sábado, 19 de outubro de 2019

ARQUITECTURA AO CENTRO #169



ADEGA 23
VILA VELHA DE RÓDÃO, SARNADAS DE RÓDÃO

Francisco Freitas, Luís Valente, Paulo Borralho, Rui Didier, Ana Tomé e Eliza Jabłońska
Atelier RUA
2017

O terreno, localizado em Sarnadas de Ródão, distrito de Castelo Branco tem uma área com cerca de 15 ha dos quais 10,5 ha serão para plantação de vinhas. É dividido pela auto-estrada A23 em duas parcelas com aproximadamente a mesma área. A Sul, o terreno é marcado sobretudo pela existência de uma barragem que alimenta o sistema de rega das vinhas. A Norte da A23, um pavilhão com aproximadamente 530 m2 e uma casa das máquinas à qual está associado um tanque para rega, pontuavam o terreno nas suas cotas mais elevadas. Uma passagem subterrânea (túnel) a Poente e uma passagem aérea (viaduto) a Nascente constituem-se como ligações viárias e pedonais entre as parcelas Norte e Sul.
A ideia de projeto passou por unificar a construção existente e a ampliação necessária para complementar o programa, transformando-os num único objecto. Desta dualidade entre pré-existência e nova construção surgem duas materialidades distintas que contrastam e se complementam. Por um lado, o revestimento das paredes existentes em painéis de cortiça; um material ligado a esta região e com excelentes características térmicas e acústicas. Reforçando esta preocupação em relação ao comportamento térmico do edifício, uma segunda pele metálica de cor dourada constitui-se como uma “cinta” que envolve o edifício existente e materializa os novos espaços da adega. Esta “cinta” provoca o ensombramento dos espaços técnicos permitindo a necessária regulação de temperatura e ventilação de forma natural. Esta solução permitiu também um desenho mais versátil e livre dos alçados de acordo com o programa definido.
Esta pele foi trabalhada do ponto de vista da textura através de módulos de chapa calandrada e micro perfurada que funcionam simultaneamente a escalas diferentes, uma textura perceptível da auto-estrada e outra lida numa situação de maior proximidade com uma aparência têxtil. A distribuição do programa funcional localiza as zonas de produção e de caracter mais técnico na zona correspondente ao pavilhão existente com um pé direito duplo de cerca de 6 metros e com uma área de aproximadamente 500 m2. Esta zona, em open-space, tem dois acessos exteriores através de dois portões. Um, na fachada Sul para as cargas e descargas do produto acabado e outro na fachada Nascente para receber as uvas. É também neste alçado (Nascente) que estão localizadas as máquinas de frio, a mesa de recolha, o tapete elevatório e o desengarçador.
No lado Norte surge uma ampliação do pavilhão existente para dar resposta ao programa social e de apoio à área de produção. O acesso a este núcleo, e ao nível do piso térreo faz-se através de uma galeria exterior coberta que se eleva progressivamente em relação à vinha à medida que nos aproximamos da entrada principal, aqui encontram-se: a recepção ao visitante, uma zona para exposição de vinho, escritório, laboratório, instalações sanitárias, balneários e arrumos. Estes dois últimos têm acesso directo à zona de produção. Ainda neste piso existe uma comunicação vertical através de escadas que liga este programa ao piso -1 e ao piso 1. No piso -1 está a Sala das Barricas, encarada como um cofre com uma grande montra e com paredes exteriores duplas constituídas por painéis de betão à vista, onde estão localizadas as cerca de 80 barricas de madeira. No piso 1 está o programa de caráter mais público: a copa, o quarto e a sala de provas (que se relaciona directamente com a vista sul- poente sobre a vinha através de uma varanda coberta).

site: atelierrua.com

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