quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

HÁ DEZ ANOS - IAP XX E DUARTE CASTEL-BRANCO

A 15 de Fevereiro de 2007, no dia de encerramento da exposição itinerante IAPXX Inquérito à Arquitectura do Século XX em Portugal, promovida pela Ordem dos Arquitectos, e que o Núcleo do Médio Tejo, em parceria com o Município de Abrantes, diligenciou trazer à região, realizou-se a conferência Duarte Castel-Branco, arquitecto, urbanista, um percurso, uma obra, o primeiro dos eventos dedicados a assinalar os oitenta anos de vida deste arquitecto com raízes em Abrantes.

Com lugar na Biblioteca Municipal António Botto, a conversa moderada pelo Dr. Francisco Lopes, contou com a presença e intervenção do próprio homenageado e com os testemunhos do arquitecto Patrício Martins e do engenheiro José Viegas, e ainda com a participação do arquitecto Michele Cannatà. Na assistência, entre amigos e familiares e arquitectos da região, contou-se com a presença e participação do arquitecto Bernardino Ramalhete.


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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

RISCAR A ARQUITECTURA NO MUSEU NACIONAL FERROVIÁRIO


No próximo domingo, 19 de Fevereiro de 2017, das 10h00 às 18h00, realiza-se um encontro dos Urban Sketchers Portugal (USkP) e dos Ribatejo Sketchers (RSk), com o apoio da Delegação do Centro da Ordem dos Arquitectos - Secção Regional do Sul, para desenhar no Museu Nacional Ferroviário, localizado aqui, no Entroncamento, estação de paragem da maioria dos comboios Regionais e InterCidades da Linha do Norte.

A Delegação do Centro da Ordem dos Arquitectos oferece o almoço aos participantes.
Informações sobre o valor do bilhete de entrada no museu por e-mail.
A INSCRIÇÃO é OBRIGATÓRIA para o e-mail até 18 de Fevereiro de 2017.
Contactos: Rita Caré e Raquel Sousa - rita.s.care@gmail.com

O Museu Nacional Ferroviário conta a história do caminho de ferro em Portugal e remete para uma perspetiva singular da história da Europa e do Mundo. Técnica, arte e ciência cruzam-se com as narrativas das Sociedades, dos Grupos e dos Indivíduos. O caminho de ferro desbravou novos territórios, criou cidades, ligou comunidades mais ou menos longínquas, criou e sustentou novas ofertas e necessidades, mudou a forma de ver o mundo.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

HABITAR PORTUGAL 12-14 EM CASTELO BRANCO

Prosseguindo a itinerância planeada, após a etapa de Lisboa, a exposição HP 12-14 inaugura na tarde de sábado 11 de Fevereiro (prolongando-se até Domingo, 12 de Março) no Museu Tavares Proença Júnior, em Castelo Branco, incluindo o Programa Paralelo de Debates e Apresentações de obras

Em Castelo Branco as obras em destaque são:
Data Center Portugal Telecom, Carrilho da Graça arquitectos - JLCG;
Torre da Palma Wine Hotel, João Mendes Ribeiro + Luísa Bebiano;
Escola de Kapalanga, Luanda, Angola, Paulo Moreira + PARQ arquitectos;
Lubango Centre, Lubango, Angola, Promontório Arquitectos

Está a arquitectura sob resgate?

A selecção de obras de arquitectura reunidas nesta edição Habitar Portugal faz-se perante uma pergunta: está a arquitectura sob resgate? O resultado pretende ser, mais do que uma conclusão, uma reflexão em aberto. As oitenta obras que aqui se apresentam são cada uma delas propostas para a construção da percepção de um momento significativo para a arquitectura portuguesa. O tema proposto deve ser lido como um enquadramento e os critérios para a sua reunião, previamente comunicados, são um seu suporte. O período a que esta edição corresponde, 2012-2014, é coincidente com o programa de resgate financeiro a que Portugal esteve sujeito. Quis-se, por isso, analisar e compreender o impacto que inevitavelmente este facto teve na prática dos arquitectos portugueses. A observação destas obras não torna evidente uma preocupação específica com os programas ou as actuações que, de uma forma ou de outra, incorporaram a actual situação social, política e económica como um seu motivo. Procura, antes, perceber qual o impacto desse estado que ainda não sabemos quanto de transitório terá, de que formas se manifesta e que consequências deixa. A arquitectura é uma prática social e, por isso, dependente e condicionada pelos meios através dos quais as sociedades projectam em forma, objecto e espaço, o momento por que passam. Ao mesmo tempo tem um autor ou autores, o que significa que cada arquitecto é um filtro que reorganiza ideias várias e de proveniências distintas e as materializa numa obra. A arquitectura é ainda uma prática autoral por muito que queira participar de fenómenos alargados ao espaço social onde se move. As obras que aqui se apresentam são disso testemunho, a variedade de opções, práticas e posicionamentos é evidente mesmo quando as queiramos olhar desde um enquadramento determinado.

