quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

PROJECTAR COM ALBERTO PESSOA, PEDRO CID E RUY ATHOUGUIA

A Sede e Museu da Fundação Calouste Gulbenkian, edifício projectado pelos arquitectos ALBERTO PESSOA, PEDRO CID e RUY ATHOUGUIA, vai estar em foco na quadragésima nona sessão da actividade PROJECTAR, que se realiza nesta 5.ª-feira, dia 12, pelas 19h00, na Biblioteca Municipal de CASTELO BRANCO.


ALBERTO PESSOA (1919-1985)

Alberto José Pessoa nasceu a 15 de Abril de 1919 em Coimbra (sendo por vezes referenciado como sendo natural da Figueira da Foz), e naquela cidade concluiu o ensino secundário, dedicando-se à pintura nos tempos livres.

Muda-se para Lisboa, terminando o Curso de Arquitectura na Escola de Belas-Artes de Lisboa, com 17 valores, em 1943. Desde o ano anterior trabalhava com Licínio Cruz no Gabinete do Plano de Obras da Praça do Império, sob a orientação de Cottineli Telmo.

Também sob a orientação deste mesmo arquitecto, trabalhou na Comissão Municipal das Obras da Cidade Universitária de Coimbra de 1942 a 45, nomeadamente no arquivo e remodelação da Biblioteca Central da Faculdade de Letras (1951). Mais tarde, nesta mesma cidade projectou, com a colaboração de João Abel Manta, as instalações da Associação Académica de Coimbra, construída em 1961, incluindo o Teatro Gil Vicente e o Estádio Universitário, entre outros projectos não concretizados.

De 1945 e 1946 prestou serviço na Câmara Municipal de Lisboa, onde realizou estudos de urbanização, nomeadamente, da Avenida Infante Santo. Foi também co-autor dos projectos municipais do conjunto das construções da Avenida Paris e da Praça Pasteur, exemplos de um urbanismo e arquitectura de transição, com quarteirões semiabertos, de traseiras aproveitadas para jardins e equipamentos colectivos, constituindo estas experiências municipais lisboetas as primeiras a romper significativamente com a arquitectura de tradição oficial.

Também desenvolveu a sua atividade no atelier de Francisco Keil do Amaral, com Hernani Gandra, envolvendo-se nos projectos dos centros extra-escolares para a Mocidade Portuguesa (1942), do restaurante e arranjo do jardim do Campo Grande (1945), do Parque de Monsanto (1947-53) e 1ª versão do Palácio da Cidade e outros projectos para o Parque Eduardo VII (1948-51).

Entre 1946 e 1950, Alberto faz parte do grupo ICAT (Iniciativas Culturais Arte e Técnica) fundado em 1946 por um grupo que incluía Keil do Amaral, João Simões, Veloso Reis Camelo, Paulo de Carvalho Cunha, Adelino Nunes, Hernâni Gandra, Celestino de Castro, Formosinho Sanches e Raúl Chorão Ramalho, entre outros, e em 1948 participou no 1º Congresso Nacional de Arquitetura, promovido pelo Sindicato Nacional dos Arquitectos.

A partir de 1947, instala o seu próprio atelier em Lisboa, na Avenida Guerra Junqueiro, para em 1953 o mudar para a Avenida João Crisóstomo, associando-se ao Arquitecto João Abel Manta. Desta equipa nasce o conjunto residencial e comercial do n.º 70 da Avenida Infante Santo (1954–58), galardoado com o Prémio Municipal de Arquitectura de 1956; a Piscina Municipal do Areeiro (1962) e os Pavilhões Gimnodesportivos da Direcção Geral dos Desportos (na Cidade Universitária de Lisboa, em Castro Verde, Guarda e Funchal); um conjunto urbano na Lapa (1964); o Plano de Urbanização de Agualva–Cacém (1965-67); e o Projecto do Agrupamento de Casas Económicas de Mira-Sintra, entre outros.

Também se dedicou ao ensino na qualidade de professor-assistente do Prof. Cristino da Silva, na cadeira de Projecto, nos anos de 1953 a 1962, na Escola Superior de Belas–Artes de Lisboa, assim como foi um dos directores da revista Arquitectura e membro da direcção do Sindicato Nacional dos Arquitetos, nas presidências de Porfírio Pardal Monteiro (1948-50) e de Inácio Perez Fernandes (1951-56).

