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sábado, 27 de junho de 2020

ARQUITECTURA AO CENTRO #255



CASA DOS OLEIROS
CASTELO BRANCO, CASTELO BRANCO

Paulo Martins
Paulo Martins Arquitecto
2019-2020

A Casa dos Oleiros é uma moradia que se situa na zona antiga da cidade, em Castelo Branco, votada a um crescente abandono nos últimos anos.
Em resposta a essa tendência, esta intervenção pretendeu assumir contornos de arquétipo, tentando estabelecer uma tendência na ocupação urbanística da cidade: a revitalização urbana do centro histórico e a sua ocupação por estratos mais jovens, devolvendo a dinâmica a essa parte da cidade.
Seguindo esta intenção, a intervenção consistiu em manter o aspeto original da moradia, pelo exterior, enquanto que, no interior, os espaços foram readaptados aos padrões de conforto e vivência atuais, sendo revestidos de uma minimalista contemporaneidade.
Programaticamente a casa organiza-se em 2 pisos e mezanine, sendo o piso do r/c reservado aos espaços de descanso, por razões lumínicas, e os pisos superiores destinados a albergar as zonas sociais.
Nestes pisos superiores, aos quais se acede pela escadaria original do edifício, recuperamos a amplitude espacial da cobertura permitindo-nos ficar com um pé direito bastante generoso, deixando que a luz reflita nas paredes e teto brancos, inundando todo o espaço anteriormente enclausurado. No piso da mezanine abrimos uma claraboia que, desde a posição de trabalho, nos guia a vista ao castelo, lembrando-nos que a contemporaneidade está carregada de história.
Materialmente a obra quis-se leve, desprendida e acolhedora, fazendo uso de materiais tão simples quanto nobres, pintando as paredes e tetos com tonalidades claras e revestindo pisos e mobiliário com madeira de riga.

site: paulomartins.com.pt

ver mais sobre o projecto:
archdaily.com
archdaily.com.br
archilovers.com
architizer.com
behance.net
dihalma.com
espacodearquitetura.com
homeadore.com
homify.pt
ivotavares.net
journal-du-design.fr
memore.pt
publico.pt

segunda-feira, 4 de maio de 2020

ARQUITECTURA AO CENTRO #228



RECONVERSÃO DE UM CONJUNTO RURAL EM TINALHAS
CASTELO BRANCO, TINALHAS

Bernardo Pizarro Miranda
com Dina Gonçalves Ferreira, Barbara d'Agaro, Natacha Pereira, Ana Rita Carmo e Marília Moriés Borges
Bernardo Pizarro Miranda Arquitectura
2002-2007

O conjunto rural em análise é o resultado da agregação e adição ao longo das últimas décadas de várias construções, marginadas a noroeste pela rua Direita e a sudoeste pela rua Costa Magalhães, na aldeia de Tinalhas.
A casa mãe, uma construção de três pisos, de carácter mais erudito manifesto na sua organização e distribuição espacial a par do carácter urbano da sua fachada noroeste, foi sujeita no passado a uma ampliação que visou no essencial a construção de mais um espaço no 1.º piso, articulando de forma definitiva a casa mãe com um volume a sul, uma construção em alvenaria de pedra contendo várias dependências de apoio ao funcionamento do conjunto.
A norte, referimos a existência de três pequenas construções, autonomizadas matricialmente e geminadas à casa principal.
Agregadas funcionalmente às demais construções, estas pequenas edificações de dois pisos, manifestam na sua escala, tipologia e carácter das suas fachadas a identidade de um contexto mais rural.
O conjunto resultante desta geminação no tempo, de diferentes construções, de carácter e tipologias diferenciadas, delimita a poente uma área de logradouro.
O jardim, um espaço contido, de onde se releva a presença de uma Tília, constitui por oposição ao carácter mais urbano do conjunto a nascente, uma área de grande recato e intimidade que se entende preservar e potenciar, espaço de encontro e vivência das várias construções que o marginam.
O programa de reabilitação do conjunto em presença estrutura-se em torno de duas estratégias paralelas: a reabilitação e restauro da casa principal e a remodelação das demais construções visando a sua autonomização funcional.
Propôs-se a reorganização integral do interior destes espaços, centrada na adopção de tipologias que permitem mediante a concentração em núcleos das áreas de serviço e comunicações verticais, a libertação e valorização dos espaços de maior permanência, onde se procurou a luz e o contacto com o exterior.

site: bpmiranda.pt

ver mais sobre o projecto:
habitarportugal.org

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

ARQUITECTURA AO CENTRO #196



FÁBRICA DA CRIATIVIDADE
CASTELO BRANCO, CASTELO BRANCO

Mário Benjamim, Luís Lopes e João Antunes
MB Arquitectos
2019

PROJECTO
O projeto refere-se à reabilitação de uma antiga unidade de confecção situada na Alameda do Cansado em Castelo Branco, com o objetivo de implementar uma Fábrica de Criatividade, dando desta forma resposta às especificidades de algumas áreas artísticas e performativas como o teatro, dança, música, design e fotografia.
O edifício desempenhou um papel considerável quer no contexto industrial quer como referência da expansão urbana nesta zona. Os tipos de ocupação verificados são sintomáticos das diversas utilizações, fruto da escala do edifício e da sua posição privilegiada no topo de uma colina, junto a um dos acessos rodoviários da cidades.
O projeto inicial, não concluído, destinava-se a estabelecimento prisional, restando desta intenção a sua estrutura interna (pátio, arcada e 3 torreões) preservada nas várias alterações submetidas. O registo da primeira ocupação direciona-se para a manufaturação das colchas de bordados de Castelo Branco na década de 50, prosseguindo-se o uso do edifício para a Industria têxtil até final do século XX.
A proposta da reabilitação pretendeu responder ao programa especifico de instalação de um cluster de Industrias Criativas, atendendo essencialmente à localização e características espaciais do edifício, nomeadamente os grandes espaços vazios que resultaram quer do desmantelamento da unidade industrial quer da substituição da estrutura da cobertura após a aquisição do município.
Uma proposta de requalificação de um equipamento devoluto, que se traduz numa alavanca de regeneração urbana de um bairro periférico que se desenha ortogonalmente pelos limites do edifício e pela Alameda do Cansado.
CONCEITO
O conceito de intervenção procura a polivalência da utilização, tendo em atenção a interdisciplinaridade das várias áreas afetas ao espaço, que se completam e coordenam quer nas atividades diretamente relacionadas, quer na relação de abertura à comunidade e instituições através da cedência de espaços e oficinas, realização de eventos ou exposições temporárias.
O processo concetual segue esse principio, o espaço torna-se fluido, inusitadamente inacabado, nos materiais, na lógica de ocupação, assume-se na sua função de utilidade, assume-se a intervenção como um rescrever desse novo uso, evidenciando-se os diversos tempos que construíram o edifícios, memórias sociais patrimoniais e culturais que se convoca na (re)construção da sua identidade.