A exposição que aqui se apresenta, que a Câmara Municipal de Castelo Branco e o Museu Francisco Tavares Proença Júnior decidiram acolher, faz parte de um conjunto de mostras que percorrerá o país, procurando nas suas diversas manifestações compreender, discutir e reportar o estado e a condição da arquitectura portuguesa que hoje vivemos considerando o acervo que Habitar Portugal já constitui. Para esse efeito, cada exposição é única quer no seu layout, quer na parede que reúne os elementos de um processo de trabalho e de reflexão do comissariado que se estenderá ao longo da totalidade do processo de itinerância contribuindo com conteúdos originais para cada uma. No MFTPJ, e procurando entender o contexto em que cada mostra HP 12-14 se faz, o destaque é dado a duas obras geograficamente próximas em confronto com outras duas construídas fora de Portugal por arquitectos portugueses. O tema proposto para o debate no programa paralelo, “Periferias e visibilidade, estratégias de afirmação”, procura debruçar-se sobre alguns aspectos da prática da arquitectura fora dos grandes centros urbanos que se entende serem oportunos neste contexto convocando à discussão áreas distintas de conhecimento. Esta possibilidade de uma reflexão expandida inclui-se no esforço de fazer desta edição HP 12-14 uma oportunidade para cruzar olhares de diferentes origens e, igualmente, alargar o seu âmbito às suas cinco edições anteriores que desde o ano 2000 reúnem já um acervo de cerca de 400 obras. Um palimpsesto de registos que sugerem um esforço de comparação com o momento em que vivemos.

O processo de resgate da economia portuguesa pressupôs um reajustamento como consequência deste estado de suspensão e reavaliação do seu estado anterior. Os processos de crise foram sendo historicamente momentos fecundos para a arquitectura e para a sua história. Como podemos então ver e perceber este por que passamos agora? Se a arquitectura está sob resgate, como é o seu reajustamento?


Luis Tavares Pereira, Bruno Baldaia e Magda Seifert
Comissários HP 12-14

PROGRAMA PARALELO

16 de Fevereiro 2017
Periferias e visibilidade, estratégias de afirmação.
Bernardo Rodrigues, Nuno Costa Santos, Carlos Semedo, José Afonso.

O debate do Habitar Portugal em Castelo Branco permite discutir algumas questões importantes para a arquitectura contemporânea em Portugal. Em primeiro lugar as assimetrias regionais. A concentração de pessoas e recursos na faixa litoral tem tido como consequência óbvia um processo de desertificação do interior que se faz essencialmente sobre os meios rurais. Aos fluxos migratórios em curso as cidades do interior têm tentado captar os seus novos habitantes através da construção de polaridades que dependem da sua capacidade de atracção que decorre da qualidade de vida alternativa à deriva pelos grandes centros. As estratégias são diversas mas todas dependem das condições que se estabelecem para que cada um desses centros seja visível, exista no espaço dos media, esteja presente nas opções de investimento para que existam oportunidades para a vida que nelas se possa fazer. Ao ser periférico corresponde uma estratégia de afirmação que pode passar pela identidade que necessita dos sinais que a veiculam, ou pela construção de novas identidades que a projectem. Castelo Branco parece ser um caso específico entre a criação de condições estruturais que fixem os seus habitantes e ao mesmo tempo o desejo de criar condições para que existam novas possibilidades. E a arquitectura, que papel tem aqui?

