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terça-feira, 23 de junho de 2020

ARQUITECTURA AO CENTRO #253



CASA POVO
LEIRIA, MARTINELA

Joel Esperança, Ruben Vaz e Eurico Sousa
Contaminar Arquitectos
2019

O projecto foi desenvolvido no Povo, nos arredores de Leiria, Portugal. Uma zona onde os elementos rochosos são predominantes na paisagem, terras calcárias, topografias irregulares e contrastes acentuados. Este contexto geológico único proporcionou de imediato aos arquitectos um ponto de partida conceptual que é ao mesmo tempo onírico e romântico sem perder a ligação ao que é a realidade física e intrínseca deste local. Surge assim a ideia de uma caverna ou gruta, um refúgio austero entalhado e denticulado que é humanizado pelos seus ocupantes. Esta premissa é um olhar e uma homenagem aos primórdios da humanidade e da sua relação simbiótica com o ambiente que habita, contém em si o paradoxo da pedra perene e agreste que se torna um refúgio natural e maternal.
Por entre uma paisagem diversa, que se caracteriza por ser aparente e empiricamente inóspita, surge num acto de coragem volumétrica uma gruta construída e idealizada inteiramente em betão. Esta moradia unifamiliar balança cuidadosamente o jogo entre o vislumbramento do pinhal envolvente e a privacidade dos seus moradores. O projecto é marcado por uma multiplicidade de circuitos que ordenam os espaços com harmonia e simplicidade através de um elemento fulcral: a luz, que interage rompendo os elementos primitivos e as linhas sinuosas com subtileza.
O programa para esta moradia T3 foi divido pelos dois pisos e meio da habitação que através de um pátio distribui, ordena e conecta tanto os espaços interiores como os percursos exteriores. O acesso principal envolve os pinhais existentes e enquadra a vegetação entre os seus muros de ângulos acentuados. Esta estrutura na entrada recorre a um pé direito de proporções generosas para se conectar à sala e permitir a visualização da paisagem norte/poente mas também proporcionar a entrada de luz e calor do pátio que está no sentido sul e que é adaptado à irregularidade do terreno intocado. Da sala acede-se a uma varanda também em betão, um espaço destinado à contemplação dos entardeceres.
Numa cota distinta nasce um acesso exterior que encaminha ao escritório, espaço que se distingue pela ampla abertura envidraçada. Esta divisão encontra-se meio piso acima e conduz também à cobertura que proporciona uma vista de 360 graus da envolvente. Daqui é possível circular através de uma outra rampa ligada ao pátio e a um acesso secundário privativo que permite aos visitantes aceder diretamente ao escritório sem invadir as restantes divisões da moradia.
A casa Povo respeita e adapta o corte do terreno em relação ao seu traçado original, diferencia-se de forma subtil e delicada mantendo uma relação harmoniosa entre o público e o privado. A distribuição espacial e a volumetria dos quartos acompanha e reflete a topografia de cotas distintas. A rampa de elevação suave permite o acesso directo ao pátio, à sala e à cozinha, ligando todos os elementos tanto pelo interior como pelo exterior.
A criação de um jardim interno com rampas confere ao projecto a integração necessária, além da expressão sensorial quase lúdica utilizada pelas crianças com a interligação do jardim até à cobertura, permitindo uma permeabilidade da gruta com os enquadramentos que seccionam os espaços construídos com o jardim.
Debaixo do escritório, a um meio piso da sala encontra-se a área de serviço (lavandaria) com ligação ao exterior. A solução adoptada possibilita a entrada de luz e ventilação natural nos rasgos criados entre cada patamar da escada que interliga a varanda da sala ao escritório no piso superior.
A necessidade de conectar os espaços cria uma forte narrativa de distribuição espacial e cumpre a sua função ao mesmo tempo que orienta o ritmo e composição da forma do objecto arquitectónico. O betão aparente com cofragem em ripado de madeira é o elemento construtivo predominante nas fachadas e remonta a uma densidade que segue uma volumetria monolítica e cria a proteção que a inspira: uma gruta humanizada.

site: contaminar.pt

ver mais sobre o projecto:
admagazine.ru
afasiaarchzine.com
ambientesdigital.com
archdaily.com.br
archidiaries.com
archilovers.com
dezeen.com
divisare.com
dwell.com
facebook.com/pg/contaminar.architects
ultimasreportagens.com

segunda-feira, 30 de março de 2020

ARQUITECTURA AO CENTRO #213



CASA TOJAL
PORTO DE MÓS, TOJAL

Joel Esperança, Ruben Vaz e Eurico Sousa
Contaminar Arquitectos
2019

De um terreno acentuado e rodeado de oliveiras surge tímida e bucólica a Casa Tojal. Num gesto rasgado, nasce como parte integrante da sua paisagem, debruça-se sobre o vale e socalca o jardim que a envolve. Os desafios e requisitos que nortearam o projeto passaram principalmente pela questão da orientação solar, pelo enquadramento da melhor vista (Norte/Poente) e por uma preocupação com a rotina diária do casal numa lógica de acessos diferenciados, ausência de obstáculos e fluidez de circulação.
Do ponto de vista formal, a moradia unifamiliar atravessa o terreno da sua cota mais alta à mais baixa, e, num acto de continuidade geométrica, esconde-se e revela-se pela relação que cria com a topografia do local. O seu desenho depurado procura sempre uma integração ora subtil ora contrastante, num jogo de equilíbrio pleno deste objeto construído na paisagem.
A edificação de um só piso é em forma de "L". A entrada separa os dois volumes em betão, um que emerge do terreno e alberga a garagem e zonas técnicas, e outro perpendicular que ocupa a largura total do lote mas que, dado o seu carácter permeável e transparente, permite uma total continuidade do desenrolar da colina que atravessa e ao mesmo tempo que se fecha para a rua e se abre para a paisagem.
A circulação é feita por dois corredores paralelos e opostos de articulação espacial que se estendem a todo o comprimento da casa. Um corredor exterior que é o alpendre na fachada sul e um corredor interior que espelha e acompanha o alpendre da fachada envidraçada voltada a norte. Esta solução permite uma distribuição fluida que estimula a dinâmica da casa ao proporcionar uma distribuição pelos espaços banhada pelo sol e com usufruto das vistas generosas.
O programa acontece ao longo deste miolo central, garantindo que todas as divisões ganham igualmente com a solução criada, uniformizando assim o balanço entre sol, vistas, privacidade e ócio. As amplas áreas sociais, a cozinha e os quartos, tiram proveito desta relação directa entre fachadas. A casa desenvolve-se com um carácter progressivo que evolui das zonas técnicas e funcionais para as sociais e privadas.
No exterior, a inclinação das palas maximiza a luminosidade nos corredores e o betão torna-se o material proeminente com linhas horizontais que contrastam com a verticalidade dos elementos de madeira aparente que pontuam as fachadas. O projeto assume uma plasticidade simples, riqueza de detalhes e pormenores marcantes. Responde harmoniosamente à necessidade de espaços de conforto e tranquilidade que se enquadram subtilmente no seu contexto paisagístico e topográfico sem perder a poética e personalidade que a caracteriza.

site: contaminar.pt

ver mais sobre o projecto:
archdaily.com
archdaily.com.br
archello.com
archidiaries.com
designboom.com
espacodearquitetura.com
homeworlddesign.com
metalocus.es
plataformaarquitectura.cl
publico.pt
ultimasreportagens.com