site: mb-arquitectos.pt

ver mais sobre o projecto:
archilovers.com
joaomorgado.com

domingo, 3 de novembro de 2019

ARQUITECTURA AO CENTRO #173


ÁREA DA ESTAÇÃO DE CASTELO BRANCO, ESPAÇO PÚBLICO POENTE
CASTELO BRANCO, CASTELO BRANCO

Nuno Lourenço e Lúcia Manso
com NPK arquitectos paisagistas associados
RISCO
2018

A solução de desenho urbano, cuja obra da primeira fase se encontra concluída, permitiu criar um novo jardim público entre a Rua Pedro da Fonseca e a Estação com uma área de cerca de 5.000 m2, na envolvente do qual ganharão destaque os bonitos edifícios do complexo ferroviário, a conservar, as chaminés da antiga metalúrgica e o futuro viaduto, projetado como um elemento de caracterização do espaço urbano e não como uma estrutura meramente rodoviária.
Na segunda fase deste projeto, com a construção deste viaduto, será possível estabelecer um percurso ciclável entre a zona a norte e a zona a sul da via-férrea e melhorar globalmente a acessibilidade ao bairro do Barrocal. Esta nova ligação afasta definitivamente a hipótese de continuação rodoviária da Avenida Nun’Álvares, preservando assim a antiga estação e o ambiente urbano da mesma Avenida.

site: risco.org

ver mais sobre o projecto:
ultimasreportagens.com

quinta-feira, 27 de junho de 2019

ARQUITECTURA AO CENTRO #147



MIRADOURO DE SÃO GENS
CASTELO BRANCO, CASTELO BRANCO

Teresa Barão, Luís Ribeiro e Catarina Viana
Topiaris
2007







site: topiaris.com

ver mais sobre o projecto:
joaomorgado.com

quinta-feira, 30 de maio de 2019

ARQUITECTURA AO CENTRO #140



TERMINAL RODOVIÁRIO
CASTELO BRANCO, CASTELO BRANCO

Jorge Estriga, Nuno Lourenço e Bernardo Falcão
RISCO
2013

O novo terminal rodoviário de Castelo Branco será construído junto da principal estação ferroviária da cidade.
Esta nova infra-estrutura permitirá criar uma necessária interface de transportes públicos, em conjunto com a estação de comboios e com um novo parque de estacionamento, também para ser construído. O terreno disponível consiste num lote comprido e estreito, encravado entre a linha do comboio e a Rua Poeta João Roiz.
Assim sendo, o equipamento urbano concebido é pensado como uma estrutura em dois níveis: o parque de estacionamento, com capacidade para 100 veículos, coberto mas aberto para sul, fica localizado no piso inferior, à mesma cota que a estação de comboios; acima deste, o terminal rodoviário desenvolve-se adjacente à Rua Poeta João Roiz e na continuidade do seu espaço público.
O edifício do terminal pode ser descrito como uma laje de betão suspensa, sob a qual se lozalizam quer os espaços operacionais encerrados - sala de espera, bilheteiras, sala de mercadorias e instalações sanitárias - quer a plataforma de embarque aberta, com capacidade para 10 autocarros.
O projecto também prevê a reestruturação do espaço público envolvente com cerca de 23.000 metros quadrados. Para além dos necessários ajustamentos das ruas às novas solicitações de tráfego, o traçado viário é redesenhado de modo a criar uma clara continuidade pedonal entre o Largo D. Carlos I - em frente à estação de comboios - e as áreas recentemente densificadas a este e sul da cidade.
Basicamente, a intervenção consiste em redesenhar os pavimentos - incluindo ajustamentos no perfil da Rua Poeta João Roiz - várias demolições de edifícios abandonados, projectar novas áreas pedonais e áreas verdes, a modernização de infra-estruturas urbanas subterrâneas existentes, nova iluminação pública e susbtituição de mobiliário urbano.
A intervenção também inclui a substituição da ponte da Carapalha, para este; esta atravessa a linha de comboio e actua como uma ligação muito importante entre o centro da cidade e os seus mais recentes bairros para sul. Este trabalho é necessário devido a alterações significativas propostas para o desenho viário dentro da área de intervenção. Tendo em conta a importância do elemento notável na paisagem urbana do centro da cidade, este trabalho revela-se como uma oportunidade significativa uma vez que permite enriquecer a imagética da cidade.

site: risco.org

ver mais sobre o projecto:
issuu.com/bernardomenezesfalcao
joaomorgado.com

quarta-feira, 27 de março de 2019

PROJECTAR #74


A septuagésima quarta sessão da actividade PROJECTAR volta a ser dedicada ao arquitecto Tadao Ando, e realiza-se no próximo dia 11 de Abril, pelas 19h00, no auditório da Biblioteca Municipal de Castelo Branco.

O documentário a exibir, intitulado "Tadao Ando, do vazio ao infinito", foi realizado em 2013 por Mathias Frick:
From Emptiness to Infinity presta homenagem a um dos arquitectos mais famosos do mundo, o mestre minimalista japonês Tadao Ando (nascido em 1941), dando a conhecer um exclusivo vislumbre do seu processo de trabalho. Ando é conhecido pelo uso criativo da luz natural, pela hábil articulação entre espaço interior e exterior e por conceber estruturas que evocam com elegância os contornos da paisagem em que se implantam. Conceptual e esteticamente, os seus premiados projectos em betão à vista estabelecem um elo entre a arquitectura tradicional japonesa, Zen e o modernismo contemporâneo, enquanto exprimem a sua crença fundamental de que "mudar a construção é mudar a cidade e melhorar a sociedade". Realizado por Mathias Frick e produzido por Susann Schimk e Jörg Trentmann, o documentário leva-nos aos seus edifícios mundialmente conhecidos e oferece-nos uma visão exclusiva do seu processo de trabalho, com Ando a partilhar as suas fontes de inspiração e motivações pessoais e a recordar a sua carreira de 40 anos.




Com estas sessões propõe-se esta Delegação da Ordem dos Arquitectos exibir documentários de Arquitectura, como forma de divulgar a vida e obra de arquitectos com importância na história e teoria da arquitectura, nacional e internacional, de várias épocas e movimentos, e assim contribuir para o enriquecimento da cultura arquitectónica na nossa região.