22 de Fevereiro 2017
Apresentação obras Norte III, Sul III e Fora de Portugal I
Data Center Portugal, João Luís Carrilho da Graça
Escola de Kapalanga, Paulo Moreira + PARQ arquitectos
Lubango Center, Promontório
Torre de Palma Wine Hotel, João Mendes Ribeiro + Luísa Bebiano

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

PROJECTAR COM COTTINELLI TELMO


COTTINELLI TELMO (1897-1948)

José Ângelo Cottinelli Telmo nasceu a 13 de Novembro de 1897 em Lisboa, filho de Cristiano da Luz Telmo, tenor lírico, e de Cecília Cottinelli Telmo, professora de piano. De 1907 a 1914 frequenta o Liceu Central de Pedro Nunes, em Lisboa, onde conclui o Curso Geral dos Liceus (5.ª classe) e o Curso Complementar de Ciências (7.ª classe). Frequenta as aulas de desenho da Sociedade de Belas-Artes do Liceu de Pedro Nunes.

Em 1915 é admitido na Escola de Belas-Artes de Lisboa, onde conclui o Curso Especial de Arquitectura Civil em 1920. Neste período integra o projecto cinematográfico Lusitania Film, com Leitão de Barros, entre outros; participa, como bailarino, nos bailados de Almada Negreiros no Teatro de São Carlos e, também neste teatro, compõe música e dirige a orquestra na festa dos estudantes de Belas-Artes (1918).

Em 1920 cria a banda-desenhada (texto e desenhos) de As Aventuras Inacreditáveis (e com Razão) do Tio Pirilau que Vendia Balões, publicada no semanário ilustrado ABC, cujo sucesso motivou a criação da primeira revista infantil: ABCzinho, que dirigiu de 1921 a 1929, sendo responsável por grande parte do seu conteúdo; faz capas, textos, ilustrações, banda desenhada, (foi autor de páginas autónomas onde confluem texto e imagem, colaborando, em muitas outras, como argumentista, com artistas como Carlos Botelho).

Entre 1921 e 1922 colabora na Ilustração Portuguesa, dirigida por António Ferro, e realiza os seus primeiros projectos, como o Pavilhão de Física e Química do Liceu de Gil Vicente, em Lisboa, em coautoria com Luís da Cunha (demolido em 1945), e vence, com Carlos Ramos e Luís da Cunha, o concurso para a construção do Pavilhão de Honra de Portugal na Exposição Internacional do Rio de Janeiro, Brasil.

Em Abril de 1923 é admitido como Arquitecto na Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, para a qual irá realizar numerosos projectos, vários deles com Luís da Cunha e Vasco Palmeiro Regaleira. Em colaboração com o primeiro destacam-se a Escola Camões (1923-28), o bairro do mesmo nome, as casas e diversos equipamentos (1924-27) no Entroncamento, ou o Edifício de passageiros da Estação de Coimbra A / Edifício da Estação Nova (1923-31).

Com projecto seu, são realizados os edifícios de passageiros para o Apeadeiro de Alcântara-Mar, em Lisboa (1927-28), o da Estação de Tomar (1928-31), da Estação Fluvial de Sul e Sueste / Estação do Terreiro do Paço, em Lisboa (1928-32), da Estação do Carregado (1930-31) ou o Sanatório Ferroviário da Covilhã (anteprojecto 1927-28, projecto 1933-36).

Paralelamente à sua actividade na CP, realiza os projectos do Liceu Latino Coelho, em Lamego (1931-37), a formalização arquitetónica do estúdio Cinematográfico da SPFSTK (Tobis), em Lisboa, a partir do projecto de construção da autoria do engenheiro francês P. Richard (1932-34, demolido) e concorre aos concursos para o Monumento ao Infante D. Henrique, em Sagres (em colaboração com Bernardino Coelho, Rui Roque Gameiro e Albuquerque Bettencourt, 1934) e do melhoramento estético da Praça do Rossio, em Lisboa (1934), ambos não executados.

Em 1933 realizou e escreveu o argumento do filme “A Canção de Lisboa", a primeira longa-metragem sonora inteiramente rodada em Portugal, com um elenco que incluía Vasco Santana, Beatriz Costa e António Silva, e se tornou a matriz das chamadas “comédias à portuguesa”.

Em 1934 integra a Comissão das Construções Prisionais, onde trabalha em parceria com Rodrigues Lima e reporta directamente a Duarte Pacheco, o então ministro das Obras Públicas e Comunicações. Para aí elabora o projecto não executado para a Colónia Penal do Tarrafal, em Cabo Verde (1935-36), o projecto-tipo para cadeias comarcãs-tipo (1936-37), os projectos de adaptação e remodelação dos edifícios existentes da Colónia Penal de Alcoentre, Azambuja (1935-44), e das Cadeias Comarcãs de Alenquer (1936), de Fornos de Algodres (1936-37), de Alijó, Vila Real, e de Celorico da Beira (1937), de Arganil (1937-42) e de Oliveira de Azeméis (1938), e ainda o projecto da Prisão-Escola / Estabelecimento Prisional Especial de Leiria (1938-1940).