Com os arquitectos Pedro Cid e Ruy Athouguia forma o grupo autor do projecto da Fundação Calouste Gulbenkian (1961–69), escolhido em concurso por convites, vencendo às equipas formadas por Arménio Losa, com Formosinho Sanches e Pádua Ramos, e a composta por Frederico George, Manuel Lajinha e Arnaldo Araújo.

Com Ruy Athouguia e Luís Pessoa, desenha o arranjo urbanístico para a Praça de Espanha, o programa-base do Centro de Congressos de Lisboa e o arranjo urbanístico da faixa marginal entre a Torre de Belém e a Cordoaria, com vista à implantação do Centro de Congressos e de um complexo hoteleiro de apoio, para além do edifício-sede do Metropolitano de Lisboa, em Palhavã.

A partir de 1979 passa a trabalhar em equipa com o Arquitecto Luís Pessoa e das suas mãos nascem os projectos de um edifício para escritórios e armazéns da Petrogal, em Cabo Ruivo; do Centro Cultural, Centro de Culto, duas escolas primárias e supermercado de Mira-Sintra; o Plano de Urbanização em Algueirão – Mem Martins, de 1500 fogos, para a Cooperativa de Habitação Económica Coopalme; o Plano de Urbanização para recuperação do bairro clandestino de Varge-Mondar, em Sintra; cinco agências da Caixa Geral de Depósitos e de novos edifícios a construir na Praça de S. Bento.

Fora de Lisboa, assinou os projectos de um conjunto de casas económicas para Portalegre; dos escritórios e laboratórios da Companhia de Cimentos Secil do Outão (na Serra da Arrábida); do Palácio da Justiça de Porto de Mós, com o Arquitecto Raul Abreu; do autosilo das Carvalheiras, no Porto; do Restaurante no Alto dos Corvos (Peniche); da Fábrica de Cimento de Luanda e de vários edifícios de grande porte destinados a habitação e comércio na mesma cidade; e da sua própria casa na Malveira da Serra.

Foi arquitecto-consultor da Câmara Municipal da Figueira da Foz durante cerca de 17 anos, onde realizou com o arquitecto Mário Pereira da Silva, o Plano Geral de Urbanização da Figueira da Foz, nos anos 60 e a sua revisão em 1980, assim como os Planos dos Vales das Abadias e do Galante, e de Urbanização e recuperação das povoações da Cova e Gala (1981), para além do estudo arquitectónico da Esplanada Silva Guimarães (1982). Foi também o autor da moradia do Dr. Azeredo Perdigão na Figueira da Foz, assim como do Plano Geral da Marginal Oceânica desde o Forte de Santa Catarina a Buarcos (1984) e com Luís Pessoa, do programa-base de um complexo turístico composto por Aparthotel, Centro de Congressos e instalações desportivas.

Recebeu duas vezes o prémio Valmor, primeiro em 1950, para premiar uma moradia no n.º 37 da Rua Duarte Pacheco Pereira e a segunda vez, em 1975, pela sede da Fundação Calouste Gulbenkian, para além do Prémio Municipal de Arquitectura de 1956 já referido. A 31 de Outubro de 1969 foi feito Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.

Faleceu em Lisboa, em 1985.

Adaptado a partir de www.cm-lisboa.pt/.../publicacoes-digitais/Toponimia/ Toponimia_lx_Alberto_Jose__Pessoa.pdf, toponimialisboa.wordpress.com/2014/07/10/ a-lisboa-de-alberto-jose-pessoa/ e de pt.wikipedia.org/wiki/Alberto_Pessoa

Conjunto urbano da Avenida Infante Santo, Lisboa (1955)


PEDRO CID (1925-1983)

Pedro Anselmo Braamcamp Freire Cid nasceu a 19 de Janeiro de 1925 em Lisboa. Em 1948 participou, enquanto estudante de arquitectura, no 1º Congresso Nacional de Arquitetura, promovido pelo Sindicato Nacional dos Arquitectos. Formou-se em Arquitectura em 1952 na Escola de Belas-Artes de Lisboa.