Estas sessões destinam-se, para além dos arquitectos da região, a outros técnicos e a todas as pessoas com curiosidade e interesse nestes temas, sendo de acesso livre mas limitadas à lotação do auditório da Biblioteca Municipal de Castelo Branco, que está disponível para o efeito.

Apoio:
Município de Castelo Branco

PROGRAMA:

11 de Abril, 19h00
Biblioteca Municipal de Castelo Branco
TADAO ANDO
Do Vazio ao Infinito

(2013, Mathias Frick, 52')

quinta-feira, 7 de março de 2019

ARQUITECTURA AO CENTRO #119



AGÊNCIA BANCOMAIS
CASTELO BRANCO, CASTELO BRANCO

João Saraiva Mendes e Ricardo Rosa Santos
SMRS Arquitectos
2006

As novas agências do BancoMais seguem um programa/conceito comum a muitas outras agências bancárias. Existe nestas novas agências a particularidade de o gerente poder, a partir do seu gabinete, observar em simultâneo as áreas de atendimento ao público e open space de trabalho. O controlo da luz natural, bem como a regularização dos espaços existentes, tornam-se num ponto de partida para um projecto assente num conceito pré-definido. Em Castelo Branco, o gabinete do gerente desempenha um papel de elemento organizador sendo que ao ser posicionado no centro da área principal da loja hierarquiza desde logo todos os espaços. Devido á reduzida dimensão da área de intervenção, cerca de 90m2, optou-se, pela aplicação de um pavimento de material e cor única e, por não se encerrar fisicamente a passagem entre a área de atendimento ao público e o open space de trabalho, criando assim um espaço de livre circulação sem que no entanto se perca a leitura das suas diferentes funções.

site: facebook.com/smrs-arquitectos

ver mais sobre o projecto:
architizer.com
habitarportugal.org
issuu.com
rushi.net

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

ARQUITECTURA AO CENTRO #95



MORADIA UNIFAMILIAR
CASTELO BRANCO, BENQUERENÇAS

Alexandra Belo e Vitor Mingacho
dbA arquitectura
2012

Reconversão de palheiro em moradia unifamiliar.

site: dbaarquitectura.com

ver mais sobre o projecto:
archilovers.com

terça-feira, 16 de outubro de 2018

ARQUITECTURA AO CENTRO #93



CASA E ATELIERS
CASTELO BRANCO, CHÃO DA VÃ

Cláudia Melo
Cláudia Melo Arquitectura
2011

O projecto de uma residência e ateliers para artes tem a intenção de criar um complexo para trabalhar e viver, ao invés de ser somente uma casa. Foi especialmente projectada para as necessidades de seus habitantes - um casal de artistas visuais - e de acordo com o terreno - uma paisagem grosseira com um clima quente e seco entre a cidade de Castelo Branco e a Espanha. O local específico possui um pequeno rio, pedras e uma vegetação superficial com um sentido único de beleza. Não há árvores excepto ao lado do rio e um penhasco domina o terreno e permite vistas de 360 graus. A construção situa-se aqui.
Este complexo para trabalhar e viver possui um centro, um campo aberto como um pátio que organiza todos os espaços - interior, exterior e circulações. Funcionalmente, este vazio é equivalente a um claustro medieval já que é um local entre o interior e o exterior que pode ser percorrido em toda sua extensão. Os espaços adjacentes são fragmentados em blocos de acordo com sua funcionalidade - do doméstico ao público, incluindo as circulações. Os volumes são distribuídos de norte a sul e do público ao privado e os primeiros volumes vistos da entrada são os ateliers que protegem a residência. Uma narrativa com objectivo e estética funcionais revelam um código: volumes que correspondem a locais para viver/trabalhar são cinzentos e fazem apelo à estabilidade devido aos seus acabamentos feitos de blocos de betão e chapas de aço com linhas horizontais. No sentido oposto, as circulações são vibrantes e dinâmicas já que são vermelhas, feitas com chapas de aço com linhas verticais e projectadas com geometria complexa.
A conjunção complementar de materiais e cores reflectem as residências tradicionais de Castelo Branco, onde as paredes são sólidas, feitas com pedra cinzenta, portas de madeira e janelas pintadas de vermelho. Vermelho é a melhor cor para proteger o interior tanto do calor quanto do frio extremo devido ao seu espectro de cor.
Sustentabilidade é uma questão muito importante e a residência está organizada em dois pavimentos que estão integrados na paisagem natural. A maioria dos compartimentos está virado para o sul e são sombreados pela geometria de varandas e grelhas para receber a luz natural e o ganho de calor durante o inverno e os evitando no verão. A ventilação transversal natural permite um arrefecimento natural da edificação especialmente nas noites de verão. A massa termal das paredes de betão ajudam criando uma bateria de calor para prevenir a radiação solar excessiva no verão e minimizando a perda de calor do interior no inverno. Materiais e soluções construtivas de baixo custo também expressam a sustentabilidade e arquitectura sem desperdício.
No primeiro pavimento o quarto do casal possui uma instalação sanitária integrada devido a razões de estética, funcionais e sustentáveis: a instalação sanitária está virada para sul por uma grande janela e é separada do quarto por grandes portas-janela. No verão estas portas são abertas e a ventilação natural vem do exterior para resfriar tanto o quarto quanto a instalação sanitária. No inverno elas fecham ambos os espaços e uma zona tampão é criada na instalação sanitária para receber a radiação solar do exterior, introduzindo-a no quarto através de convecção.
A paisagem rude agora absorve este novo elemento e os proprietários que ali vivem estão imprimindo seus próprios padrões de tempo e espaço. A edificação agora pertence a todos eles.

site: claudiamelo-arquitectura.com

ver mais sobre o projecto:
archdaily.com
archdaily.com.br
plataformaarquitectura.cl

