A septuagésima sessão da actividade PROJECTAR será no Fundão, e pretende homenagear o arquitecto Robert Venturi, falecido no passado dia 18 de Setembro, e a sua mulher e colaboradora a arquitecta Denise Scott Brown, e terá lugar no dia 7 de Novembro no auditório da Biblioteca Municipal Eugénio de Andrade pelas 19h00.
Realizado por Michael Blackwood em 1987, antes de lhe ser atribuído o prémio Pritzker em 1991, o documentário conta com a participação, para além dos arquitectos em foco Robert Venturi e Denise Scott-Brown, de Martin Pawley, Alvin Boyarsky, Philip Finkelpearl, Colin Amery, Gavin Stamp, Jules Lubbock, Sir John Sainsbury, Vincent Scully e do Princípe Carlos de Gales:
Filmado durante a concepção e realização da ampliação Sainsbury da National Gallery de Londres, Venturi fala das experiências reveladoras com a arquitectura clássica que levaram à sua revolucionária reavaliação da arquitectura moderna e à sua obra de refência de 1966, Complexidade e Contradição. A sua mulher e sócia arquitecta Denise Scott Brown descreve a sua formulação dos princípios do pós-modernismo em Las Vegas e noutros sítios. Historiadores de arquitectura quer atacam quer defendem a ampliação da National Gallery e o trabalho de Venturi e Scott Brown. O video faz o levantamento das pricipais obras do casal. Filmado com os arquitectos em Las Vegas, Roma, Veneza, Filadélfia, e na casa da sua mãe na Pensilvânia.
Com estas sessões propõe-se esta Delegação da Ordem dos Arquitectos exibir documentários de Arquitectura, como forma de divulgar a vida e obra de arquitectos com importância na história e teoria da arquitectura, nacional e internacional, de várias épocas e movimentos, e assim contribuir para o enriquecimento da cultura arquitectónica na nossa região.
Estas sessões destinam-se, para além dos arquitectos da região, a outros técnicos e a todas as pessoas com curiosidade e interesse nestes temas, sendo de acesso livre mas limitadas à lotação do auditório da Biblioteca Municipal Eugénio de Andrade, no Fundão, que está disponível para o efeito.
Apoio: Município do Fundão
PROGRAMA:
7 de Novembro, 19h00
Biblioteca Municipal Eugénio de Andrade, Fundão ROBERT VENTURI E DENISE SCOTT BROWN (1987, Michael Blackwood, 58')
O Fundão volta a receber a itinerância da actividade PROJECTAR, no próximo dia 7 de Novembro, com uma sessão dedicada ao recentemente falecido arquitecto Robert Venturi e à sua mulher e colaboradora arquitecta Denise Scott Brown, pelas 19h00 na Biblioteca Municipal Eugénio de Andrade.
O projecto de uma residência e ateliers para artes tem a intenção de criar um complexo para trabalhar e viver, ao invés de ser somente uma casa. Foi especialmente projectada para as necessidades de seus habitantes - um casal de artistas visuais - e de acordo com o terreno - uma paisagem grosseira com um clima quente e seco entre a cidade de Castelo Branco e a Espanha. O local específico possui um pequeno rio, pedras e uma vegetação superficial com um sentido único de beleza. Não há árvores excepto ao lado do rio e um penhasco domina o terreno e permite vistas de 360 graus. A construção situa-se aqui.
Este complexo para trabalhar e viver possui um centro, um campo aberto como um pátio que organiza todos os espaços - interior, exterior e circulações. Funcionalmente, este vazio é equivalente a um claustro medieval já que é um local entre o interior e o exterior que pode ser percorrido em toda sua extensão. Os espaços adjacentes são fragmentados em blocos de acordo com sua funcionalidade - do doméstico ao público, incluindo as circulações. Os volumes são distribuídos de norte a sul e do público ao privado e os primeiros volumes vistos da entrada são os ateliers que protegem a residência. Uma narrativa com objectivo e estética funcionais revelam um código: volumes que correspondem a locais para viver/trabalhar são cinzentos e fazem apelo à estabilidade devido aos seus acabamentos feitos de blocos de betão e chapas de aço com linhas horizontais. No sentido oposto, as circulações são vibrantes e dinâmicas já que são vermelhas, feitas com chapas de aço com linhas verticais e projectadas com geometria complexa.
