terça-feira, 16 de outubro de 2018

ARQUITECTURA AO CENTRO #93



CASA E ATELIERS
CASTELO BRANCO, CHÃO DA VÃ

Cláudia Melo
Cláudia Melo Arquitectura
2011

O projecto de uma residência e ateliers para artes tem a intenção de criar um complexo para trabalhar e viver, ao invés de ser somente uma casa. Foi especialmente projectada para as necessidades de seus habitantes - um casal de artistas visuais - e de acordo com o terreno - uma paisagem grosseira com um clima quente e seco entre a cidade de Castelo Branco e a Espanha. O local específico possui um pequeno rio, pedras e uma vegetação superficial com um sentido único de beleza. Não há árvores excepto ao lado do rio e um penhasco domina o terreno e permite vistas de 360 graus. A construção situa-se aqui.
Este complexo para trabalhar e viver possui um centro, um campo aberto como um pátio que organiza todos os espaços - interior, exterior e circulações. Funcionalmente, este vazio é equivalente a um claustro medieval já que é um local entre o interior e o exterior que pode ser percorrido em toda sua extensão. Os espaços adjacentes são fragmentados em blocos de acordo com sua funcionalidade - do doméstico ao público, incluindo as circulações. Os volumes são distribuídos de norte a sul e do público ao privado e os primeiros volumes vistos da entrada são os ateliers que protegem a residência. Uma narrativa com objectivo e estética funcionais revelam um código: volumes que correspondem a locais para viver/trabalhar são cinzentos e fazem apelo à estabilidade devido aos seus acabamentos feitos de blocos de betão e chapas de aço com linhas horizontais. No sentido oposto, as circulações são vibrantes e dinâmicas já que são vermelhas, feitas com chapas de aço com linhas verticais e projectadas com geometria complexa.
A conjunção complementar de materiais e cores reflectem as residências tradicionais de Castelo Branco, onde as paredes são sólidas, feitas com pedra cinzenta, portas de madeira e janelas pintadas de vermelho. Vermelho é a melhor cor para proteger o interior tanto do calor quanto do frio extremo devido ao seu espectro de cor.
Sustentabilidade é uma questão muito importante e a residência está organizada em dois pavimentos que estão integrados na paisagem natural. A maioria dos compartimentos está virado para o sul e são sombreados pela geometria de varandas e grelhas para receber a luz natural e o ganho de calor durante o inverno e os evitando no verão. A ventilação transversal natural permite um arrefecimento natural da edificação especialmente nas noites de verão. A massa termal das paredes de betão ajudam criando uma bateria de calor para prevenir a radiação solar excessiva no verão e minimizando a perda de calor do interior no inverno. Materiais e soluções construtivas de baixo custo também expressam a sustentabilidade e arquitectura sem desperdício.
No primeiro pavimento o quarto do casal possui uma instalação sanitária integrada devido a razões de estética, funcionais e sustentáveis: a instalação sanitária está virada para sul por uma grande janela e é separada do quarto por grandes portas-janela. No verão estas portas são abertas e a ventilação natural vem do exterior para resfriar tanto o quarto quanto a instalação sanitária. No inverno elas fecham ambos os espaços e uma zona tampão é criada na instalação sanitária para receber a radiação solar do exterior, introduzindo-a no quarto através de convecção.
A paisagem rude agora absorve este novo elemento e os proprietários que ali vivem estão imprimindo seus próprios padrões de tempo e espaço. A edificação agora pertence a todos eles.

site: claudiamelo-arquitectura.com

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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

ARQUITECTURA AO CENTRO #92



CASA RAINHA
CALDAS DA RAINHA, FOZ DO ARELHO

Bruno Erpicum
Atelier d’Architecture Bruno Erpicum & Partners
2011

Betão envolve o edifício, como uma pele envelhecida pelo tempo sob o sol e o clima de Portugal. Esta pele tem rugas e algumas pequenas falhas que são reveladas com a luz, o que denota a força de seu carácter.
Sob a zona de actividades diárias, exposta à luz e ao ar, está um ambiente familiar subterrâneo. Funciona como uma sala intermediária antes dos quartos. O sofá convida-nos a sentar por um momento e revelar os segredos do material cru, único elemento de decoração.
Os quartos incluem uma instalação sanitária com chuveiro. Tudo é incorporado numa única sala para optimizar o espaço. Isso é o que conta.
O bloco central da zona de actividades diárias é onde está apoiada a cobertura, como um guarda-chuva rodeado por uma coroa de luminosidade.
Ao cair a noite, pode-se até pensar que uma estrela caiu na terra.

site: aabe.be

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sábado, 6 de outubro de 2018

ARQUITECTURA AO CENTRO #91



CASA S+M TORRES
TORRES VEDRAS, SANTA CRUZ

Cristina Castelo Branco e Manuel Lema Barros
Lema Barros + Castelo Branco, Arquitectos
2010

Iniciámos o projecto em 2004, logo após o regresso da Bienal de Veneza. O sítio: ímpar. Debruçado sobre o oceano. Ponto final da mancha urbana: limite e confronto com o extenso campo a sul. Recentemente concluída, a casa já transpira vida. A tridimensionalidade procurada em projecto materializou-se, visivelmente, na obra. A casa forma um gaveto de remate de duas frentes construídas. Simultaneamente enfatiza a sua relação com o mar, elevando-se do solo e projectando-se sobre a arriba, olhando o horizonte. No interior, cada janela é uma tela que emoldura as distintas paisagens do entorno. No terraço, em açoteia, domina-se a envolvente, desde a mancha espraiada da povoação, o Mar, as Berlengas e o Cabo Carvoeiro ao longe, a Serra da Vila, o Varatojo, até á Serra de Montejunto. Esta casa é um barco, ancorado em terra a vigiar, atento, o mar.