sábado, 8 de setembro de 2018

ARQUITECTURA AO CENTRO #84



MORADIA UNIFAMILIAR
CASTELO BRANCO, ALCAINS

Alexandra Belo e Vitor Mingacho
dbA arquitectura
2012

Dado o contexto urbano do terreno a edificar, procura-se neste projecto integrar elementos volumétricos, cromáticos e materiais que possam resolver o enquadramento urbanístico da frente de rua que ocupa.
A forma obtida da implantação do edifício advém da sua distribuição funcional face às condicionantes geométricas do terreno, bem como às exigências quanto à densidade edificatória definidas pelo Plano Director Municipal de Castelo Branco.
Define-se uma distribuição dos espaços em três corpos, o que gera um espaço de pátio interior com ambientes exteriores diferenciados.
A volumetria do edifício, coerente com a sua definição em planta, é claramente recortada em três volumes. Apesar de possuir dois pisos de altura constante, a cobertura apresenta diferentes alturas que se harmonizam com as cérceas dos edifícios adjacentes, gerando uma transição entre elas.
A distribuição da moradia inclui, no rés-do-chão, a garagem e a cozinha/zona de comer, com uma zona exterior de lavandaria num primeiro corpo.
No primeiro andar situam-se dois quartos com uma casa de banho comum e uma suite, com closet, terraço e instalações sanitárias próprias.
Apesar de que a volumetria se possa decompor nestes corpos no sentido longitudinal, os espaços relacionam-se entre si no sentido transversal, nomeadamente as zonas públicas da casa: a sala de estar com a zona de comer e cozinha, que se relacionam com o pátio através de superfícies envidraçadas. A escada que comunica os dois pisos assume também esta ligaçao transversal entre volumes longitudinais.
A entrada constitui um espaço independente do resto da casa, funcionando como uma antecâmara que antecede o âmbito privado.
Destacam-se, na fachada voltada para a rua, dois elementos fundamentais: uma grande janela que acompanha a subida da escada, cuja luz, matizada por um bastidor com tubulares metálicos horizontais, entra no espaço de circulação comum; e uma sacada no primeiro andar, cuja luz desce à sala de estar do piso de entrada através de um espaço de duplo pé direito.
Este último elemento integra um eixo visual entre a rua e o espaço interior do terreno, pois está enfrentado a uma janela situada no pátio interior. Com efeito, este eixo é marcado, não só pela comunicaçao visual, mas também física do edifício, uma vez que incorpora também a entrada da casa. Por este motivo, decidiu-se marcá-lo com um tratamento material e cromático diferenciado a nível de fachada.

site: dbaarquitectura.com

ver mais sobre o projecto:
archilovers.com

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

ARQUITECTURA AO CENTRO #22



CENTRO DE CULTURA CONTEMPORÂNEA
CASTELO BRANCO, CASTELO BRANCO

Josep Lluís Mateo
Mateo Arquitectura
2013

A praça é uma superfície - uma topografia - concebida em relação ao movimento da água, seguindo padrões abstractos mas não aleatórios.
A relação entre o Centro Cultural e a Praça. O projecto apresentava o desafio de tratar de uma grande complexidade de espaços públicos e diversos problemas de tráfego urbano no centro histórico de Castelo Branco. O objectivo do Centro Cultural era transformar a parte antiga da cidade numa área central para a cultura.
A praça, projectada na primeira fase (2007), é modulada para lidar com os problemas topográficos iniciais e acomodar os diversos edifícios futuros.
O Centro Cultural, construído na segunda fase, flutua em dois apoios sobre a praça, como uma ponte, abrindo espaço na sua base para uma pista de patinagem no gelo e dando continuidade a este grande espaço público.
Descendo uma das rampas gerada pelas dobras no piso da Praça Largo da Devesa, chega-se à entrada principal do Centro Cultural Castelo Branco. Entrando, chegamos à recepção que leva à grande galeria. Este piso também abriga a área administrativa. Continuando com as variações no nível do piso, uma suave rampa leva-nos ao estacionamento que se expande sob a praça e o edifício.
Dentro do edifício, o piso térreo é apenas um espaço de transição que se liga com os pisos acima. No exterior, entretanto, este nível é a manifestação da ligação entre a praça e o Centro Cultural.
Aberturas no piso térreo permitem a entrada de luz no subsolo, criando um ambiente claro e receptivo. Nos níveis superiores estão localizados o auditório e a galeria com espaços de pé-direito duplo.
Numa das extremidades, a sala de exposições ocupa o primeiro e o segundo pavimento e conta com uma rampa que acompanha a estrutura do edifício. Deste modo, o visitante pode ter uma visão completa do espaço.
Na extremidade oposta, o auditório molda-se naturalmente à curva do edifício. O segundo pavimento conta com um espaço de uso múltiplo, localizado entre a sala de exposições e o auditório. Os pavimentos superiores oferecem maravilhosas vistas para a cidade e para o castelo. Por fim, na cobertura estão localizadas as áreas técnicas e uma grande clarabóia que ilumina a sala de exposições abaixo.

site: mateo-arquitectura.com

ver mais sobre o projecto:
adriagoula.com
archdaily.com
archdaily.com.br
archello.com
archilovers.com
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arqa.com
metalocus.es
miesarch.com
noticiasarquitectura.info
plataformaarquitectura.c
worldarchitecturenews.com

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

HABITAR PORTUGAL 12-14 - APRESENTAÇÃO DE PROJECTOS


Exposição
HABITAR PORTUGAL 12-14
Museu Francisco Tavares Proença Júnior, Castelo Branco
11 de Fevereiro a 12 de Março
3ª Feira a Domingo das 10:00 às 13:00 - 14:00 às 18:00
Entrada livre

Apresentações // Conferências
Obras Norte III, Sul III e Fora de Portugal
Museu Francisco Tavares Proença Júnior, Castelo Branco
22 de Fevereiro, 14h30

O Habitar Portugal 2012-2014 tem procurado para cada exposição destacar obras específicas. Em Castelo Branco a opção foi confrontar duas obras na sua proxmidade geográfica com outras duas construidas por arquitectos portugueses fora de Portugal. O programa paralelo inclui uma sessão de apresentações das obras destacadas pelos seus autores a que se seguirá uma conversa.
O tema deste HP, "está a arquitectura sob resgate?" será o mote e o enquadramento para as discussões que permitirão cruzar o olhar dos autores reunidos em cada sessão.

As apresentações serão seguidas de uma conversa moderada por um dos comissários.

Oradores
João Luís Carrilho da Graça > Data Center Portugal Telecom, Covilhã
João Mendes Ribeiro + Luísa Bebiano > Torre da Palma Wine Hotel, Monforte
Paulo Moreira + PARQ arquitectos > Escola de Kapalanga, Luanda, Angola
Promontório Arquitectos > Lubango Centre, Lubango, Angola

Moderação
Comissariado
HP12–14

Mais informações em www.habitarportugal.org

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

HABITAR PORTUGAL 12-14 - DEBATE


Periferias e visibilidade, estratégias de afirmação
Museu Francisco Tavares Proença Júnior, Castelo Branco
16 de Fevereiro, 14h30

O debate do Habitar Portugal em Castelo Branco permite discutir algumas questões importantes para a arquitectura contemporânea em Portugal. Em primeiro lugar as assimetrias regionais. A concentração de pessoas e recursos na faixa litoral tem tido como consequência óbvia um processo de desertificação do interior que se faz essencialmente sobre os meios rurais. Aos fluxos migratórios em curso as cidades do interior têm tentado captar os seus novos habitantes através da construção de polaridades que dependem da sua capacidade de atracção que decorre da qualidade de vida alternativa à deriva pelos grandes centros. As estratégias são diversas mas todas dependem das condições que se estabelecem para que cada um desses centros seja visível, exista no espaço dos media, esteja presente nas opções de investimento para que existam oportunidades para a vida que nelas se possa fazer. Ao ser periférico corresponde uma estratégia de afirmação que pode passar pela identidade que necessita dos sinais que a veiculam, ou pela construção de novas identidades que a projectem. Castelo Branco parece ser um caso específico entre a criação de condições estruturais que fixem os seus habitantes e ao mesmo tempo o desejo de criar condições para que existam novas possibilidades. E a arquitectura, que papel tem aqui?