Para a CP, continua a projectar vários edifícios, como os armazéns de víveres para as estações do Cacém (1935-37, ampliação 1941), do Entroncamento (1935-39) - onde actualmente está instalado o Museu Nacional Ferroviário -, e para o Terminal do Barreiro (1935-45). Destaque também para as torres de sinalização e manobra ferroviária para as estações de Ermesinde (1935-37), de Pinhal Novo, Palmela (1936-38), do Rossio (1939), ou de Campolide, em Lisboa (1940).

A título particular também projectou algumas moradias e edifícios residenciais em Lisboa, como a Casa Pinto Osório na Rua Dr. António Cândido n.ºs 3-5 (1935-36), a Casa Valadas Fernandes, na Avenida do México n.ºs 3-5 (1937), o Edifício na Travessa do Abarracamento de Peniche n.º 7 / Casa dos Artistas (1939-42), a Casa Pereira Caldas na Avenida do Restelo, n.ºs 26-26A (1941-45), e o prédio de rendimento na Avenida da República, n.ºs 99 a 99D, (1946-51) cujo acompanhamento da execução da obra após a sua morte foi assegurado Carlos Ramos.

Em 1936 adere à Legião Portuguesa e compõe a música do hino da Mocidade Portuguesa. Em 1937-38 realiza três documentários de temática ferroviária: Máquinas e Maquinistas, Obras de Arte e Gente da Via. Cria algumas séries de selos postais como As Colónias Portuguesas (1936), Castelos Portugueses (1942), Grande Exposição Industrial Portuguesa (1947) e Exposição de Obras Públicas, Congressos de Engenharia e Arquitetura (1948).

De 1938 a 1940 integra a Comissão Organizadora das Comemorações dos Centenários, em parceria com Paulino Montez, Porfírio Pardal Monteiro e Raul Lino. Neste período e depois em 1942 foi director da revista oficial do Sindicato Nacional dos Arquitetos e é colunista de crítica de arte no jornal Acção (1941-42).

Em 1939 é nomeado arquitecto-chefe da Exposição do Mundo Português (1940), sendo coautor do plano geral da exposição, com Paulo Cunha e António Lino e autor dos seguintes projectos: Pavilhão dos Portugueses no Mundo (demolido em 1956), Padrão dos Descobrimentos, com a colaboração do escultor Leopoldo de Almeida (demolido em 1943 e reconstruído definitivamente em 1960, contrariamente à sua vontade, por ocasião das Comemorações do V Centenário da Morte do Infante D. Henrique), Jardim da Praça do Império e da Fonte Luminosa (adaptação do projecto de Vasco Lacerda Marques), Porta da Fundação (segunda versão — demolido), Pavilhão dos Caminhos-de-Ferro e Portos (1940), com a colaboração de Paulo Cunha (demolido) e complementos diversos para a exposição (ogivas da Secção Histórica, baixos-relevos, elementos de iluminação, etc.).

Em vários projectos no âmbito da arquitectura na Exposição do Mundo Português, trabalha com: Cassiano Branco (largo fronteiro à entrada da Secção Colonial), Keil do Amaral (Parque de Atracções), Raul Lino e Jorge Segurado (núcleos das Aldeias Portuguesas), Cristino da Silva (Pavilhão de Honra e de Lisboa), Porfírio Pardal Monteiro (Pavilhão dos Descobrimentos), Carlos Ramos (Pavilhão da Colonização), Veloso Reis Camelo e João Simões (conjunto de pavilhões da Etnografia Metropolitana), António Lino (Parque Infantil e Jardim dos Poetas Líricos e Secção de Etnografia), Paulo Cunha (Teatro ao Ar Livre), Vasco Lacerda Marques (Porta da Restauração), Rodrigues Lima (Pavilhão da Fundação, Pavilhão da Formação e Conquista, Pavilhão da Independência), Gonçalo de Mello Breyner e Vasco Palmeiro Regaleira (Secção de Etnografia), Adelino Nunes (Pavilhão dos Correios e Telecomunicações); no âmbito da produção da Exposição do Mundo Português conta com a colaboração de uma equipa multidisciplinar constituída por: Gustavo de Matos Sequeira, Afonso Dornelas, Júlio Caiola, Norberto de Araújo, Pastor Macedo, Leitão de Barros, Fontoura da Costa, Quirino da Fonseca, Henrique Galvão.