Colabora em diversos projectos de habitação colectiva, entre os quais o da Avenida Estados Unidos da América em Lisboa, com Manuel Lajinha e João Vasconcelos Esteves, com o qual obteve o Prémio Municipal de 1956 e que constitui um dos primeiros exemplos de aplicação das teorias do CIAM ao traçado urbano de Lisboa.

Vence o concurso para o Pavilhão Português na Exposição Universal de Bruxelas em 1958. Com os arquitectos Alberto Pessoa e Ruy Athouguia forma o grupo autor do projecto da Fundação Calouste Gulbenkian (1961–69), escolhido em concurso por convites, vencendo às equipas formadas por Arménio Losa, com Formosinho Sanches e Pádua Ramos, e a composta por Frederico George, Manuel Lajinha e Arnaldo Araújo.

Ao longo da sua vida trabalhou com vários colegas, para além dos já referidos, com Celestino de Castro, Eduardo Anahory, Fernando Torres e Daciano Costa.

A 31 de Outubro de 1969 foi feito Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada. Foi distinguido com o Prémio Valmor de 1975 pelo edifício da Fundação Calouste Gulbenkian.

A partir de 1975 ingressou no Ministério da Administração Interna, participando no lançamento dos Gabinetes de Apoio Técnico (GAT), e em 1978 assumiu a direcção do GAT de Montemor-o-Novo, situação que marcaria o reencontro com o território alentejano e com a arquitectura popular.

Faleceu em Lisboa, em 1983.

Adaptado de Dicionário de Arquitectos Activos em Portugal, do século I à actualidade, José Manuel Pedreirinho, Edições Afrontamento, 1994 e Arquitectura do Século XX: Portugal, org. Annette Beccker, Ana Tostões e Wilfried Wang, Centro Cultural de Belém, 1997

Pavilhão Português na Exposição Universal de Bruxelas (1958)


RUY JERVIS D'ATHOUGUIA (1917-2006)

Ruy de Sequeira Manso Gomes Palma Jervis d'Athouguia Ferreira Pinto Basto nasceu em Macau a 1 de Janeiro de 1917, filho de Manuel Jervis de Athouguia Ferreira Pinto Basto, oficial da marinha de ascendência Inglesa, e de sua mulher Emília de Sequeira Manso Gomes Palma.

Após a morte prematura do pai, a mãe resolve voltar para Portugal fazendo a viagem pelo Oceano Pacífico, passando pelo Hawai e pelos Estados Unidos. Em Lisboa, frequenta o Colégio Militar entre 1927 e 1936.

Ingressa na Escola de Belas-Artes de Lisboa, mas sai em 1940 por reprovar várias vezes na cadeira de Desenho Arquitectónico, e vai para a Escola de Belas-Artes do Porto, onde faz os dois primeiros anos num só, com as médias de 17 e 18 valores, e onde encontra o mestre Carlos Ramos.

Conclui o curso em 1944, ano em que regressa a Lisboa e inicia a actividade profissional no gabinete de Veloso Reis Camelo, primeiro, e depois com Filipe Nobre Figueiredo e Jorge Segurado, onde reencontra e retoma uma amizade e relação de trabalho com Sebastião Formosinho Sanchez. Em 1948 apresenta finalmente a prova de CODA, na qual obtém a classificação de 18 valores.

Trabalha em profissão liberal, destacando-se entre as primeiras obras, os projectos para o Cine-Teatro de São Pedro em Abrantes (1949), a Casa Maria Amélia Burnay (1949-51) e a Escola do Bairro de São Miguel em Lisboa (1949-53).

Desenvolve vários projectos de habitação colectiva, entre os quais, em colaboração com Sebastião Formosinho Sanchez, o bairro S. João de Deus (bairro das estacas - célula VIII do bairro de Alvalade) (1949-54), pelo qual é distinguido com o Prémio Municipal de Arquitectura de 1955 e com uma das duas únicas menções honrosas no sector da habitação colectiva no âmbito da Exposição Internacional de Arquitectura da Bienal de S. Paulo, no Brasil.