Oradores
Bernardo Rodrigues
Nuno Costa Santos
Carlos Semedo
José Afonso

Moderação

Comissariado HP12–14

Mais informações em www.habitarportugal.org

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

HABITAR PORTUGAL 12-14 EM CASTELO BRANCO

Prosseguindo a itinerância planeada, após a etapa de Lisboa, a exposição HP 12-14 inaugura na tarde de sábado 11 de Fevereiro (prolongando-se até Domingo, 12 de Março) no Museu Tavares Proença Júnior, em Castelo Branco, incluindo o Programa Paralelo de Debates e Apresentações de obras

Em Castelo Branco as obras em destaque são:
Data Center Portugal Telecom, Carrilho da Graça arquitectos - JLCG;
Torre da Palma Wine Hotel, João Mendes Ribeiro + Luísa Bebiano;
Escola de Kapalanga, Luanda, Angola, Paulo Moreira + PARQ arquitectos;
Lubango Centre, Lubango, Angola, Promontório Arquitectos

Está a arquitectura sob resgate?

A selecção de obras de arquitectura reunidas nesta edição Habitar Portugal faz-se perante uma pergunta: está a arquitectura sob resgate? O resultado pretende ser, mais do que uma conclusão, uma reflexão em aberto. As oitenta obras que aqui se apresentam são cada uma delas propostas para a construção da percepção de um momento significativo para a arquitectura portuguesa. O tema proposto deve ser lido como um enquadramento e os critérios para a sua reunião, previamente comunicados, são um seu suporte. O período a que esta edição corresponde, 2012-2014, é coincidente com o programa de resgate financeiro a que Portugal esteve sujeito. Quis-se, por isso, analisar e compreender o impacto que inevitavelmente este facto teve na prática dos arquitectos portugueses. A observação destas obras não torna evidente uma preocupação específica com os programas ou as actuações que, de uma forma ou de outra, incorporaram a actual situação social, política e económica como um seu motivo. Procura, antes, perceber qual o impacto desse estado que ainda não sabemos quanto de transitório terá, de que formas se manifesta e que consequências deixa. A arquitectura é uma prática social e, por isso, dependente e condicionada pelos meios através dos quais as sociedades projectam em forma, objecto e espaço, o momento por que passam. Ao mesmo tempo tem um autor ou autores, o que significa que cada arquitecto é um filtro que reorganiza ideias várias e de proveniências distintas e as materializa numa obra. A arquitectura é ainda uma prática autoral por muito que queira participar de fenómenos alargados ao espaço social onde se move. As obras que aqui se apresentam são disso testemunho, a variedade de opções, práticas e posicionamentos é evidente mesmo quando as queiramos olhar desde um enquadramento determinado.

A exposição que aqui se apresenta, que a Câmara Municipal de Castelo Branco e o Museu Francisco Tavares Proença Júnior decidiram acolher, faz parte de um conjunto de mostras que percorrerá o país, procurando nas suas diversas manifestações compreender, discutir e reportar o estado e a condição da arquitectura portuguesa que hoje vivemos considerando o acervo que Habitar Portugal já constitui. Para esse efeito, cada exposição é única quer no seu layout, quer na parede que reúne os elementos de um processo de trabalho e de reflexão do comissariado que se estenderá ao longo da totalidade do processo de itinerância contribuindo com conteúdos originais para cada uma. No MFTPJ, e procurando entender o contexto em que cada mostra HP 12-14 se faz, o destaque é dado a duas obras geograficamente próximas em confronto com outras duas construídas fora de Portugal por arquitectos portugueses. O tema proposto para o debate no programa paralelo, “Periferias e visibilidade, estratégias de afirmação”, procura debruçar-se sobre alguns aspectos da prática da arquitectura fora dos grandes centros urbanos que se entende serem oportunos neste contexto convocando à discussão áreas distintas de conhecimento. Esta possibilidade de uma reflexão expandida inclui-se no esforço de fazer desta edição HP 12-14 uma oportunidade para cruzar olhares de diferentes origens e, igualmente, alargar o seu âmbito às suas cinco edições anteriores que desde o ano 2000 reúnem já um acervo de cerca de 400 obras. Um palimpsesto de registos que sugerem um esforço de comparação com o momento em que vivemos.

O processo de resgate da economia portuguesa pressupôs um reajustamento como consequência deste estado de suspensão e reavaliação do seu estado anterior. Os processos de crise foram sendo historicamente momentos fecundos para a arquitectura e para a sua história. Como podemos então ver e perceber este por que passamos agora? Se a arquitectura está sob resgate, como é o seu reajustamento?


Luis Tavares Pereira, Bruno Baldaia e Magda Seifert
Comissários HP 12-14

PROGRAMA PARALELO

16 de Fevereiro 2017
Periferias e visibilidade, estratégias de afirmação.
Bernardo Rodrigues, Nuno Costa Santos, Carlos Semedo, José Afonso.

O debate do Habitar Portugal em Castelo Branco permite discutir algumas questões importantes para a arquitectura contemporânea em Portugal. Em primeiro lugar as assimetrias regionais. A concentração de pessoas e recursos na faixa litoral tem tido como consequência óbvia um processo de desertificação do interior que se faz essencialmente sobre os meios rurais. Aos fluxos migratórios em curso as cidades do interior têm tentado captar os seus novos habitantes através da construção de polaridades que dependem da sua capacidade de atracção que decorre da qualidade de vida alternativa à deriva pelos grandes centros. As estratégias são diversas mas todas dependem das condições que se estabelecem para que cada um desses centros seja visível, exista no espaço dos media, esteja presente nas opções de investimento para que existam oportunidades para a vida que nelas se possa fazer. Ao ser periférico corresponde uma estratégia de afirmação que pode passar pela identidade que necessita dos sinais que a veiculam, ou pela construção de novas identidades que a projectem. Castelo Branco parece ser um caso específico entre a criação de condições estruturais que fixem os seus habitantes e ao mesmo tempo o desejo de criar condições para que existam novas possibilidades. E a arquitectura, que papel tem aqui?