Pelo êxito alcançado e pelo talento demonstrado, Cottinelli foi encarregado, nos anos imediatos, de um conjunto de outras intervenções emblemáticas: é nomeado Arquitecto-chefe da Comissão Administrativa do Plano de Obras da Cidade Universitária de Coimbra (1941-1948) (sendo substituído, após a sua morte, por Cristino da Silva), onde trabalha com Maximino Correia e ainda com Baltazar de Castro, que assistia à comissão enquanto arquitecto especializado em obras em monumentos nacionais, representando a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais; e é autor do anteplano de Urbanização de Fátima, Ourém (1943), parcialmente construído a partir de 1948.

Entre 1941 e 1945, integra a Comissão Administrativa do Plano de Obras da Praça do Império e da Zona Marginal de Belém, o plano que ia transformar Belém numa área dedicada ao património, à cultura e ao lazer, onde trabalha em colaboração com Sá e Melo, com quem já havia trabalhado no Comissariado da Exposição do Mundo Português (comissário-adjunto) e na Comissão Administrativa do Plano de Obras da Cidade Universitária de Coimbra, e ainda com os jovens arquitetos Lucínio Cruz, Bernardim Fabião, Alberto José Pessoa, João Castilho e Edgar Duarte de Almeida (os mesmo que trabalham na Comissão Administrativa do Plano de Obras da Cidade Universitária de Coimbra).

Projecta mais algumas casas, em Oeiras, a Casa Zacarias Santana, na Avenida Miguel Bombarda (1941-42), em Cascais, a Casa de São Silvestre, na Avenida de Sabóia (1942), o “Casinhoto”, uma casa para a família em Sintra (1943-48) ou a casa do reitor da Universidade de Coimbra (1944).

Entre os projectos de desenho urbano destacam-se a Esplanada Dr. António da Silva Martins, em Abrantes (1941-42, demolida), a escadaria monumental para a Cidade Universitária de Coimbra (1943-50), o Plano Director de Urbanização de um bairro para sessenta casas desmontáveis (100 habitações) e projectos de casas-tipo, em Coimbra (1945) ou o jardim e monumento à memória do bispo D. Manuel de Portugal, em Lamego, em colaboração com Francisco Franco (1946-1948).

Entre os projectos que continua a elaborar para a CP, realizam-se o cais coberto para a Estação de Santa Apolónia, em Lisboa (1943) e os armazéns de víveres da Estação de Campanhã, no Porto (1943-45) e da Estação de Alfarelos, Soure (1945-47).

Realiza também projectos de instalações industriais para a Electro-Arco Lda. em Lisboa, Amadora e Lourenço Marques (Maputo) (1943), da Standard Elétrica, na Avenida da Índia em Lisboa (1944-48) e da Fábrica Barros Ld.ª na Avenida Infante D. Henrique em Lisboa (1947-52) sendo o acompanhamento da execução da obra assegurado por Veloso Reis Camelo a partir de 1948.

Em 1941 é nomeado, por Raul Lino, para vogal da Academia Nacional de Belas-Artes. Em 1941 é eleito Secretário da Direcção do Sindicato Nacional dos Arquitectos, sendo eleito presidente do mesmo em 1945, cargo que ocupa até Março de 1948, quando é derrotado pela lista encabeçada por Keil do Amaral (que é impedido de tomar posse do cargo por motivos de ordem política).

Assume a residência da Comissão Executiva do I Congresso Nacional de Arquitectura em 1947, assegurando a realização do primeiro Congresso desta classe profissional de 28 de Maio a 4 de Junho de 1948. Esta foi a sua última intervenção pública, antes do dramático acidente de pesca que o vitimou em 18 de Setembro de 1948.

Em 1961 é-lhe atribuída, a título póstumo, a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa, pela Câmara Municipal de Lisboa.


Ante-projecto da Standard Eléctrica (1944)

Informações sobre os documentários aqui.
Mapa de localização do local onde decorrerá a sessão aqui.

Apoio:
Museu Nacional Ferroviário, Entroncamento

PROGRAMA:

9 de Fevereiro, 19h00
Carruagem auditório, Museu Nacional Ferroviário, Entroncamento
COTTINELLI TELMO
Uma Vida Interrompida

(2013, António-Pedro Vasconcelos e Leandro Ferreira, 58')