Conhece um período de significativa divulgação internacional do seu trabalho, em revistas como a Bauen+Wohen, da Suiça, a Innendkoration/Architektur und Wohnform, da Áustria, ou na francesa L'Architecture d'Aujourd'hui.

Realiza projectos de moradias, entre as quais a sua (1951-53), a Casa Sande e Castro (1954-56) e a Casa Pinto da Costa (1957-60), todas em Cascais, e os projectos da Escola do Bairro S. João de Deus (1952-56) e do Liceu Padre António Vieira (1959-63).

Entre os edifícios de habitação colectiva e de escritórios destacam-se o Edifício Residencial Lote 1, a poente da célula VIII do bairro de Alvalade, em conjunto com o arquitecto Formosinho Sanchez (1957-59), o bairro da Federação das Caixas de Previdência em Cascais (1959-60), a Torre do Infante em Cascais (1960-65), e os edifícios da Praça de Alvalade, em colaboração com o arquitecto Fernando Silva (1960-66).

Nos anos 1950s foi arquitecto da Câmara Municipal de Cascais durante quatro anos. Nos anos 1960s foi consultor urbanista da Câmara Municipal do Montijo e nos anos 1970s da Câmara Municipal de Beja. Foi também durante cerca de ano e meio director do gabinete técnico da Habitat, em Algés.

Com os arquitectos Alberto Pessoa e Pedro Cid forma o grupo autor do projecto da Fundação Calouste Gulbenkian (1961–69), escolhido em concurso por convites, vencendo às equipas formadas por Arménio Losa, com Formosinho Sanches e Pádua Ramos, e a composta por Frederico George, Manuel Lajinha e Arnaldo Araújo.

Com Alberto Pessoa e Luís Pessoa, desenha o arranjo urbanístico para a Praça de Espanha, o programa-base do Centro de Congressos de Lisboa e o arranjo urbanístico da faixa marginal entre a Torre de Belém e a Cordoaria, com vista à implantação do Centro de Congressos e de um complexo hoteleiro de apoio, para além do edifício-sede do Metropolitano de Lisboa, em Palhavã.

A 31 de Outubro de 1969 foi feito Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada. Foi ainda distinguido com o Prémio de Arquitectura da Secção Portuguesa da Associação Internacional de Críticos de Arte em 2005.

Faleceu em 21 de Julho de 2006, em Lisboa.

Adaptado de Ruy d'Athouguia, Graça Correia, Verso da Hitória, 2013, www.vilautopia.com/pdf/ruy-dathouguia-ac.pdf e de pt.wikipedia.org/wiki/ Rui_Jervis_Atouguia

Casa Sande e Castro, Cascais (1956)

Informações sobre o documentário aqui.

Apoio:
Município de Castelo Branco

PROGRAMA:

12 de Janeiro, 19h00
Biblioteca Municipal de Castelo Branco
Sede e Museu da Fundação Calouste Gulbenkian
ALBERTO PESSOA, PEDRO CID
e RUY ATHOUGUIA
(1995, Edgar Feldman, 24'+26')

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

PROJECTAR #49


A quadragésima nona sessão da actividade PROJECTAR convida-nos a conhecer os edifícios da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, da autoria dos arquitectos Alberto Pessoa, Pedro Cid e Ruy Athouguia, e terá lugar na Biblioteca Municipal de Castelo Branco, no próximo dia 12 de Janeiro, pelas 19h00.



Exibido em duas partes pela RTP em 25 de Janeiro e em 8 de Fevereiro de 1995, na rubrica Ver Artes, um documentário apresentado por Manuel Graça Dias, com realização de Edgar Feldman:
Documentário em duas partes sobre a arquitetura dos edifícios da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e dos seus espaços envolventes. Uma obra concluída em 1969, da autoria dos arquitectos Alberto Pessoa, Pedro Cid e Ruy Athouguia, tendo os arranjos paisagísticos sido projetados pelo arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles.
Com depoimentos de Manuel Graça Dias, José Sommer Ribeiro, Ruy Athouguia, José Manuel Fernandes, Gonçalo Ribeiro Telles, Paulo Varela Gomes e José Paulo Nunes de Oliveira.

adaptado de: http://www.rtp.pt/arquivo/index.php?article=2455&tm=22&visual=4 e http://www.rtp.pt/arquivo/index.php?article=2603&tm=22&visual=4


Com estas sessões propõe-se esta Delegação da Ordem dos Arquitectos exibir documentários de Arquitectura, como forma de divulgar a vida e obra de arquitectos com importância na história e teoria da arquitectura, nacional e internacional, de várias épocas e movimentos, e assim contribuir para o enriquecimento da cultura arquitectónica na nossa região.

