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domingo, 1 de dezembro de 2019

ARQUITECTURA AO CENTRO #180



CASA SO
PORTO DE MÓS, ALQUEIDÃO DE ARRIMAL

Paulo Henrique Durão
Inês Belmarço, Inês Oliveira, João Ricardo Dias, João Gil Antunes, Marta Santos
Phyd Arquitectura
2019

O confronto com a realidade desta ruína foi sempre um confronto imerso em memórias. Memórias de um sítio em que a expressividade é evidente nas matérias que o constituem – A pedra, o vale e a Serra – provocam um jogo de ténue equilíbrio entre lugar, matéria, luz e sombra. Encontramos uma luz que escorria por paredes de pedra que definiam espaços contíguos, apenas separados por linhas de pedra empilhada. Em cada fissura, em cada ruga dessas linhas acentuava-se um dócil equilíbrio entre luz e sombra.
Perante este cenário, o exercício consistiu em encontrar o modo mais natural de articulação entre as ruínas e os espaços, definindo simultaneamente as possibilidades futuras de articulação entre interior e exterior. Ainda no capítulo das decisões, optou-se pela reabilitação dos volumes pré-existentes e pela introdução de um novo elemento que os viria a articular. A resposta é dada pelo gesto quase imediato de unir as pré-existências.
O gesto - profundamente ligado ao terreno que acompanha a pendente - relaciona as duas peças orientadas a nascente e origina um pátio exterior pontuado pela oliveira centenária. O projeto constrói um espaço de atravessamento e união das ruínas, que revela a evidência da função de ligação entre áreas programáticas da casa e simultaneamente diferencia as possibilidades de vivência do exterior. Expressa a sua temporalidade através do antagonismo da matéria na relação com a pré-existência.

site: phydarquitectura.com

ver mais sobre o projecto:
archdaily.com
archdaily.com.br
archilovers.com
architizer.com
designboom.com
divisare.com
emontenegro.net

sábado, 20 de outubro de 2018

ARQUITECTURA AO CENTRO #94



CASA EM LITEIROS
TORRES NOVAS, LITEIROS

Paulo Henrique Durão
Daniel Gil Tomé, Jennifer Duarte, José António Martins, Alexandre Calado
Phyd Arquitectura
2008

Sonhámos uma casa,
uma casa que crescesse das suas raízes,
que conquistasse o seu espaço entre o terreno que a alimenta, e o tronco próprio de uma árvore.

Uma casa que fosse uma árvore enraizada, que pudesse crescer, ganhar corpo, expressão e a sua própria identidade. Olhámos em volta e percebemos que entre a presença de oliveiras perfeitamente enraizadas na história daquele lugar e a morfologia do próprio terreno existia já um espaço próprio de seres vivos. Agora, o desafio era tentar tornar possível o habitar humano, neste interstício entre matéria e o raízoma de uma árvore.

Por entre memórias de uma criança que havia despertado para o mundo perto de ali, existia uma imagem ténue da extraordinária vila cardillium, sinal da outrora presença Romana. Mas nós não podíamos fazer uma casa em torno de um pátio, que raiva, perto de ali houvera um Arquitecto que pudera fazer uma casa em torno de um pátio.

Necessitávamos de fazer um muro, que cortasse a influência dos ventos de norte que sopravam gélidos, e permitisse gerar um habitar perene, os planaltos têm destas coisas.
Queríamos sobrepor as suas vivências num mesmo plano, converter o habitar dos espaços de estar, dormir, cozinhar, trabalhar, num mesmo espaço de sentido familiar, e ao mesmo tempo tão próximos e tão distantes.
Construímos um esqueleto capaz de albergar estas distintas vontades, e fizemos como muitos outros tinham feito anteriormente, colocámos uns planos verticais capazes de definir o espaço, de o orientar, de conferir-lhe escala, dobrámos esses mesmos planos no sentido horizontal para nos protegermos. Tentámos perceber se alguém lá poderia viver.

A vida contemporânea não se compadece com a existência de histórias da história.
Sonhámos uma casa para a Blimunda sete luas e para o Baltazar sete sóis.

site: phydarquitectura.com

ver mais sobre o projecto:
architizer.com
habitarportugal.org

sexta-feira, 16 de março de 2018

ARQUITECTURA AO CENTRO #57



LOJA E TEATRO RENOVA
TORRES NOVAS, ALMONDA

Paulo Henrique Durão
com Daniel Gil Tomé, Inês Belmarço, Inês Sá, João Ricardo Dias, Raul Serra, Tânia Figueiredo Dias
Phyd Arquitectura
2014

Time Capturing Machine – Store & Theatre RENOVA
“Let's indulge in a little science fiction for a moment. Time travel movies often feature a vast, energy‐hungry machine. The machine creates a path through the fourth dimension, a tunnel through time. A time traveller, a brave, perhaps foolhardy individual, prepared for who knows what, steps into the time tunnel and emerges who knows when. The concept may be far‐fetched, and the reality may be very different from this, but the idea itself is not so crazy.”
Stephen Hawking