22 de Fevereiro 2017
Apresentação obras Norte III, Sul III e Fora de Portugal I
Data Center Portugal, João Luís Carrilho da Graça
Escola de Kapalanga, Paulo Moreira + PARQ arquitectos
Lubango Center, Promontório
Torre de Palma Wine Hotel, João Mendes Ribeiro + Luísa Bebiano

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

PROJECTAR COM ALBERTO PESSOA, PEDRO CID E RUY ATHOUGUIA

A Sede e Museu da Fundação Calouste Gulbenkian, edifício projectado pelos arquitectos ALBERTO PESSOA, PEDRO CID e RUY ATHOUGUIA, vai estar em foco na quadragésima nona sessão da actividade PROJECTAR, que se realiza nesta 5.ª-feira, dia 12, pelas 19h00, na Biblioteca Municipal de CASTELO BRANCO.


ALBERTO PESSOA (1919-1985)

Alberto José Pessoa nasceu a 15 de Abril de 1919 em Coimbra (sendo por vezes referenciado como sendo natural da Figueira da Foz), e naquela cidade concluiu o ensino secundário, dedicando-se à pintura nos tempos livres.

Muda-se para Lisboa, terminando o Curso de Arquitectura na Escola de Belas-Artes de Lisboa, com 17 valores, em 1943. Desde o ano anterior trabalhava com Licínio Cruz no Gabinete do Plano de Obras da Praça do Império, sob a orientação de Cottineli Telmo.

Também sob a orientação deste mesmo arquitecto, trabalhou na Comissão Municipal das Obras da Cidade Universitária de Coimbra de 1942 a 45, nomeadamente no arquivo e remodelação da Biblioteca Central da Faculdade de Letras (1951). Mais tarde, nesta mesma cidade projectou, com a colaboração de João Abel Manta, as instalações da Associação Académica de Coimbra, construída em 1961, incluindo o Teatro Gil Vicente e o Estádio Universitário, entre outros projectos não concretizados.

De 1945 e 1946 prestou serviço na Câmara Municipal de Lisboa, onde realizou estudos de urbanização, nomeadamente, da Avenida Infante Santo. Foi também co-autor dos projectos municipais do conjunto das construções da Avenida Paris e da Praça Pasteur, exemplos de um urbanismo e arquitectura de transição, com quarteirões semiabertos, de traseiras aproveitadas para jardins e equipamentos colectivos, constituindo estas experiências municipais lisboetas as primeiras a romper significativamente com a arquitectura de tradição oficial.

Também desenvolveu a sua atividade no atelier de Francisco Keil do Amaral, com Hernani Gandra, envolvendo-se nos projectos dos centros extra-escolares para a Mocidade Portuguesa (1942), do restaurante e arranjo do jardim do Campo Grande (1945), do Parque de Monsanto (1947-53) e 1ª versão do Palácio da Cidade e outros projectos para o Parque Eduardo VII (1948-51).

Entre 1946 e 1950, Alberto faz parte do grupo ICAT (Iniciativas Culturais Arte e Técnica) fundado em 1946 por um grupo que incluía Keil do Amaral, João Simões, Veloso Reis Camelo, Paulo de Carvalho Cunha, Adelino Nunes, Hernâni Gandra, Celestino de Castro, Formosinho Sanches e Raúl Chorão Ramalho, entre outros, e em 1948 participou no 1º Congresso Nacional de Arquitetura, promovido pelo Sindicato Nacional dos Arquitectos.

A partir de 1947, instala o seu próprio atelier em Lisboa, na Avenida Guerra Junqueiro, para em 1953 o mudar para a Avenida João Crisóstomo, associando-se ao Arquitecto João Abel Manta. Desta equipa nasce o conjunto residencial e comercial do n.º 70 da Avenida Infante Santo (1954–58), galardoado com o Prémio Municipal de Arquitectura de 1956; a Piscina Municipal do Areeiro (1962) e os Pavilhões Gimnodesportivos da Direcção Geral dos Desportos (na Cidade Universitária de Lisboa, em Castro Verde, Guarda e Funchal); um conjunto urbano na Lapa (1964); o Plano de Urbanização de Agualva–Cacém (1965-67); e o Projecto do Agrupamento de Casas Económicas de Mira-Sintra, entre outros.

Também se dedicou ao ensino na qualidade de professor-assistente do Prof. Cristino da Silva, na cadeira de Projecto, nos anos de 1953 a 1962, na Escola Superior de Belas–Artes de Lisboa, assim como foi um dos directores da revista Arquitectura e membro da direcção do Sindicato Nacional dos Arquitetos, nas presidências de Porfírio Pardal Monteiro (1948-50) e de Inácio Perez Fernandes (1951-56).

Com os arquitectos Pedro Cid e Ruy Athouguia forma o grupo autor do projecto da Fundação Calouste Gulbenkian (1961–69), escolhido em concurso por convites, vencendo às equipas formadas por Arménio Losa, com Formosinho Sanches e Pádua Ramos, e a composta por Frederico George, Manuel Lajinha e Arnaldo Araújo.

Com Ruy Athouguia e Luís Pessoa, desenha o arranjo urbanístico para a Praça de Espanha, o programa-base do Centro de Congressos de Lisboa e o arranjo urbanístico da faixa marginal entre a Torre de Belém e a Cordoaria, com vista à implantação do Centro de Congressos e de um complexo hoteleiro de apoio, para além do edifício-sede do Metropolitano de Lisboa, em Palhavã.

A partir de 1979 passa a trabalhar em equipa com o Arquitecto Luís Pessoa e das suas mãos nascem os projectos de um edifício para escritórios e armazéns da Petrogal, em Cabo Ruivo; do Centro Cultural, Centro de Culto, duas escolas primárias e supermercado de Mira-Sintra; o Plano de Urbanização em Algueirão – Mem Martins, de 1500 fogos, para a Cooperativa de Habitação Económica Coopalme; o Plano de Urbanização para recuperação do bairro clandestino de Varge-Mondar, em Sintra; cinco agências da Caixa Geral de Depósitos e de novos edifícios a construir na Praça de S. Bento.

Fora de Lisboa, assinou os projectos de um conjunto de casas económicas para Portalegre; dos escritórios e laboratórios da Companhia de Cimentos Secil do Outão (na Serra da Arrábida); do Palácio da Justiça de Porto de Mós, com o Arquitecto Raul Abreu; do autosilo das Carvalheiras, no Porto; do Restaurante no Alto dos Corvos (Peniche); da Fábrica de Cimento de Luanda e de vários edifícios de grande porte destinados a habitação e comércio na mesma cidade; e da sua própria casa na Malveira da Serra.