Estas sessões destinam-se, para além dos arquitectos da região, a outros técnicos e a todas as pessoas com curiosidade e interesse nestes temas, sendo de acesso livre mas limitadas à lotação do auditório da Biblioteca Municipal de Castelo Branco, que está disponível para o efeito.

Apoio:
Município de Castelo Branco

PROGRAMA:

12 de Janeiro, 19h00
Biblioteca Municipal de Castelo Branco
Sede e Museu da Fundação Calouste Gulbenkian
ALBERTO PESSOA, PEDRO CID
e RUY ATHOUGUIA
(1995, Edgar Feldman, 24'+26')

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

PROJECTAR COM KAZUYO SEJIMA E RYUE NISHIZAWA (SANAA)


A dupla de arquitectos japoneses KAZUYO SEJIMA e RYUE NISHIZAWA estará em foco na próxima sessão da actividade PROJECTAR, a partilhar uma sessão dupla dedicada a novas espacialidades projectadas por mulheres, programada para quinta-feira 15 de Dezembro, pelas 19h00 na Sala Teófilo Carvalho dos Santos, nos Paços do Concelho de ALENQUER.

KAZUYO SEJIMA (n.1952)                                        RYUE NISHIZAWA (n.1966)

Kazuyo Sejima nasceu a 29 de Outubro de 1956 na perfeitura de Ibaraki, no Japão. Formou-se em Arquitectura na Universidade de Mulheres do Japão em 1981, ano em que começou a trabalhar no gabinete de Toyo Ito.

Ryue Nishizawa nasceu a 7 de Fevereiro de 1966 na perfeitura de Kanagawa, no Japão. Formou-se em Arquitectura na Universidade Nacional de Yokohama em 1990.

Depois do período de aprendizagem com Toyo Ito, Kazuyo Sejima fundou o seu próprio gabinete Kazuyo Sejima & Associates em 1987. Uma das suas primeiras contratações foi Ryue Nishizawa, um estudante que trabalhou com ela no gabinete Toyo Ito and Associates.

Entre as suas primeiras obras destacam-se Plataforma I Casa de Férias na perfeitura de Chiba (1987-1988) e Plataforma II Estúdio, em Yamanashi (1988-1990) que lhe valeram os primeiros prémios, e o Dormitório Feminino de Saishunkan Seiyaku, em Kumamoto (1990-1991) que lhe valeu o prémio Jovem Arquitecta do Ano em 1992 atribuído pelo Instituto dos Arquitectos do Japão.

Após vários anos a trabalhar para Sejima, Ryue Nishizawa quis sair para montar o seu próprio gabinete, mas Sejima propôs-lhe que ficasse e formassem uma parceria. Em 1995, os dois fundaram em Tóquio a firma SANAA (Sejima and Nishizawa and Associates). Mantendo a parceria, ainda assim estabelece o seu próprio gabinete the Office of Ryue Nishizawa em 1997.

Entre os projectos desenvolvidos em conjunto podem destacar-se o O-Museum, em Iida, Nagano (1995-1999), o Museu de Arte Contemporânea do Século XXI, em Kanazawa, Ishikawa (1999-2004), a Escola de Design de Zollverein, Essen, na Alemanha (2003-2006), o Pavilhão de Vidro do Museu de Arte de Toledo, no Ohio, EUA (2001-2006), o Novo Museu de Arte Contemporânea de Nova Iorque (2003-2007) e o Centro de Aprendizagem Rolex na Escola Politécnica Federal de Lausanne, Suiça (2004-2010).