A conjunção complementar de materiais e cores reflectem as residências tradicionais de Castelo Branco, onde as paredes são sólidas, feitas com pedra cinzenta, portas de madeira e janelas pintadas de vermelho. Vermelho é a melhor cor para proteger o interior tanto do calor quanto do frio extremo devido ao seu espectro de cor.
Sustentabilidade é uma questão muito importante e a residência está organizada em dois pavimentos que estão integrados na paisagem natural. A maioria dos compartimentos está virado para o sul e são sombreados pela geometria de varandas e grelhas para receber a luz natural e o ganho de calor durante o inverno e os evitando no verão. A ventilação transversal natural permite um arrefecimento natural da edificação especialmente nas noites de verão. A massa termal das paredes de betão ajudam criando uma bateria de calor para prevenir a radiação solar excessiva no verão e minimizando a perda de calor do interior no inverno. Materiais e soluções construtivas de baixo custo também expressam a sustentabilidade e arquitectura sem desperdício.
No primeiro pavimento o quarto do casal possui uma instalação sanitária integrada devido a razões de estética, funcionais e sustentáveis: a instalação sanitária está virada para sul por uma grande janela e é separada do quarto por grandes portas-janela. No verão estas portas são abertas e a ventilação natural vem do exterior para resfriar tanto o quarto quanto a instalação sanitária. No inverno elas fecham ambos os espaços e uma zona tampão é criada na instalação sanitária para receber a radiação solar do exterior, introduzindo-a no quarto através de convecção.
A paisagem rude agora absorve este novo elemento e os proprietários que ali vivem estão imprimindo seus próprios padrões de tempo e espaço. A edificação agora pertence a todos eles.
Bruno Erpicum
Atelier d’Architecture Bruno Erpicum & Partners
2011
Betão envolve o edifício, como uma pele envelhecida pelo tempo sob o sol e o clima de Portugal. Esta pele tem rugas e algumas pequenas falhas que são reveladas com a luz, o que denota a força de seu carácter.
Sob a zona de actividades diárias, exposta à luz e ao ar, está um ambiente familiar subterrâneo. Funciona como uma sala intermediária antes dos quartos. O sofá convida-nos a sentar por um momento e revelar os segredos do material cru, único elemento de decoração.
Os quartos incluem uma instalação sanitária com chuveiro. Tudo é incorporado numa única sala para optimizar o espaço. Isso é o que conta.
O bloco central da zona de actividades diárias é onde está apoiada a cobertura, como um guarda-chuva rodeado por uma coroa de luminosidade.
Ao cair a noite, pode-se até pensar que uma estrela caiu na terra.
Cristina Castelo Branco e Manuel Lema Barros
Lema Barros + Castelo Branco, Arquitectos
2010
Iniciámos o projecto em 2004, logo após o regresso da Bienal de Veneza. O sítio: ímpar. Debruçado sobre o oceano. Ponto final da mancha urbana: limite e confronto com o extenso campo a sul. Recentemente concluída, a casa já transpira vida. A tridimensionalidade procurada em projecto materializou-se, visivelmente, na obra. A casa forma um gaveto de remate de duas frentes construídas. Simultaneamente enfatiza a sua relação com o mar, elevando-se do solo e projectando-se sobre a arriba, olhando o horizonte. No interior, cada janela é uma tela que emoldura as distintas paisagens do entorno. No terraço, em açoteia, domina-se a envolvente, desde a mancha espraiada da povoação, o Mar, as Berlengas e o Cabo Carvoeiro ao longe, a Serra da Vila, o Varatojo, até á Serra de Montejunto. Esta casa é um barco, ancorado em terra a vigiar, atento, o mar.