Foi arquitecto-consultor da Câmara Municipal da Figueira da Foz durante cerca de 17 anos, onde realizou com o arquitecto Mário Pereira da Silva, o Plano Geral de Urbanização da Figueira da Foz, nos anos 60 e a sua revisão em 1980, assim como os Planos dos Vales das Abadias e do Galante, e de Urbanização e recuperação das povoações da Cova e Gala (1981), para além do estudo arquitectónico da Esplanada Silva Guimarães (1982). Foi também o autor da moradia do Dr. Azeredo Perdigão na Figueira da Foz, assim como do Plano Geral da Marginal Oceânica desde o Forte de Santa Catarina a Buarcos (1984) e com Luís Pessoa, do programa-base de um complexo turístico composto por Aparthotel, Centro de Congressos e instalações desportivas.

Recebeu duas vezes o prémio Valmor, primeiro em 1950, para premiar uma moradia no n.º 37 da Rua Duarte Pacheco Pereira e a segunda vez, em 1975, pela sede da Fundação Calouste Gulbenkian, para além do Prémio Municipal de Arquitectura de 1956 já referido. A 31 de Outubro de 1969 foi feito Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.

Faleceu em Lisboa, em 1985.

Adaptado a partir de www.cm-lisboa.pt/.../publicacoes-digitais/Toponimia/ Toponimia_lx_Alberto_Jose__Pessoa.pdf, toponimialisboa.wordpress.com/2014/07/10/ a-lisboa-de-alberto-jose-pessoa/ e de pt.wikipedia.org/wiki/Alberto_Pessoa

Conjunto urbano da Avenida Infante Santo, Lisboa (1955)


PEDRO CID (1925-1983)

Pedro Anselmo Braamcamp Freire Cid nasceu a 19 de Janeiro de 1925 em Lisboa. Em 1948 participou, enquanto estudante de arquitectura, no 1º Congresso Nacional de Arquitetura, promovido pelo Sindicato Nacional dos Arquitectos. Formou-se em Arquitectura em 1952 na Escola de Belas-Artes de Lisboa.

Colabora em diversos projectos de habitação colectiva, entre os quais o da Avenida Estados Unidos da América em Lisboa, com Manuel Lajinha e João Vasconcelos Esteves, com o qual obteve o Prémio Municipal de 1956 e que constitui um dos primeiros exemplos de aplicação das teorias do CIAM ao traçado urbano de Lisboa.

Vence o concurso para o Pavilhão Português na Exposição Universal de Bruxelas em 1958. Com os arquitectos Alberto Pessoa e Ruy Athouguia forma o grupo autor do projecto da Fundação Calouste Gulbenkian (1961–69), escolhido em concurso por convites, vencendo às equipas formadas por Arménio Losa, com Formosinho Sanches e Pádua Ramos, e a composta por Frederico George, Manuel Lajinha e Arnaldo Araújo.

Ao longo da sua vida trabalhou com vários colegas, para além dos já referidos, com Celestino de Castro, Eduardo Anahory, Fernando Torres e Daciano Costa.

A 31 de Outubro de 1969 foi feito Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada. Foi distinguido com o Prémio Valmor de 1975 pelo edifício da Fundação Calouste Gulbenkian.

A partir de 1975 ingressou no Ministério da Administração Interna, participando no lançamento dos Gabinetes de Apoio Técnico (GAT), e em 1978 assumiu a direcção do GAT de Montemor-o-Novo, situação que marcaria o reencontro com o território alentejano e com a arquitectura popular.

Faleceu em Lisboa, em 1983.

Adaptado de Dicionário de Arquitectos Activos em Portugal, do século I à actualidade, José Manuel Pedreirinho, Edições Afrontamento, 1994 e Arquitectura do Século XX: Portugal, org. Annette Beccker, Ana Tostões e Wilfried Wang, Centro Cultural de Belém, 1997

Pavilhão Português na Exposição Universal de Bruxelas (1958)


RUY JERVIS D'ATHOUGUIA (1917-2006)

Ruy de Sequeira Manso Gomes Palma Jervis d'Athouguia Ferreira Pinto Basto nasceu em Macau a 1 de Janeiro de 1917, filho de Manuel Jervis de Athouguia Ferreira Pinto Basto, oficial da marinha de ascendência Inglesa, e de sua mulher Emília de Sequeira Manso Gomes Palma.

Após a morte prematura do pai, a mãe resolve voltar para Portugal fazendo a viagem pelo Oceano Pacífico, passando pelo Hawai e pelos Estados Unidos. Em Lisboa, frequenta o Colégio Militar entre 1927 e 1936.

Ingressa na Escola de Belas-Artes de Lisboa, mas sai em 1940 por reprovar várias vezes na cadeira de Desenho Arquitectónico, e vai para a Escola de Belas-Artes do Porto, onde faz os dois primeiros anos num só, com as médias de 17 e 18 valores, e onde encontra o mestre Carlos Ramos.

Conclui o curso em 1944, ano em que regressa a Lisboa e inicia a actividade profissional no gabinete de Veloso Reis Camelo, primeiro, e depois com Filipe Nobre Figueiredo e Jorge Segurado, onde reencontra e retoma uma amizade e relação de trabalho com Sebastião Formosinho Sanchez. Em 1948 apresenta finalmente a prova de CODA, na qual obtém a classificação de 18 valores.

Trabalha em profissão liberal, destacando-se entre as primeiras obras, os projectos para o Cine-Teatro de São Pedro em Abrantes (1949), a Casa Maria Amélia Burnay (1949-51) e a Escola do Bairro de São Miguel em Lisboa (1949-53).

Desenvolve vários projectos de habitação colectiva, entre os quais, em colaboração com Sebastião Formosinho Sanchez, o bairro S. João de Deus (bairro das estacas - célula VIII do bairro de Alvalade) (1949-54), pelo qual é distinguido com o Prémio Municipal de Arquitectura de 1955 e com uma das duas únicas menções honrosas no sector da habitação colectiva no âmbito da Exposição Internacional de Arquitectura da Bienal de S. Paulo, no Brasil.

Conhece um período de significativa divulgação internacional do seu trabalho, em revistas como a Bauen+Wohen, da Suiça, a Innendkoration/Architektur und Wohnform, da Áustria, ou na francesa L'Architecture d'Aujourd'hui.

Realiza projectos de moradias, entre as quais a sua (1951-53), a Casa Sande e Castro (1954-56) e a Casa Pinto da Costa (1957-60), todas em Cascais, e os projectos da Escola do Bairro S. João de Deus (1952-56) e do Liceu Padre António Vieira (1959-63).

