitectura.cl

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

PROJECTAR #59


A 59.ª edição da actividade PROJECTAR volta a fazer uma etapa da sua itinerância em Ferreira do Zêzere, em mais uma sessão dupla, propondo-nos conhecer a vida e obra de Álvaro Siza e Rafael Moneo, a propósito do recém atribuído Praemium Imperiale a este último e que o arquitecto português também já recebeu em 1998, e terá lugar no Salão Nobre dos Paços do Concelho, já no próximo dia 16 de Novembro, pelas 19h00.



Ambos da série Elogio de la luz, com direcção de Juan M. Martín de Blas, o primeiro é dedicado à vida e obra do arquitecto Álvaro Siza, e foi realizado por Adolfo Dufour Andía em 2003:

O mestre português, prémio Pritzker 1992, mostra-nos uma parte importante da sua variada obra. Igrejas, estações, museus, restaurantes ou piscinas, qualquer espaço serve ao talento de Siza.



O segundo documentário sobre a vida e obra do arquitecto Rafael Moneo, foi realizado por José Manuel Castillejo em 2003:

O Museu de Arte Romana de Mérida, El Kursaal de S. Sebastián e outras obras importantes são apresentadas hoje por RAFAEL MONEO, o único prémio PRITZKER de Arquitectura nascido em Espanha e mestre de várias gerações de arquitectos nacionais e internacionais.



Com estas sessões propõe-se esta Delegação da Ordem dos Arquitectos exibir documentários de Arquitectura, como forma de divulgar a vida e obra de arquitectos com importância na história e teoria da arquitectura, nacional e internacional, de várias épocas e movimentos, e assim contribuir para o enriquecimento da cultura arquitectónica na nossa região.

Estas sessões destinam-se, para além dos arquitectos da região, a outros técnicos e a todas as pessoas com curiosidade e interesse nestes temas, sendo de acesso livre mas limitadas à lotação do Salão Nobre dos Paços do Concelho de Ferreira do Zêzere, que está disponível para o efeito.

Apoio:
Município de Ferreira do Zêzere

PROGRAMA:

16 de Novembro, 19h00
Salão Nobre dos Paços do Concelho de Ferreira do Zêzere
ÁLVARO SIZA
Ordem no caos

(2003, Adolfo Dufour Andía, 30')
RAFAEL MONEO
Coragem e convicção

(2003, José Manuel Castillejo, 33')

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

ARQUITECTURA AO CENTRO #23



CASA TEXUGUEIRA
LEIRIA, TEXUGUEIRA

Joel Esperança e Ruben Vaz
Romeu Sousa (designer)
Frederico Louçano, Margarida Carrilho, Hugo Rainho
Contaminar Arquitectos
2013

Integrada numa paisagem rural, a Casa Texugueira afasta-se do caminho público, para se isolar da irregularidade da malha urbana envolvente e procurando, ao mesmo tempo, um desafogo visual sobre a planície verde dos campos agrícolas de Leiria.
A sua forma alonga-se no terreno, desdobrando-se num muro que comporta três volumes de escalas e vivências diferentes, que jogam entre si numa composição dinâmica.
O primeiro é vazio no plano térreo, oferecendo uma área coberta, de lazer ou estacionamento, face à entrada na casa, por entre um jogo lúdico de pilares. No plano superior há um espaço de atelier de pintura/música, com um pequeno terraço aberto à luz natural, sobre a paisagem. No volume central temos o acesso principal e a área social da habitação, com a sala de estar, com um grande vão sobre a envolvente verde, e a cozinha com abertura para as zonas de churrasco e de horta. O terceiro volume encerra a área mais privada, com dois quartos no piso térreo que estão em relação directa com os espaços ajardinados contíguos, e uma suite com varanda no piso superior.
A casa desenvolve-se ao longo de um percurso fechado, que acompanha a linearidade do muro exterior adoçado ao terreno e que cruza os três volumes. Os espaços entre os volumes tomam a forma de pequenos jardins ou zonas de estar, em diálogo com a habitação e com a paisagem rural da Texugueira.
(Traduzido por Victor Delaqua / archdaily.com.br)

site: contaminar.pt

ver mais sobre o projecto:
aeccafe.com
archdaily.com
archdaily.com.br
archello.com
archilovers.com
architizer.com
dezeen.com
plataformaarquitectura.cl
ultimasreportagens.com

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

PROJECTAR EM FERREIRA DO ZÊZERE

Ferreira do Zêzere volta a receber a itinerância da actividade PROJECTAR no próximo dia 16 de Novembro, para a quinquagésima nona sessão, que será dedicada aos arquitectos Álvaro Siza e Rafael Moneo, a propósito do recém atribuído Praemium Imperiale a este último e que o arquitecto português também já recebeu em 1998, e que decorrerá pelas 19h00 no Salão Nobre dos Paços do Concelho.