Em paralelo com a actividade profissional, Sejima lecciona como professora visitante na Universidade de Arte de Tama e na Universidade de Keio, em Tóquio. Juntamente com Nishizawa, de 2005 a 2008, ocupou a Cátedra Jean Labatut na Escola de Arquitectura da Universidade de Princeton, Nova Jersey, nos Estados Unidos, onde ela também participou no conselho consultivo durante vários anos. Sejima também ensinou na Escola Politécnica de Lausanne. Nishizawa é professor na Universidade Nacional de Yokohama.

Em conjunto, Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa foram agraciados com a Arnold Brunner Memorial Medal da Academia Americana de Artes e Letras em 2002, um prémio de design do Instituto de Arquitectura do Japão em 2006, e com o Kunstpreis Berlin de 2007 da Academia de Artes de Berlim. Em 2010 receberam o Prémio Pritzker, sendo Sejima a segunda mulher a recebê-lo e Nishizawa o agraciado mais jovem.

Adaptado de en.wikipedia.org/wiki/Kazuyo_Sejima, de en.wikipedia.org/wiki/ Ryue_Nishizawa, de en.wikipedia.org/wiki/SANAA e de www.pritzkerprize.com/2010/bio


Informações sobre os documentários aqui.
Mapa de localização do local onde decorrerá a sessão aqui.

Apoio:
Município de Alenquer

PROGRAMA:

15 de Dezembro, 19h00
Sala Teófilo Carvalho dos Santos, Paços do Concelho de Alenquer
Phaeno, o edifício paisagem
ZAHA HADID

(2006, Richard Copans, 26')
O Centro de Aprendizagem Rolex
KAZUYO SEJIMA
e RYÛE NISHIZAWA
(2012, Juliette Garcias, 26')

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

PROJECTAR COM ZAHA HADID



Pela segunda vez, a arquitecta ZAHA HADID estará em foco na actividade PROJECTAR, depois de em Maio lhe ter sido dedicada uma sessão, desta vez a partilhar uma sessão dupla dedicada a novas espacialidades projectadas por mulheres, programada para quinta-feira 15 de Dezembro, pelas 19h00 na Sala Teófilo Carvalho dos Santos, nos Paços do Concelho de ALENQUER.

ZAHA HADID (1950-2016)

Zaha Mohammad Hadid nasceu a 31 de Outubro de 1950 em Bagdad, no Iraque, filha de Muhammad al-Hajj Husayn Hadid, um industrial abastado de Mosul co-fundador do grupo liberal de esquerda al-Ahali e do Partido Democrata Liberal, e de Wajiha al-Sabunji, uma artista de Mosul.

Após os estudos numa escola católica em Bagdad e em colégios internos em Inglaterra e na Suiça, Zaha Hadid formou-se em Matemática na Universidade Americana de Beirute e, em 1972, mudou-se para Londres para estudar na Escola de Arquitectura da Architectural Association, onde se formou em 1977, sendo distinguida com um Diploma Prize.

Aí conheceu, como professores, Rem Koolhaas, Elia Zenghelis, com os quais vai trabalhar no Office of Metropolitan Architecture (OMA), em Roterdão, e Bernard Tschumi.

Estabeleceu-se em Londres com gabinete próprio em 1980. Os primeiros anos são difíceis, ocupados principalmente com trabalhos de investigação e experimentação, em desenhos e pinturas, destacando-se a vitória no concurso para um centro recreativo e de lazer do Hong Kong Peak Club em 1983, que no entanto, não chegou a ser realizado.

Este trabalho teórico e pictórico torna-se conhecido em várias exposições, entre as quais a retrospectiva na Architectural Association em Londres, em 1983, e a "Deconstructivism in Architecture" no Museum Of Modern Art em Nova Iorque, em 1988. Por estes anos também dá aulas na Harvard Graduate School of Design e na Architectural Association.

As primeiras obras construídas foram o conjunto habitacional IBA em Berlim (1986-93) e o quartel de bombeiros da fábrica Vitra em Weil am Rhein (1993-94). Seguem-se os projectos realizados para o parque de estacionamento e Terminal Hoenheim Norte em Estrasburgo (2001), o Bergisel Ski Jump em Innsbruck (2002), e o Rosenthal Center for Contemporary Art em Cincinnati, no Ohio (2003).