Entre os edifícios de habitação colectiva e de escritórios destacam-se o Edifício Residencial Lote 1, a poente da célula VIII do bairro de Alvalade, em conjunto com o arquitecto Formosinho Sanchez (1957-59), o bairro da Federação das Caixas de Previdência em Cascais (1959-60), a Torre do Infante em Cascais (1960-65), e os edifícios da Praça de Alvalade, em colaboração com o arquitecto Fernando Silva (1960-66).

Nos anos 1950s foi arquitecto da Câmara Municipal de Cascais durante quatro anos. Nos anos 1960s foi consultor urbanista da Câmara Municipal do Montijo e nos anos 1970s da Câmara Municipal de Beja. Foi também durante cerca de ano e meio director do gabinete técnico da Habitat, em Algés.

Com os arquitectos Alberto Pessoa e Pedro Cid forma o grupo autor do projecto da Fundação Calouste Gulbenkian (1961–69), escolhido em concurso por convites, vencendo às equipas formadas por Arménio Losa, com Formosinho Sanches e Pádua Ramos, e a composta por Frederico George, Manuel Lajinha e Arnaldo Araújo.

Com Alberto Pessoa e Luís Pessoa, desenha o arranjo urbanístico para a Praça de Espanha, o programa-base do Centro de Congressos de Lisboa e o arranjo urbanístico da faixa marginal entre a Torre de Belém e a Cordoaria, com vista à implantação do Centro de Congressos e de um complexo hoteleiro de apoio, para além do edifício-sede do Metropolitano de Lisboa, em Palhavã.

A 31 de Outubro de 1969 foi feito Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada. Foi ainda distinguido com o Prémio de Arquitectura da Secção Portuguesa da Associação Internacional de Críticos de Arte em 2005.

Faleceu em 21 de Julho de 2006, em Lisboa.

Adaptado de Ruy d'Athouguia, Graça Correia, Verso da Hitória, 2013, www.vilautopia.com/pdf/ruy-dathouguia-ac.pdf e de pt.wikipedia.org/wiki/ Rui_Jervis_Atouguia

Casa Sande e Castro, Cascais (1956)

Informações sobre o documentário aqui.

Apoio:
Município de Castelo Branco

PROGRAMA:

12 de Janeiro, 19h00
Biblioteca Municipal de Castelo Branco
Sede e Museu da Fundação Calouste Gulbenkian
ALBERTO PESSOA, PEDRO CID
e RUY ATHOUGUIA
(1995, Edgar Feldman, 24'+26')

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

PROJECTAR #49


A quadragésima nona sessão da actividade PROJECTAR convida-nos a conhecer os edifícios da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, da autoria dos arquitectos Alberto Pessoa, Pedro Cid e Ruy Athouguia, e terá lugar na Biblioteca Municipal de Castelo Branco, no próximo dia 12 de Janeiro, pelas 19h00.



Exibido em duas partes pela RTP em 25 de Janeiro e em 8 de Fevereiro de 1995, na rubrica Ver Artes, um documentário apresentado por Manuel Graça Dias, com realização de Edgar Feldman:
Documentário em duas partes sobre a arquitetura dos edifícios da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e dos seus espaços envolventes. Uma obra concluída em 1969, da autoria dos arquitectos Alberto Pessoa, Pedro Cid e Ruy Athouguia, tendo os arranjos paisagísticos sido projetados pelo arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles.
Com depoimentos de Manuel Graça Dias, José Sommer Ribeiro, Ruy Athouguia, José Manuel Fernandes, Gonçalo Ribeiro Telles, Paulo Varela Gomes e José Paulo Nunes de Oliveira.

adaptado de: http://www.rtp.pt/arquivo/index.php?article=2455&tm=22&visual=4 e http://www.rtp.pt/arquivo/index.php?article=2603&tm=22&visual=4


Com estas sessões propõe-se esta Delegação da Ordem dos Arquitectos exibir documentários de Arquitectura, como forma de divulgar a vida e obra de arquitectos com importância na história e teoria da arquitectura, nacional e internacional, de várias épocas e movimentos, e assim contribuir para o enriquecimento da cultura arquitectónica na nossa região.

Estas sessões destinam-se, para além dos arquitectos da região, a outros técnicos e a todas as pessoas com curiosidade e interesse nestes temas, sendo de acesso livre mas limitadas à lotação do auditório da Biblioteca Municipal de Castelo Branco, que está disponível para o efeito.

Apoio:
Município de Castelo Branco

PROGRAMA:

12 de Janeiro, 19h00
Biblioteca Municipal de Castelo Branco
Sede e Museu da Fundação Calouste Gulbenkian
ALBERTO PESSOA, PEDRO CID
e RUY ATHOUGUIA
(1995, Edgar Feldman, 24'+26')

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

HÁ DEZ ANOS - NÚCLEO DO MÉDIO TEJO NO CONGRESSO DE ALMADA


Participação no
11.º CONGRESSO DOS ARQUITECTOS PORTUGUESES
3.º CONGRESSO DA ORDEM DOS ARQUITECTOS
23 a 25 de Novembro
Almada

Há dez anos, realizou-se o 11.º Congresso dos Arquitectos Portugueses, em Almada.
O Núcleo do Médio Tejo fez-se representar no Congresso por quatro dos seus membros, tendo sido o porta-voz da Moção A, representativa da participação conjunta dos Núcleos e Delegações da Ordem dos Arquitectos, das Secções Regionais Sul e Norte, no Congresso.

Abertura do Congresso
(Clicar na imagem para ver mais)
O trabalho desenvolvido no sentido de apresentar e desenvolver propostas de uma participação conjunta dos Núcleos e Delegações da Ordem dos Arquitectos, das Secções Regionais Sul e Norte, neste Congresso, resultou na apresentação da Moção “Estruturas Descentralizadas da Ordem dos Arquitectos, uma visão local para uma acção global”, subscrita pelos Núcleos e Delegações, e que foi aprovada por maioria no Congresso.

Apresentação da Moção A - Arq.º Rui Serrano, NMT- OASRS
(Clicar na imagem para ver mais)
O processo que teve início num encontro realizado em Abrantes, nas instalações do Núcleo do Médio Tejo, em 3 de Dezembro de 2005, e desenvolvido em reuniões realizadas em Castelo Branco (17 de Junho) e em Leiria (8 de Julho), a qual contou com a presença dos Núcleos da Secção Regional Norte, foi impulsionado e dinamizado pelo Núcleo do Médio Tejo.

Reunião na sede da Delegação do Distrito de Castelo Branco
Reunião na sede da Delegação do Distrito de Leiria
A primeira noite do Congresso terminou com uma recepção (jantar convívio) oferecida pelo Município de Almada, no Convento dos Capuchos, que contou com uma actuação dos Oquestrada.