Ver Paços do Concelho de Ferreira do Zêzere num mapa maior

Mais informações em breve.

HÁ DEZ ANOS - LANÇAMENTO DO PAPELPAREDE 03º


No dia 26 de Outubro de 2007, o número 03º da publicação PAPELPAREDE, dedicado aos Lugares de Culto, foi lançado no Café Paraíso, em Tomar, um café que mantém o espírito e ambiente da época em que foi construído e que tem sido um verdadeiro lugar de culto para sucessivas gerações, numa iniciativa que procurou acima de tudo divulgar a publicação junto de novos públicos.



A apresentação do PAPELPAREDE no Café Paraíso contribuiu para uma noite diferente para os clientes habituais e outros que por lá passaram. Sobre três mesas era possível obter um exemplar do novo número, assim como dos dois anteriores. Em paredes opostas, por cima do nível dos espelhos, projecções das páginas dos vários números e dos eventos em que foram lançados animavam o tecto e as paredes, criando movimentos inesperados.
(Clique na imagem para ver mais)


O ambiente sonoro foi conduzido pelo conjunto de DJ’S Lovemakers, propondo a audição de outras músicas, de vez em quando entrecortadas pela leitura de um relato de Nini Ferreira sobre o Café Paraíso. Os clientes tiveram ainda direito a uma rodada geral, e oferta de brindes alusivos à publicação. Alguns foram ainda presenteados com uma t-shirt vermelha com o título PAPELPAREDE a branco, que também o pessoal de serviço envergou. Até ao final da noite, e entre os três números disponíveis, foram distribuídos mais de uma centena de exemplares.
Veja aqui o video do evento:




Este número do PAPELPAREDE pode ser folheado aqui:

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

ARQUITECTURA AO CENTRO #22



CENTRO DE CULTURA CONTEMPORÂNEA
CASTELO BRANCO, CASTELO BRANCO

Josep Lluís Mateo
Mateo Arquitectura
2013

A praça é uma superfície - uma topografia - concebida em relação ao movimento da água, seguindo padrões abstractos mas não aleatórios.
A relação entre o Centro Cultural e a Praça. O projecto apresentava o desafio de tratar de uma grande complexidade de espaços públicos e diversos problemas de tráfego urbano no centro histórico de Castelo Branco. O objectivo do Centro Cultural era transformar a parte antiga da cidade numa área central para a cultura.
A praça, projectada na primeira fase (2007), é modulada para lidar com os problemas topográficos iniciais e acomodar os diversos edifícios futuros.
O Centro Cultural, construído na segunda fase, flutua em dois apoios sobre a praça, como uma ponte, abrindo espaço na sua base para uma pista de patinagem no gelo e dando continuidade a este grande espaço público.
Descendo uma das rampas gerada pelas dobras no piso da Praça Largo da Devesa, chega-se à entrada principal do Centro Cultural Castelo Branco. Entrando, chegamos à recepção que leva à grande galeria. Este piso também abriga a área administrativa. Continuando com as variações no nível do piso, uma suave rampa leva-nos ao estacionamento que se expande sob a praça e o edifício.
Dentro do edifício, o piso térreo é apenas um espaço de transição que se liga com os pisos acima. No exterior, entretanto, este nível é a manifestação da ligação entre a praça e o Centro Cultural.
Aberturas no piso térreo permitem a entrada de luz no subsolo, criando um ambiente claro e receptivo. Nos níveis superiores estão localizados o auditório e a galeria com espaços de pé-direito duplo.
Numa das extremidades, a sala de exposições ocupa o primeiro e o segundo pavimento e conta com uma rampa que acompanha a estrutura do edifício. Deste modo, o visitante pode ter uma visão completa do espaço.
Na extremidade oposta, o auditório molda-se naturalmente à curva do edifício. O segundo pavimento conta com um espaço de uso múltiplo, localizado entre a sala de exposições e o auditório. Os pavimentos superiores oferecem maravilhosas vistas para a cidade e para o castelo. Por fim, na cobertura estão localizadas as áreas técnicas e uma grande clarabóia que ilumina a sala de exposições abaixo.