Paralelamente Zaha Hadid continua a envolver-se no meio académico, leccionando como professora convidada na Harvard University, na Yale University, na University of Illinois em Chicago, na Columbia University, na University of Visual Arts em Hamburgo e na University of Applied Arts em Viena.

O seu trabalho é várias vezes distinguido em concursos internacionais, nos quais aposta fortemente, embora nem sempre com o resultado esperado, como no caso do projecto para a Cardiff Bay Opera House (1995), que mesmo após vencer as três fases do concurso não viu o seu projecto ser concretizado. Mas resultam de concursos as suas primeiras grandes obras, como o BMW Central Building em Leipzig (2001-2005), o Centro de Ciência Phaeno em Wolfsbourg (2000-2005) ou o MAXXI Museu Nacional das Artes do Século XXI em Roma (1998-2010).

Por concurso ou por encomenda directa, as suas obras começam a espalhar-se pelo mundo, crescendo em volume e quantidade, entre as quais se destacam: o Pavilhão Ponte para a Expo 2008 em Zaragoza, a Torre CMA CGM em Marselha (2004-2011), a Academia Evelyn Grace em Brixton, Londres (2006–10), a Opera de Guangzhou (2005-2010), o Galaxy Soho em Pequim (2012), o London Aquatics Centre (2011) para os Jogos Olímpicos de Londres 2012, ou o Centro Cultural Heydar Aliyev em Baku (2007–12).

Foi distinguida com muitos prémios, sendo em muitos deles a primeira e única mulher a recebê-los, destacando-se o Prémio de Arquitectura Contemporânea da União Europeia em 2003, o Prémio Pritzker em 2004, o RIBA European Award em 2005, 2006, 2008, 2010, 2013 e 2014, o Praemium Imperiale em 2009, ou o Stirling Prize em 2010 e 2011.

Faleceu de ataque cardíaco em 31 de Março de 2016, em Miami, onde se encontrava a tratar uma bronquite, deixando uma grande quantidade de projectos e obras em curso.

Adaptado de en.wikipedia.org/wiki/Zaha_Hadid e de www.pritzkerprize.com/2004/bio


Informações sobre os documentários aqui.
Mapa de localização do local onde decorrerá a sessão aqui.

Apoio:
Município de Alenquer

PROGRAMA:

15 de Dezembro, 19h00
Sala Teófilo Carvalho dos Santos, Paços do Concelho de Alenquer
Phaeno, o edifício paisagem
ZAHA HADID

(2006, Richard Copans, 26')
O Centro de Aprendizagem Rolex
KAZUYO SEJIMA
e RYÛE NISHIZAWA
(2012, Juliette Garcias, 26')

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

PROJECTAR #48


A quadragésima oitava sessão da actividade PROJECTAR desafia-nos a conhecer a singular espacialidade das obras da arquitecta Zaha Hadid, em Wolfsburg, e da dupla japonesa do gabinete SANAA, Kazuyo Sejima e Ryûe Nishizawa, em Lausanne, em mais uma sessão dupla que terá lugar na Sala Teófilo Carvalho dos Santos, nos Paços do Concelho de Alenquer, no próximo dia 15 de Dezembro, pelas 19h00.



Ambos da série Architectures, o primeiro documentário, realizado por Richard Copans em 2006, leva-nos a conhecer o Centro de Ciências Phaeno, projectado pela arquitecta Zaha Hadid:
Um edifício excepcional criado por Zaha Hadid, a única mulher arquitecta no grande palco internacional, recentemente desaparecida.
No final dos anos 1990, para afirmar uma identidade forte face ao seu poderoso contribuinte Volkswagen, a cidade de Wolfsburg, situada entre Berlim e Hanôver, decide construir um Centro de Ciências. O projecto é atribuído à arquitecta Zaha Hadid, única mulher arquitecta no palco internacional, que imagina um edifício triangular pousado sobre cones onde se alojam as funções secundárias (recepção, restaurante, loja). Denominado Phaeno (como fenómeno), ele acolhe duzentos e cinquenta locais de experimentação científica, lúdicos e pedagógicos. O edifício propõe um trajecto, um encadeamento de pontos de vista, um modo de estar no mundo e de experimentar o espaço, uma experiência a viver ao mesmo nível que as experiências sobre a visão, a matéria ou a energia.