Existia desde o início, a determinação em trabalhar o projecto como uma máquina, como uma MÁQUINA DE CAPTAR TEMPO. Naturalmente esta condição era resultante do sítio, do contexto e do espírito industrial, que se embrenhava no imaginário. Condição a que acrescia a vontade de captar o tempo e o seu discorrer, no projecto. Um discorrer de tempo e luz nos espaços, que permitisse afirmar ‐ a arquitectura capta tempo, a arquitectura captura o discorrer do tempo.
Vontade que originava diferentes questões. Como é possível, que matérias tão pouco densas, como o ar e a luz, consigam captar o tempo dentro de um espaço? Será o tempo, passível de ser capturado através da Arquitectura? Ou serão estas reflexões abusivas, apropriando‐se indevidamente de elementos não relacionáveis entre si? Espaço, Tempo e Arquitectura. Como será possível, através da Arquitectura articular estes diferentes conceitos?
A solução tomou corpo, a partir do momento em que encaramos a possibilidade de a Arquitectura ser uma MÁQUINA DE CAPTAR TEMPO, decisão que exigia uma metodologia de abordagem própria nas decisões do projecto. Por este fato, constituía‐se fundamental dividir esta questão em duas grandes áreas de actuação, SUPERFÍCIE e PERFURAÇÃO.
Pensar o projecto através da superfície, conferindo continuidade e expressão antagónica, demarcando com precisão os limites das suas superfícies fundamentais do projecto, interior e exterior. Demarcação efectuada através da matéria e da sua expressão própria, mas também através do desenho e da aferição do ponto de transição entre as duas SUPERFÍCIES. Consideramos que a superfície exterior seria construída e caracterizada, pela expressão própria do aço. Por oposição, a superfície interior seria caracterizada pela cor e pela sua expressão. O uso contínuo, de uma mesma cor ou de uma mesma matéria atribui ao projecto elevado nível de abstracção. Qualificando-o de duas superfícies, de carácter antagónico, que conferem contraste e simultaneamente enfatizam a outra premissa fundamental, a perfuração.
Perfuração sobre a superfície, que se obtém através de dois mecanismos diferentes, o corte e a perfuração propriamente dita. O corte verifica-se, nos seccionamentos efectuados na nave industrial pré-existente, resultando dessa acção as extremidades transparentes do espaço. O mecanismo da PERFURAÇÃO verifica-se nas restantes operações, variando apenas a sua escala e dimensão, consoante a qualificação pretendida nos espaços.
Procuramos através da arquitectura e desta máquina do tempo, construir espaços em que as pessoas pudessem experienciar a leveza e densidade do tempo e das suas diferentes temporalidades.

site: phydarquitectura.com

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domingo, 14 de janeiro de 2018

ARQUITECTURA AO CENTRO #42



CASA EM PEDRÓGÃO
TORRES NOVAS, PEDRÓGÃO

Paulo Henrique Durão
Daniel Gil Tomé, José António Martins, Nelson Mercê Aranha
Phyd Arquitectura
2008

abaixo do solo, sobre o ar

"A minha relação com o tempo é, antes de mais, muito particular tentando exprimi-lo de uma maneira gráfica; entendo o tempo como uma grande tela, uma tela imensa, onde os acontecimentos se projectam todos, desde os primeiros até aos agora mesmo. Nessa tela, tudo está ao lado de tudo, numa espécie de caos, como se o tempo fosse comprimido e além de comprimido espalmado, sobre essa superfície; e como se os acontecimentos, os factos, as pessoas, tudo isso aparecesse ali não diacronicamente arrumado, mas numa outra arrumação caótica, na qual depois seria preciso encontrar um sentido." (Reis, Carlos . in Diálogos com José Saramago, Editorial Caminho 1998)

Esta ideia de tempo, TEMPO PLANO, descrito pelas palavras de Saramago, é possivelmente o grande sonho que tentámos construir. Essa Ideia, da Arquitectura enquanto instrumento de captação de sítios, topografias, paisagens, usos e pessoas. Na qual o projecto desempenha apenas a missão de reter e dispor, organizar usos e qualidades do próprio sítio. Um TEMPO PLANO, arrumado pela topografia, arrumado pela função, arrumado pela qualificação do espaço. Dormir encaixado no solo, estar entre solo e ar, estar no exterior na paisagem.
Plano Horizontal onde tudo acontece, que sentiu a necessidade de compreender como se poderia construir uma casa que conseguisse capturar o sítio e as vivências. Que sentiu a necessidade de encontrar uma ligação lógica entre todas as coisas, ainda, que não pareçam ser de ali. Construir uma Casa, na qual se entra, a partir da cobertura, em que se cai, nessa descida contínua em direcção ao interior, de tudo o que existe.
Viver abaixo do solo, sobre o ar.

Viver dentro da matéria, entre a paisagem.

Como se a Casa, construísse sempre uma verdade e a sua oposição. Numa relação entre a leveza e o peso, essa antítese, essa ilusão gravítica, que sempre alimentou os sonhos dos Arquitectos ao longo da história da Arquitectura. E que sucessivamente conheceu as limitações da técnica, como limite ao sonho. Também esta casa quer construir a leveza, com o peso próprio da matéria, que a técnica do seu tempo lhe impõe.

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