site: lemabarroscastelobranco.blogspot.com

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terça-feira, 2 de outubro de 2018

ARQUITECTURA AO CENTRO #90



AGÊNCIA BANCÁRIA
LEIRIA, COLMEIAS

Eduardo Rodrigues
com Carlos Lagoa
2L Atelier Arquitectos
2013

Inserido num edifício que visa a requalificação de uma antiga zona industrial, o projecto nasce da necessidade da criação de um novo conceito para uma agência bancária, que pretende incluir também um novo conceito de balcão de atendimento, por consequência uma nova organização, aparência e linguagem que identificasse esta instituição, pretende-se assim dar reposta a esta procura de uma renovada imagem que se deseja coesa, reconhecível entre todas as dependências/balcões, simples na sua forma, sólida, comunicativa e acolhedora.
A ideia nasce deste modo a partir da utilização de dois objectos, uma caixa enquanto analogia à instituição e um balcão, tornando-se estes os protagonistas de uma estória que se desenvolve e organiza todo o espaço, espaço que consiste numa área ampla com aproximadamente 200m2.
A caixa de entrada, um elemento “sólido” em pedra que ganha dois universos, um maciço durante o dia e um translucido a noite revelando o seu interior, a sua identidade.
O balcão enquanto elemento produtor, balizador, de espaços e de proximidade entre utente e banco.
Criam-se espaços e objectos claramente delineados e monólitos que se traduzem no mote desta instituição “somos da terra” enquanto ideia de solidez, reafirmando a característica base da intervenção, pureza na geometria, gerando uma perceção identificativa única.

site: 2latelier.com

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chinaasc.org
designmag.cz
estacaoespacial.com
facebook.com/pg/2Latelier
joaomorgado.com

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

PROJECTAR #69


A sexagésima nona etapa da actividade PROJECTAR será na Lourinhã, com mais uma sessão dupla, desta vez dedicada a edifícios singulares da empresa Vitra e da Fundação Louis Vuitton, a realizar no dia 11 de Outubro no auditório do Centro Cultural Dr. Afonso Rodrigues Pereira pelas 19h00.



Ambos da série Architectures e realizados por Richard Copans, começamos com "VitraHaus", um showroom no complexo industrial da empresa Vitra, projectado pelo gabinete de arquitectos Herzog & de Meuron:

Em 2006 a empresa VITRA encomenda ao gabinete «Herzog & de Meuron» a construção de um edifício destinado à apresentação dos móveis da sua nova colecção «HOME». Será um museu e um showroom.
Os arquitectos propõem empilhar 12 casas de telhado de duas águas. 12 casas todas diferentes cujas combinação e intersecção criam espaços surpreendentes tanto pelo exterior como pelo interior.
Mais que um arquétipo, é uma casa feita de casas, um passeio em paisagens arquitectónicas sempre renovadas.




Segue-se "O Navio de Vidro", dedicado ao edifício concebido para a Fundação Louis Vuitton por Frank Gehry:

A Oeste de Paris, na orla da cidade, o edifício da Fundação Louis Vuitton construído por Frank Gehry entre 2006 e 2014.
A fim de construir um edifício digno das ambições do seu prestigioso cliente, Frank Gehry propõe um monumento de vidro que dará a ilusão de movimento.
Grandes envidraçados translúcidos e volumes brancos de formas orgânicas sucedem-se duma ponta à outra do edifício, interrompidos por fendas ou por sobreposições. Cada vela é singular, cada volume branco é único. Difícil falar de cobertura ou de fachada.
Os grandes envidraçados evocam grandes velas. Insufladas pelo vento, elas parecem indicar um movimento. O edifício não está apenas orientado de Este para Oeste. Ele tem uma direcção. Impulsionado pelos ventos de Oeste, um grande navio de vidro parece vogar para Paris.
Surpreendente edifício no qual o rigoroso ajustamento de peças únicas de vidro e de Ductal reconcilia o processo industrial com o gesto do artesão. Uma aproximação à indústria do luxo de que o edifício da Fundação é o último emblema.





Com estas sessões propõe-se esta Delegação da Ordem dos Arquitectos exibir documentários de Arquitectura, como forma de divulgar a vida e obra de arquitectos com importância na história e teoria da arquitectura, nacional e internacional, de várias épocas e movimentos, e assim contribuir para o enriquecimento da cultura arquitectónica na nossa região.

Estas sessões destinam-se, para além dos arquitectos da região, a outros técnicos e a todas as pessoas com curiosidade e interesse nestes temas, sendo de acesso livre mas limitadas à lotação do auditório do Centro Cultural Dr. Afonso Rodrigues Pereira, na Lourinhã, que está disponível para o efeito.

Apoio:
Município da Lourinhã

PROGRAMA:

11 de Outubro, 19h00
Centro Cultural Dr. Afonso Rodrigues Pereira, Lourinhã
VitraHaus
HERZOG & DE MEURON

(2011, Richard Copans, 26')
O Navio de Vidro
FRANK GEHRY

(2014, Richard Copans, 26')

segunda-feira, 24 de setembro de 2018