site: mateo-arquitectura.com

ver mais sobre o projecto:
adriagoula.com
archdaily.com
archdaily.com.br
archello.com
archilovers.com
architizer.com
arqa.com
metalocus.es
noticiasarquitectura.info
plataformaarquitectura.c
worldarchitecturenews.com

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

ARQUITECTURA AO CENTRO #21



CASA EM SOBRAL DA LAGOA
ÓBIDOS, SOBRAL DA LAGOA

Ricardo Bak Gordon
Ana Durão, Luís Pedro Pinto, Nuno Matos, Walter Perdigão
Bak Gordon Arquitectos
2008

Desenvolvendo-se ao longo de uma linha de festo, paralela ao mar, a aldeia é formada por uma série de parcelas que muitas vezes têm dois acessos, como é caso do lote onde se implantou esta casa. Trata-se de um terreno com cerca de 200m2 e com uma topografia bastante acentuada e que foi adaptada aos três pisos da casa.
Por uma das ruas, onde o ambiente urbano é mais intrincado, tem-se acesso à casa propriamente dita, deixando para trás um alçado relativamente vago, onde a presença dos vãos exteriores contribui para a abstracção da escala da casa.
São estes vãos aliás, tal como os da fachada poente, que melhor caracterizam a imagem da casa, uma vez que os seus aros e portadas em madeira são pintados de cor, conferindo a cada espaço interior uma marcação cromática numa envolvente branca.
Por detrás da caixilharia de alumínio anodizado a cor é visível, tornando-se por vezes pouco óbvio qual a sua origem ou a fonte cromática.
A entrada faz-se a meio piso, reservando o superior para os quartos de dormir e o piso inferior como espaço social e acesso aos terraços e piscina, ainda num ambiente marcado maioritariamente pela presença dos telhados vermelhos das construções vizinhas.
A geometria da casa nasce da forma do terreno, mas também de uma tridimensionalidade que procura responder às volumetrias adjacentes, reservando alguns espaços de intimidade para as áreas de estadia exteriores.

site: bakgordon.com

ver mais sobre o projecto:
archdaily.com
archdaily.com.br
archello.com
dezeen.com
divisare.com
habitarportugal.org
leonardofinotti.com
plataformaarquitectura.cl

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

HÁ DEZ ANOS - FOTOGRAFIA DE RUI MORAIS DE SOUSA

No dia 19 de Outubro de 2007, ainda no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Arquitectura, foi inaugurada a exposição de fotografias LUGARES DE CULTO Fotografia de Rui Morais de Sousa, produzida pelo Núcleo do Médio Tejo da Ordem dos Arquitectos, com o patrocínio de Foto Diogo, Mação.

(Clique na imagem para ver mais)

Trata-se de uma exposição de fotografias de arquitectura, enquanto Lugares de Culto ou Culto dos Lugares, composta por dezasseis ampliações em grande formato de fotografias de obras de Álvaro Siza, Carrilho da Graça, Manuel Taínha, Fernando Távora, Gonçalo Byrne, Raul Lino e Eduardo Souto Moura.

Fotografias de Rui Morais de Sousa

Pretendia-se promover a itinerância desta exposição a outros locais e às sedes das Delegações e Núcleos da Ordem dos Arquitectos, tendo a mais recente e completa mostra ocorrido em Mação, em Fevereiro de 2016. Foi editado um catálogo que pode ser folheado aqui:



Rui Morais de Sousa nasceu em Silva Porto, Angola, em 1955. Iniciou a sua actividade como fotógrafo profissional no Instituto de História de Arte (Kunsthistorishes Institut) da Universidade de Heidelberg, Alemanha. Regressado a Portugal em 1990, paralelamente à actividade de estúdio e publicidade, opta por se especializar na área da fotografia de arquitectura. Trabalhos publicados em Portugal e no estrangeiro em inúmeros livros e revistas da especialidade. Álvaro Siza e Mies van der Rohe são alguns dos nomes cuja obra se encontra extensamente documentada. Sócio-fundador da White & Blue em Novembro de 2000.