in: http://boutique.arte.tv/f1647-architecturesphaeno



O edifício em foco no segundo documentário, realizado em 2012 por Juliette Garcias, é o Centro de Aprendizagem Rolex, projectado pela dupla japonesa do gabinete SANAA, Kazuyo Sejima e Ryûe Nishizawa:
Pousado nas margens do lago Léman, uma onda de betão e de vidro, que inspira, desde a sua construção em 2010, inúmeras metáforas!
Alguns vêem nele uma fatia de Emmental, um tecido molecular, outros ainda um tapete voador carcomido. É verdade que o edifício não se parece com nada conhecido e a sua forma não permite realmente adivinhar o que abriga. É o que chamam um Centro de Aprendizagem, um novo conceito que designa um espaço multifuncional dedicado ao conhecimento.
Neste volume flutuante de mais de 20.000 m2, não há uma única parede. Às divisórias que separam, os arquitectos preferiram uma topografia artificial, feita de montes em suave inclinação e vales. Os estudantes deambulam, passam da biblioteca ao restaurante, das salas de trabalho à sala de conferências deslizando de uma colina para um vale, sem nunca atravessar uma porta. O público fabrica o seu próprio caminho, de acordo com a sua curiosidade, em espaços nos quais ele tem de transformar ou reinventar as funções.
É um lugar sem igual, grande gesto plástico de arquitecto, que revoluciona a nossa concepção do espaço e propõe uma experiência física completamente inédita.


in: http://boutique.arte.tv/f8545-architectures_rolex_learning_center



Com estas sessões propõe-se esta Delegação da Ordem dos Arquitectos exibir documentários de Arquitectura, como forma de divulgar a vida e obra de arquitectos com importância na história e teoria da arquitectura, nacional e internacional, de várias épocas e movimentos, e assim contribuir para o enriquecimento da cultura arquitectónica na nossa região.

Estas sessões destinam-se, para além dos arquitectos da região, a outros técnicos e a todas as pessoas com curiosidade e interesse nestes temas, sendo de acesso livre mas limitadas à lotação da Sala Teófilo Carvalho dos Santos, nos Paços do Concelho de Alenquer, que está disponível para o efeito.

Apoio:
Município de Alenquer

PROGRAMA:

15 de Dezembro, 19h00
Sala Teófilo Carvalho dos Santos, Paços do Concelho de Alenquer
Phaeno, o edifício paisagem
ZAHA HADID

(2006, Richard Copans, 26')
O Centro de Aprendizagem Rolex
KAZUYO SEJIMA e RYÛE NISHIZAWA

(2012, Juliette Garcias, 26')

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

HÁ DEZ ANOS - NÚCLEO DO MÉDIO TEJO NO CONGRESSO DE ALMADA (3.º DIA)

Participação no
11.º CONGRESSO DOS ARQUITECTOS PORTUGUESES
3.º CONGRESSO DA ORDEM DOS ARQUITECTOS
23 a 25 de Novembro
Almada

Aqui ficam algumas fotos do terceiro dia do 11.º Congresso dos Arquitectos, cujo programa pode ser recordado aqui.
No Teatro Municipal de Almada, o dia começou com a conferência Trabalhos Recentes por William Alsop do gabinete Alsop & Partners, e Presidente da Architecture Foundation, seguida da apresentação das Conclusões das Sessões de Trabalho e respectivo debate.
Conferência por William Alsop
(clicar na imagem para ver mais)

Seguiu-se, na Academia Almadense, a realização da Assembleia Geral para apresentação das moções finais e votação das conclusões.

Assembleia Geral do Congresso
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O encerramento do 11.º Congresso teve lugar na Casa da Cerca - Centro de Arte Contemporânea, com o cocktail de encerramento e visita à Exposição 1950-2000 Cinquenta anos de Arquitectura e Urbanismo em Portugal através da obra de Francisco Silva Dias, com visita guiada pelo próprio.
Visita guiada pelo Arq.º Francisco Siva Dias à exposição dedicada à sua obra
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